quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Exile



Vim falar desse jogo esquecido pela humanidade possível de apreciá-lo em inglês somente pelo Mega Drive e Turbo CD, sendo que esse último não é capado.

Continuação e readaptação dos obscuros Action RPGs “XZR” exclusivos para computadores japoneses. A Telenet emplaca o segundo episódio como inédito, principalmente no ocidente, editando a trama, censurando coisas para passar no crivo das donas dos consoles e poda o desnecessário, tipo andar pelas ruas de Manhattan no século XX.  

Nesse jogo, as polêmicas drogas, pornografia leve e religião, só são arranhadas de leve se comparadas às versões originais, onde eram vendidas miríades de drogas nas tendas, agora renomeadas para “veneno de cobra”, “Coca-cola”, “Sukita” etc...
A do Mega Drive foi a que mais sofreu: tem considerável dose de censura, diga-se a aldeia em chamas onde os cruzados cristãos chamados aqui de “klispins”, queimam gente alegando bruxaria ou qualquer coisa do tipo e não aparecem pra parte final as mulheres nuas no festival do Baco quando você esbarra com o Pitágoras nas estripulias do tempo. Pra encerrar, o Mega Drive ganha tradução tosca naquele “engrish” fuleiro.


O enredo não tem tanto daqueles besteiróis nipônicos ocorridos no primeiro “XZR” a respeito de misturar uma trama simples, porém oportuna, do mocinho destituir do poder seu pai, um califa opressor láááá do tempo das cruzadas e costurar uma viagem até o século XX, só para matar o chefe de estado soviético e de bônus o presidente dos Estados Unidos em plena Guerra Fria para restabelecer a harmonia temporal. Isso mesmo... A Telenet fez o bom trabalho de enterrar tudo isso quando vai explicar os acontecimentos antigos a ponto dos novos jogadores não sacarem essa melecada. 

Você controla Sadler, uma espécie de “Lawrence das Arábias” líder de assassinos do deserto chegados nuns ‘tóchicos’. Ele é terceirizado pelo chefe dos cavaleiros templários para trazer o Holimax, uma espécie de Santo Graal, a fim de apaziguar o mundo por estar bastante puto sobre os cruzados cagarem no pau em nome de Deus. Sai numa turnê mundial retalhando aberrações estrangeiras na ânsia de achar mandalas sagradas responsáveis por ativar o tal Holimax.
Aí, esbarra no caminho com figuras históricas quando não mitológicas. Exemplos? Pitágoras na época de um bacanal, os três assassinos de Hiram Abiff, arquiteto do templo de Salomão e venerado pelos maçons, temos também um antigo monge japonês chamado Ninkan, superior de um culto tântrico *cof cof, sexual e muitos outros. 

E depois edificam a Ubisoft pela historieta do “Assassin’s Creed”, onde só rolam gráficos e tudo parece um tutorial gigante, nada ali é intuitivo, daqui a pouco me explicam o que é o controle usado para jogar e sequer se aproximam das drogas ou extermínio religioso. Pensando bem... Um executor persa chapado em pleno metrô detendo punks soa menos ridículo do que aquela porra de simulacro, pelo menos eu não pago 150 reais pra jogar isso.


Sua mecânica nada tem de especial. Segue o formato de “Vallis”, outro título da mesma desenvolvedora. Porém é mais bem detalhado, carrega de forma mínima a moldura dos JRPGs: É preciso fofocar nas aldeias, comprar armas, proteção, tônicos e ainda o personagem tem a meta de subir o nível. Seguindo os eventos lineares, é preciso sair do cenário e ver no mapa se foi habilitada uma área nova. No momento da ação, é aquele velho jogo plataforma lateral. Nas novas versões, modificaram boa parte dos cenários, pra deixá-los mais óbvios, porque às vezes dão dor de cabeça.

O controle é meio travado, os ataques desbalanceados, porque é o carimbo Telenet de fazer tudo. Além do pulo e ataque usando uma espada, você faz bom uso de magia elemental como fogo, gelo, entre outras dessas urucubacas. E se recupera física e magicamente com as medicinas. Nos outros jogos da série, se usasse de modo exacerbado as drogas, sofreria uma overdose, aqui não rola isso. E nem curam tanto assim. Sadler vai se equipando com armaduras e espadas que tal qual nos RPGs, elas fazem a parada de protegê-lo e melhorar seu golpe. 


Inicialmente seu equipamento é bem “lixoso” e será facilmente morto pelos exus. Agora, se juntar e comprar o top de linha da loja, a história muda. O nível máximo de Sadler é o cabalístico 17, e por mim já upo logo de cara, porque as magias todas ficam disponíveis e você não toma tanta porrada. 

Os gráficos estão satisfatórios, nada primorosos, tem templo nevando, catedral, floresta e a luta final rola num salão onde é cultivada a árvore do gênesis, e seus frutos nada mais são que feições humanas. As mise en scènes ganharam dublagem, a americana tá de bom tamanho. Rolam os velhos diálogos clichês do tipo: Você é pura maldade. Musicas bem produzida, tocam batidas, arranjos condizentes a região, umas meio datadas porque estavam no auge do CD e tal, algumas, no entanto não envelheceram tanto e só contribuem pra imersão.


Ele não é a oitava maravilha do mundo, e quis ganhar notoriedade através da polêmica. Peca menos que seu antecessor na ingenuidade ao mexer em tais tópicos levados ora para reflexão e ora pra baboseira. Se está de saco cheio do certo, de achar que as coisas só vão melhorar por criar nomes mais categóricos às minorias. Jogue essa pérola na fase amalucada e empreendedora japonesa, uma das pérolas do PC Engine.

Um comentário:

  1. Excelente post. Bem detalhado sobre esse jogo que eu nunca ouvi falar mas achei bem interessante. Em outras palavras: "Mal conheço e já considero pacas".

    Continue nos trazendo projetos maravilhosos e detalhados sem se importar com o padrão limitado da etiqueta.

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