sábado, 13 de setembro de 2014

Eternal Champions



Eita nóis, se fôssemos levar em conta a palavra do desenvolvedor do jogo que disse ser culpa da roda dinossáurica da Sega Japão que Eternal Champions foi jogado para escanteio em favor daquela caca quadrada de elefante do Virtual Fighters, podemos confirmar mais ainda que a empresa merecia receber um atestado de extrema burrice por todas as “boas” ideias mal executadas, excluídas, sabotadas pelos empregados ou chefões, péssimas escolhas, péssimo marketing, etc. Não me admira que a Quenga peidou pra muzenga e agora precisa vender o corpo fazer pactos demoníacos com a sua antiga ríval Ñ Intendo para lançar alguma bagaça no mercado e tentar ganhar o pão de cada dia.

Mas não se enganem, Eternal Champions não é o melhor jogo do mundo, apesar de seu sucesso no Mega Drive lááá no passado. Se botar demais sandices como o Mortau Kumbatí ou o Quiler Instincti lado a lado e jogá-los simultaneamente, quase não terá diferenças no geral, todos eles têm personagens sequelados travando batalhas sangrentas com uma jogabilidade bem empedrada, até parece que o assessor de serviços de engenharia civil da vizinhança (para não falar pedreiro, já que hoje em dia chamar dessa forma virou desrespeito à profissão na opinião dos tiozões de 40-50 anos que se gabam perante os moleques da esquina por terem jogado Telejogo lá em 1900 guaraná com rolha) passou uma linguada de cimento no controle.


A diferença do Eternal Champions desses demais é que a tosqueira que o compõe foi mais bem feita e foi mais diversa. Começando pelos personagens, há uma seleção com todos os tipos de lutadores que você só veria lendo os quadrinhos da década de 90, com direito a cunoixi/kunoichi, o homem das cavernas, o Lobei Rikuo lutador peixe brasileiro da Atlântida, um mafioso da época do Al Capone que luta Jeet Kune Do com ganchos, o macumbeiro alquimista, o policial que virou justiceiro super-herói, a acrobata de circo, o cibórgue lutador de muay thai e por aí vai. Melhor que as trocentas palhetas de ninjas ou as trocentas versões de seres elementais do MK e do KI. Todos eles, de épocas diferentes, lutam por uma chance de reviverem por alguns segundos e então mudarem o destino de sua morte, um arranca-rabo patrocinado por um Doutor Manhattan de quimono que diz ser o infame Campeão dos Campeões Eterno.


Os gráficos são aquele 2D desenhado e colorido igual quadrinhos, o que reforça o design dos personagens e o torneio fumado em que participam, e não os recortes de foto/massinhas de modelar anabolizadas com os efeitos gráficos do console. O que mais atrai jogadores para essa trambuzana é o sistema de fatalities que são nomeados como overkill. O decorrer da luta rola normalmente sem aqueles derramamentos de sangue típicos dos jogos irmãos, mas compensa com cenas estupidamente geladas violentas, bizonhas e algumas até mesmo engraçadas que botam os demais no chinelo, ocorrendo quando o inimigo está com pouca energia e você o acerta na posição certa, sem necessidade de combinações. Alguns exemplos são mafiosos passando de carro e metralhando o corpo do adversário, um dinossauro mastigando o infeliz, ser bombardeado com napalm, entre outros tratamentos carinhosos que o jogo oferece ao perdedor.


Para uma mente consciente e não para a cabeça de um pilantra canalha que só quer ver o circo pegar fogo e o palhaço se f!@#$ nesses embates, o jogo em si não é grande coisa, seu único “encanto” vem mais pela temática diversa com sanguinolência descarada que poderia ter desbancado os outros dois jogos rivais que são mais canastrões nesse quesito e ficaram mais bundões ainda com as sequências posteriores, enquanto o Eternal teve uma sequência que só acrescentou mais perversidade para seus fãs maníacos, mas isso é assunto para outro artigo.

Merece ser visitado pelo menos uma vez para ver como a Sega tinha uma ideia que valia ouro, mas jogou fora porque não tomou seu gardenal nos intervalos certos.

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