terça-feira, 11 de agosto de 2015

Com os Minutos Contados (The Lost Man), 1969 - Robert Alan Aurthur



Pra quem achava que Sidney Poitier só participou de “Advinhe quem vem para Jantar” ou “O Chacal”, taí um filme bem obscuro de sua carreira num pré-blaxploitation.

Jason(Poitier) é um militante negro radical, coordena manifestações à  distância e também discute com Dennis, o líder em evidência, virou figurinha marcada pela truculenta policia não 'entender' ou 'não querer saber', partindo para agressão contra os manifestantes quando o prazo estipulado pelos próprios é passado. A porrada come, mas Dennis acha um caminho sem saída partir para luta armada ou atos criminosos, Jason discorda e trama assaltar a tesouraria de uma indústria enquanto acontece outro protesto.


Não é apenas Dennis o único preocupado com o seu pescoço, mas também Cathy, uma assistente social branca, essas patricinhas demonizando o Mcdonalds ou preocupada com os piratas somalianos, tentando fingir que não tá sacando bem as ações 'terroristas' de Jason. O roubo acontece, mancadas também a ponto do militante ser baleado e precisar se esconder na comunidade enquanto o cerco policial vai fechando, com direito a ter seus comparsas virando peneira.

Jason não pode reaver o dinheiro, gastou nas investidas de libertar outros militantes e alimentando as crianças carentes, sua única chance é fugir de barco, Cathy tenta acobertá-lo e tenta pedir ajuda ao pai, um ricaço, sem meios pra tirar a corda do pescoço de Jason e acha uma furada a filha se meter num situação dessas. O resto fica a cargo de vocês assistirem, folgados.


No comecinho da resenha aleguei pré-blaxploitation, pois fora o ano ser anterior aos clássicos vindos de 72 em diante, The Lost Man não é carregado de hipérboles, soa mais como um filme de ação padrão. O filme também apela mais pro drama e com Poitier se escondendo, não tem cenas marcantes, não tem uma ação recordável, até o assalto é bem fraco, talvez o enfoque fosse a mensagem, porém nem ela sustenta o filme, o final sim deixa algo na cachola e o inicio também contendo a musica maluca feita por Quincy Jones e o Poitier feito um Ray Charles mal encarado andando nas favelonas americanas.


Assistam, prestigiem o homem, mesmo sem os absurdos, joga à tona os conceitos extremistas daqueles grupos da era flower power em pleno período, e isso não se acha mais nesses tempos, a menos uma produção retratando a época específica.


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