terça-feira, 20 de outubro de 2015

À Meia-Noite Levarei Sua Alma, 1964, José Mojica Marins



Aproveitar esse mês aí do dias das bruxas sem ser ritualístico a ponto de esperar dar zero hora no 31 de outubro pra postar. Vou recomendar este filme nacional do Zé do Caixão a.k.a. Coffin Joe. Geral manja do , o alterego do diretor José Mojica Marins. Associam a persona como mera figura bizarra brigada com a manicure apresentando um programa esquisito no Canal Brasil, mas enganam-se, o cara fez um dos melhores clássicos do horror já feitos, mostrou que era possível algo assim num país em que todos fazem a sua parte para cagar na produção dos outros e sem contar com grana federal como hoje é possível esmolar.  

Vejo muito nego descer o pau no cinema nacional, falando que de fato ele somente existiu do Central do Brasil em diante, antes havendo somente sacanagem. Ok, o acervo é na proporção do PC-98 da NEC, mas pelo menos os camaradas PRODUZIAM material e não imploravam grana pra oitocentas financiadoras. Os comerciantes pediam um filme e os malucos com pouco faziam a parada. 

Mesmo com o enfoque na sacanagem, até pelo fato do cacetete reger a orquestra nas masmorras e hoje ter gente pedindo "impitchimá" pra voltar com as tropas do Darth Vader, tu tinha o cinema novo, cinema marginal, a boca do lixo e coisas mais velhonas tipo Assalto ao Trem Pagador, Orfeu Negro e Mazzaropi, aí me vem ainda gente dizer que o cinema nacional só produzia lixo é pra repensar em quem diz isso. 

Mas vamos ao lance do À Meia-Noite. Um filme que se focava unicamente em prestar o terror usando a crendice local e nada mais prestava a fazer, não tinha grandes pretensões, não tinha mensagens subliminares, era o cinema pelo cinema que para o Mojica foi mais tenebroso rodar sua película que o próprio conteúdo macabro da história. 

O personagem veio de um pesadelo no qual o coveiro persegue mojica e o arrasta numa cova onde o epitáfio tinha gravado seu nome e data da morte. Ninguém era competente para passar essa personagem de maneira que agradasse Mojica e também a supersticiosidade dos entrevistados freavam elementos que reduziriam a audácia de Josefel Zanatas, o nome oficial de , cabe ao próprio diretor assumir o astro do filme. 

Mojica vendeu sua casa, vendeu o carro dos pais, usou o elenco de sua escola de cinema que cediam móveis e objetos para montar os poucos cenários. As fitas não poderiam ser gastas atoa, então rodavam cada cena num único take. Pelo amadorismo, erravam nas falas e o próprio zé também tinha dificuldades para passar uma interpretação de alguém polido, mas tudo foi resolvido nas dublagens posteriores pela questão do áudio ser à parte. 

A equipe técnica desdenhava o filme e dificultavam o trabalho de José, tentando tirar grana a ponto deste ameaçá-los com uma arma de festim. Ele teria corrido atrás de um distribuidor da Bahia que antes havia em seu catálogo uma das suas primeiras obras. O filme lançado arrecada 600 mil ingressos, claro que o diretor nunca teria acesso a essa bolada por ter assinado mil contratos para escapar de futuros problemas financeiros. Indo de mal a pior, a ditadura lhe perseguiu alegando haver mensagens veladas contra o regime e a igreja católica, forte na época tenta barrar o máximo que pode a divulgação do filme. 

Esse filme integra uma trilogia proposta pelo idealizador, mas não acredito quanto a ser desde o principio pensado assim, pois o primeiro episódio foca-se mais nos atos cruéis e devaneios do temido papa defunto Zé do Caixão e nos apresenta o sobrenatural bem perto do final. Mas não é um vilão na sombra de algum casal sobrevivente, ele É o protagonista. Isso cria um interesse muito maior em ver o filme, ainda mais por ser ateu, escarnecer a religiosidade desmedida da população interiorana da cidadezinha na qual vive e tripudiar da falta de valentia dos frequentadores da birosca, todos eles sofrendo horrores nas mãos de Zé. 

O protagonista quer porque quer um filho para 'continuar sua linhagem' como assim profere nos seus devaneios. Tem ódio da mulher estéril e trata de dar cabo dela, para engravidar a noiva do melhor amigo, matando-o também para não atravancar seu caminho, e segue a lista dos infelizes mortos ou linchados por Zé. 

O filme usufrui praticamente dos cagaços da população brasileira: Medo de cemitério, medo de transgredir alguma regra católica, toques de macumba, funerária, ciganas etc.. Isso traz mais impacto pra quem vive no país e atrai os gringos pelo exotismo, embora este filme seja menos regado na macumba e satanismo. 

'A Meia Noite, sua Alma' foi uma ótima experiencia, na época fui ver Jigoku e The Keep e como agonizei ao assisti-los, angustiado de sono... Já este filme é direto ao ponto em nos apresentar o macabro, de nos mostrar um dos mais cruéis vilões sem soar ridículo manter o interesse constante em ver o desdobramento. 

Coitado do Mojica, sempre sofreu com a falta de grana, ficou pra escanteio porque os críticos preferem a pobreza nordestina e agora o mundo das comunidades e não estão nem aí pra outros que ajudaram a fazer coisa de qualidade por aqui, a quantidade de fãs gringos deve ser maior do que os tupiniquins, mas é aquilo, até mesmo lá fora, outros diretores do segmento terror/horror ficaram pra escanteio. 

José Mojica conseguiu acertar de cara na direção além de interpretar um dos melhores ícones do terror na minha opinião, mesmo quem nunca tenha visto algo do diretor sabe quem é Zé do Caixão. Tá aí uma aula de como fazer um filme de terror em alta qualidade que mesmo remontando as limitações da década de 60 e pra piorar com limitações orçamentárias ou mesmo a desmotivação de seguir com um gênero desse tipo no Brasil, temos um trabalho que resistiu ao tempo, com um detalhe ou outro que minimamente compromete o resultado final. 

Quem se diz cinéfilo, tecnófilo ou seja lá qual for o termo, amaldiçoo-lhe a vê-lo ou sofrerá com os vermes da terra devorando suas entranhas, o diabo fazendo-te um belo churrasquinho e lacraias demoníacas ploriferando-se em vossos furunculos do corpo, germinando fungos venenosos! 


Eu renego à igreja, renego o fórum UOL, RENEGO O OMELETE!PROVEM QUE EXISTEM VERMES! A NAÇÃO CUCAMONGA & FONTEREMITA CONTINUARÃO EXISTINDO COM SEUS ESCRITORES  POSTANDO NO INFERNOOOO! AHAHAHAHAHAHAHAHA!

3 comentários:

  1. Realmente, mesmo eu que nunca vi nada dele, conheço o personagem Zé do Caixão, que cada vez tinha unhas maiores. aushaushau

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  2. Grande "filmmaker" esse Mojica heim, recomendo também a dualogia do sexo

    24 Horas de Sexo Explícito
    48 Horas de Sexo Alucinante

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    1. Sim, Zé paga o karma rodando essas produções.

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