segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Scarface, 1983 - Brian de Palma



Se uma coisa que esse filme tem é colhões, colhões de aço. Vai direto ao ponto. É o registro impetuoso da década de oitenta sem frescura, acima de tudo violento, representado por um protagonista megalomaníaco feito a sua época e cidade. Não ficarei de chorumelas, dizendo ser remake do filme dedicado ao Al Capone, e nem me aprofundarei nas relações entre os personagens, elas existem, mas são detalhes complementares de um filme por si só seminal. 


Oliver Stone naquela época era perito em escrever histórias contendo personagens marcantes jogando-os num universo sínico condizente a alguma crítica do cotidiano. Brian de Palma já é um Hitchcock atualizado pra sujeirada moderna, e eis uma obra de ação em alta qualidade. O pessoal hipster, apreciador do gore ou hostil a produções de ação, falseia em puxar saco do filme alegando ser a típica busca por poder frustrada pelo preço alto a se pagar por conta dos crimes - Sobre toda essa corja pagar o mal feito bláblá... Cínicos, pois querem ver mesmo um gangster casca grossa metendo bala em tudo ou um colombiano de motoserra cortando outro cara. 

O filme aborda o surto de traficantes colombianos e seus empregados muitas vezes americanos, trazendo coca, ascendendo e transformando Miami numa metrópole adequada aos gostos extravagantes dos bandidos enquanto tentam se matar pela cidade. Acompanhamos a conquista de Tony Montana no bastião do crime, um irascível bandido expulso de Cuba. Chegando em Miami, angustiado em esperar 'serviços' arranjados por Manny seu amigo pau pra toda obra, já começam matando um ex-capanga do Castro e sobrevivem a uma cilada envolvendo uma compra de drogas.


Sendo Tony Montana, ele mata os traidores, consegue as drogas e mantém a grana que seria usada para a compra. Isso sobe os olhos de seu contratante Lopez, recrutando-o para seu lado na quadrilha. Lopez é um tiozinho tentando "humanizar" sua carreira no crime sendo boa praça com todo mundo em parte por temer confrontos, um ato arriscado para alguém metido nesse meio.  



A mulher de Lopez, Elvira Hancock, atrai Tony e este quer possuí-la a qualquer preço, talvez mais pela desforra em querer o caminho mais difícil e afirmar a sua valentia. Há também uma reaproximação com sua irmã Gina (uma atenção meio incestuosa por parte dele) e de sua mãe preferindo-o longe devido a vida ilícita. Ele aos poucos negocia por conta própria com um barão boliviano da coca e se indispõe com o chefe, seja por suas jogadas assumidas arriscadas, seja pela secura de Tony querer tomar Elvira do patrão. 


E o decorrer da trama molda-se ao comportamento explosivo de Tony Montana. É uma boa revê-lo ou conferi-lo pela primeira vez, é uma salvação para a molenguice atual. Os diálogos pesados, nos arrancam um sorriso no rosto por saber que existe um filme assim regado a cenas de ação pés no chão, sempre rolando imprevistos ou deslizes que pode por o sujeito numa fria, essa fria salva o outro não hesitante em meter pipoco, não tem slow motion, não tem rotações 3D, não tem cenas de le parkour, são tiroteios críveis. 

A música tão demonizada é ideal para o filme, eu não quero essa merda refeita ou contendo trilhas rearranjadas, é totalmente feito para os anos 80, com toda a arrogância que a musica sintetizada tentou ameaçar a vida útil dos outros estilos musicais. 


 ~Tananããããã tan-tan-tan, push on the limit...~

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