quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Tempo



E acabamos com o pertinente de mais um sistema tosco! Segunda tentativa natimorta de estabelecer no cuspe um clássico pra carroça do 32X, não bastou Knuckles' Chaotix. Os fabricantes reais da parada seriam da Red, os mesmos da patotinha Sakura Wars, ou 'Taisen' pros puristas que sequer aprendem japonês, é o que diz na tela pelo menos... É estranhíssimo não serem creditados por isso, pra ver como Tempo deu certo.

Dentro da biblioteca abominável do sistema, o jogo está acima da mediocridade, só perdendo terreno pro Virtua Fighters no pódio de melhor coisa nesta tranqueira periférica. O fator degradante estaria no apelo unicamente visual, do contrário, o Genesis certamente o rodaria. Oras, é curto, e não tem nem save. Podiam tê-lo feito na extensão do Super Mario World ou Donkey Kong Country, mas pra quê né? 


Indo de mal a pior, nem os gráficos são bem conduzidos. O atrativo nos causa perturbação depois de um tempo (tu-dum-tsss). Tudo é alucinado demais, o personagem não para de se mover, lembrando os primórdios dos estúdios Disney e os fundos que desnorteiam devido a agitação incessante só pra provarem o poder tardio do 32X. Pra piorar, repetem a mesma caca feita em Chaotix, chapando na saturação. Se fosse o Mega eu perdoava, pois era um jeito encontrado de driblar a carência das cores, agora aqui não faz sentido nenhum. É como tomar ácido e ir pra um circo de horrores, esperando ter um bom final de semana.

O controle demora a responder, os movimentos da mosca são comuns, exceto o estalo de seus dedos que disparam raios paralisantes, aumentando sua quantidade coletando luvas, mas basta um dano pra perdê-las e ter que recuperá-las. Seus movimentos são tão lentos e requerem tanta proximidade para bater em insetos burgueses que é fácil levar um monte de dano e perder as parcas vidas parando no inevitável Game Over.


A mecânica das fases finge inovação mas passa por tudo já produzido entre Sega e Red, numa abordagem covarde. Por parte da Red ela trabalhou na série Bonk, portanto a fase por exemplo do interior do cachorro lembra demais as entranhas dos dinossauros de Bonk. Da Sega, temos a dança fatal chamando a sua parceira que por fim o ajuda na pancadaria, misturando Moonwalker com Sonic 2. Até o seletor de fases por andares nos remetem a Castle of Ilusion.

Nada tem inspiração, as armadilhas, inabilidade de Tempo e porque não inimigos e chefes malditos linchadores, não lhe cobram habilidade, mas pura astúcia para superar a má programação. A música, tema enfatizado em Tempo,  soa irritante repetindo a cada 10 segundos um dance avacalhado. 


Se algum degenerado jogasse Tempo embriagado, ouvindo  "Gates of Hades" do i-Dozer e ainda recebendo uma mentira de estar com câncer, pode ter certeza que o sujeito no mínimo arrebentaria a cara na tela do monitor. Se for então aqueles de tubão já é meio caminho andado pro inferno.

Tempo é uma ótima ideia jogada no lixo, me frustra por isso, algo cheio de animações, num universo engraçado, tudo tudo tudo cagado pela Sega. Prefiro a versão da minha cachola com 200 fases, controle aprimorado e sandices mais originais já que o experimentalismo foi 1% aqui. Não se sentirá idiota jogando-o. O pecado estaria em ser uma promessa jogada fora na época. Apenas termina de sepultar qualquer vontade de desbravar a 32liXeira.

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