terça-feira, 13 de agosto de 2013

Treasure of the Rudras



Capa bonita, não? Ela é de um JRPG bem peculiar da Squaresoft (atual Square Enix) que mistura a típica fantasia medieval europeia com várias referências das religiões indianas, simplesmente uma maçaroca doida. Treasure of the Rudras (Rudra no Hihou em japonês) foi lançado em 1996, ou seja, chegou muito atrasado em uma época em que todos os jogadores já estavam comprando seus PS1 e N64, além dos demais consoles novos daquele momento. Sem falar que o sistema de magias do jogo, o qual explicarei abaixo, não era "familiar" e prático o suficiente para ser aceito fora do Japão.


Começando pela história, a introdução explica que há cada 4000 anos, a raça dominante do momento é destruída para que um nova raça possa ressurgir através de um progenitor, esse que seria um Rudra (um tipo de deus destruídor da mitologia indiana). Sendo assim, já ocorreram quatro ciclos no momento em que a história principal se passa, cada ciclo com sua raça misteriosamente destruídos sucessivamente até chegar na era dos humanos. Porém, sobreviventes de cada uma das raças anteriores conseguiram se adaptar em locais para morar e não costumam fazer contato com os humanos. Essas raças são Danans, Sereias, Répteis e Gigantes.


O jogo começa a acontecer 15 dias antes do "Armaggedon dos Humanos", quando 3 protagonistas começam a se aventurar pelo mundo em objetivos distintos, porém com uma coisa em comum: as pedras (que seriam de jade) das quais cada um está fundido e que estão relacionadas a cada Rudra. Os 3 protagonistas iniciais se chamam Sion (um cavaleiro), Surlent (um mago arqueólogo) e Riza (um tipo de garota "messias" do jogo), sendo que há um quarto protagonista que se torna recorrente no caminho dos outros 3 e se torna jogável apenas próximo do final: o ladrão Dune.


Cada protagonista tem o seu "cenário", como também seu próprio grupo pelo menos até o final do jogo, quando os 4 se juntam para enfrentar os últimos momentos da tela final até o chefão. É possível acessar o cenário de cada um quando se carrega a bateria do jogo, podendo escolher a ordem de que cenário vai terminar primeiro e por último. Os 3 cenários ocorrem em contagem regressiva de 15 dias, mas o tempo vai passando de acordo com o seu avanço na história, portanto não há medo de enrolar para exploração ou para acumular extperiência. A história pode ser confusa demais por utilizar vários termos baseados nessa mesma mitologia indiana e por não explicá-las de maneira correta, sendo um dos motivos pelos quais os grupos de tradução da internet demoraram muito tempo para converter esse jogo para o inglês.

Os gráficos do jogo são bem bonitos, em par com Romancing SaGa 3, outro jogo da Square que foi lançado no ano passado a Rudra. Tanto é que se pode notar as claras semelhanças. A música do jogo é simples, porém boa e "relaxante", nem parece que está correndo contra o tempo. A mecânica desse jogo é como a de qualquer RPG, porém com uma exceção gigantesca ao sistema mágico que praticamente quebra as pernas de qualquer "baka gaijin".


Em vez de ter magias pré-criadas e que se podem aprender ou comprá-las em lojas, o jogador pode criar suas próprias magias baseadas em palavras mágicas com seus elementos próprios, os famosos mantras. Se cria magias juntando esses mantras que são prefixos, elementos centrais e sufixos de vários tipos e elementos diferentes, tendo assim um leque imenso de combinações. E aí que está o problema, porque esse sistema é bonitinho e criativo apenas para os japas que sabem katakana, a escrita em que esses mantras se baseiam. Agora tenta traduzir toda essa estrutura em palavras coerentes para um gringo, e de uma maneira que ele saiba misturar todas essas "bobagens" sem se confundir (os grupos de tradução realizaram o milagre de traduzir, só que continua confuso demais brincar com um sistema assim).


Esse motivo sozinho já foi o suficiente para que o ocidente nunca localizasse esse jogo, além da transição de consoles. Dessa forma, o jogo caiu em esquecimento e para trazê-lo a tona foi necessário o esforço de quase uma vida inteira. Para finalizar essa análise, posso dizer que é um jogo que vale a pena fechar, mas que também não é uma criação totalmente incrível da Square feita para qualquer pessoa. A história em si consegue confundir até certo ponto, a mecânica em geral é básica e o sistema mágico é uma doideira de outro mundo que é necessário ter força de vontade para memorizar e se acostumar. De qualquer forma, dêem uma olhada.

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