sexta-feira, 24 de abril de 2015

Wonder Boy in Monster World




Capa americana escrotaça, mas essa japonesa não fica muito atrás.

Este action RPG de 1991 é meio Cult no Genésio, mas passa batido para muitos. Não destrincharei seu esquema porque segue as mesmas paradas dos seus antecessores Monster Land e Dragon’s Trap. Seu nome é uma salada de maconha regada à pinga: Wonder Boy in Monster World nos Estados Confederados da América, na Terra do sol vermelho Wonder Boy V: Monster World III, no Brasil Turma da Mônica na Terra dos Monstros e assim vai! É pra ter um aneurisma com isso!


É o terceiro jogo oficial, suprimindo aqueles de coletar fruta enquanto mata animais de jardim. O moleque espadachim agora chama-se Shion, de resto faz a mesma coisa dos demais guerreiros-- Ah é! O guri faz participação especial naqueles quadrinhos do Sonic elaborados para os seletos leitores animistas fetichistas. A Hudson deve ter feito algum trato por fora com a Cegueta e relança sob a alcunha de Dynastic Hero havendo mais extravagância por conta dos recursos da mídia em CD do PC Engine. Na Europa portam pro Master de forma porcona avariando certas coisas do título, então nem vale buscá-lo a não ser que seja um desses colecionadores incondicionais dominado pelo id. 


Ora proposital ora uma artimanha criativa, a revisitação dos cenários junto dos personagens e inimigos típicos que ali vivem lembrando um parque de diversões serão uma constante. Cria muito a sensação de dejavú tanto pra quem jogou Monster Land quanto Dragon’s Trap. Os gráficos cartunescos ficaram muito caprichados dando gancho pra Tec Toy fazer o hack da Mônica convincentemente. A música segue o mote dos desenhos animados apresentando em especial uma percussão destoante do restante das composições já feitas no Mega Drive, a do oceano creio eu ser a melhor não tão acentuada pelos atabaques tribais. Infelizmente a Westone deve ter se dedicado a compra de umas pedras pra honrar o seu nome elaborando um acervo mínimo e por muitas vezes será notado o reaproveitamento das faixas.  

A aventura lembra os games Zelda: falar com npcs mínimos, atravessar calabouços não antes de descolar o equipamento adequado, comprar/catar melhorias e antes do confronto final ter certeza de estar o mais completo possível, tentando descobrir artefatos propositalmente bem escondidos instrumento criativo para aumentar a durabilidade mínima desse jogo usando a desculpa de “explorar o mapa”. Um decréscimo é o kina não se transformar mais, somente fica nanico, Shion no máximo recebe companhia de alguns companheiros nos calabouços, cada um tendo suas magias e maneiras distintas de atacar, uma IA bem burralda, só o filhote de dragão vale alguma coisa.


Agora vou falar do crime capital deste gueime - a porra dos combates! Desacredito que nego pare de jogar por ficar empacado numa aventura tão linear, o que faz boa parte da corja desistir é essa "teimosia" (incapacidade?) escrota da Westone na extrema aproximação para atingir os inimigos, ainda mais os monstrengos saltando subitamente ou desferindo várias magias seguidas enquanto você tenta alinhar seu escudo para barrar os raios, não antes de reaparecerem mais monstros no lugar dos abatidos. 

Quando alguém te acertar, você virará um saco de pancadas se não tiver o timing certo para reagir. O jogo te força a atacar e emendar ataques seguidos, mas pelo alcance fodido, a chance de tomar dano por esbarrar é alta, nem as lanças que eram pra aumentar o alcance conseguem ampliar a margem de ataque. 


Os chefes também são muito mal feitos, saem te atacando sem parar e não tem como sair sempre ileso, o monstro final é um tremendo filho da puta, não porque é objetivado o desafio, é apenas má programação e você será forçado a coletar os corações que ampliam os seus pontos de vida e comprar uma poção que recupere quase sua barra inteira enquanto reza pro chefão levar dano. 

Mesmo assim vale jogar? Sim! Um jogo de ação mais regrado, simplista, que pede o mínimo da massa encefálica do jogador além dos nervos de aço para não se afobar nos ataques é uma ótima pedida, alie a isso os belos cenários lembrando por demais o traço do Maurício de Souza e músicas medievais com batuques vodus. Bom exemplar daquilo ofertado pelo Mega Drive.


Um comentário:

  1. "Seu nome é uma salada de maconha regada à pinga: Wonder Boy in Monster World nos Estados Confederados da América, na Terra do sol vermelho Wonder Boy V: Monster World III, no Brasil Turma da Mônica na Terra dos Monstros e assim vai!"

    Ri alto nessa parte.
    Aliás, belos gráficos da parte do game.

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