quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Cyber Doll



O Saturn é uma máquina maldita, um abismo de coisas perdidas, principalmente se for bisbilhotar o lado oriental da maquineta. Mesmo os carros chefe do aparelho eram muito hipsters nas ideias e talvez por isso tenha emputecido muito quem ansiava na época um Mega Drive 3D continuando quase todas as franquias 16 bits. Cyber Doll é um bom exemplo de lixo valioso disponível para Saturn entre as coisas de sacanagem bem trabalhadas. 

Cyber Doll é um JRPG de temática cyberpunk suja bastante ocidentalizada, lembrando Wachenröder comentado aqui. A história é bem ousada. É explicado numa introdução em inglês sobre como  o vírus da AIDS teria sido neutralizado no final dos anos 90 para na virada do século uma outra ameaça causar deficiências nos músculos fato que permitiu a comunidade científica contornar o problema fabricando próteses robóticas que abriram as portas para uma nova era armamentista e mutagenia pra dar e vender. Esse novo período sofre com mais um novo vírus genocida, cabendo o herói, que é uma espécie de agente especial mercenário solitário (órfão devido a um mutante), deter as aberrações e outros humanos futuristas tocando o terror nas cidades. 


O andamento é bem frugal ao gênero, daria para ser facilmente portado num RPG Maker da vida, todavia, valendo-se de toques bem originais. Pra começar, você não tem um timeco pregando a amizade cega quase demente para deter o mal, aqui você tá só, é quase um Kenshiro robótico. No lugar de integrantes você gerencia as partes do corpo do herói e deve tomar cuidado principalmente com as barras de energia correspondentes à cabeça e o peitoral senão dançou. 

As pernas permitem o deslocamento pelo campo de batalha, os dois braços dão capacidade para usar armamento pesado e armas mais básicas no estrago, ambas dependentes da distância, e claro, tem as demais facetas de opções encontrada nos demais RPGs como fugir, recuperar dano, terminar o turno, etc.. Você salva e procura os eventos da campanha num QG contendo teletransportadores que te levam pra vários distritos, neles você compra armas ou regenera os danos, destaque pra cada parte do corpo conter uma barra de HP mostrando inclusive um mapeamento do corpo. 


Eu nunca entendi bem porque um monte de jogos cyberpunk bastante maduros não foram trazidos pra cá ao invés de se preocuparem com outros mais purpurinados que mesmo sem muita aceitação na época conseguiram impor do mesmo modo seu mercado. Entendo muito menos nos dias de hoje não fazerem jogos mais nessa onda, pois a febre otaCU já passou, retornando a um número menor de seguidores principalmente por essa fase mais voltada pra tara por menininhas que aqui na nossa terra temos um nome mais específico pra isso. 

É bem bizarro, porque hoje, por mais que o mercado japa tente cuspir no ocidente alegando foco maior no seu país de origem, ainda sim pleiteiam para ter certo controle do que vaza pro resto do mundo ou ainda se focam em coisas mais cosmopolitas na tentativa de ter um produto de retorno financeiro certo, mais precisamente a conduta adotada pela Sony,  por que não um action rpg nesses moldes?

A atmosfera do jogo é muito bem feita, extremamente suja, temos musicas misturando rock e techno lembrando  a musica industrial mais decadente em filosofia tentando abarcar os junkies niilistas dos anos 90, fora a arte muito parecida com a das antologias de quadrinhos europeias estilo 2000 AD por exemplo. Eu vou deixar aqui uns vídeos contendo a gameplay e arte do jogo, pra você sacar as coisas verdadeiramente boas que tem por lá no arquipélago do imperador Buhito e que por pamonhice não trazem pra cá, talvez pela otakada maldita querendo love&peace&friendship&bronism.





3 comentários:

  1. Que delícia esse game, parece que a temática Cyber combina bem com os games mais maduros em 2D.Eu também não entendo porque além desses jogos excelentes outros também interessantes não tiveram pelo menos uma chance de tradução, poderia ser pelo menos na Europa que já estava valendo, uma pena, porque com certeza tem muito jogo que vc percebe já na intro que é um jogaço mas em japonês não tem jeito.
    Cyber Doll tem menus em inglês então até pode ser que de pra jogar legal.
    Eu curti mesmo os desenhos e a arte das fases que coisa linda isso.Bem dark e ao mesmo tempo erótico, putz belo jogo e mais um da máquina "maldita" he he he.
    Valeu Doc!

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  2. O jogo tem uma aparência bem legal, o foda é que jogar RPG em japonês é um desanimo total.

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  3. Não conhecia o título. Aliás, como seguista de araque que sou, nunca joguei Saturn... rs
    Mas o dia que eu tiver um console, vou considerar jogar Cyber Doll, pareceu um título muito interessante!
    Realmente não é comum jogos com esse tipo de temática e clima fazerem sucesso, povo tá muito paranóico com "finais felizes" ou coisas similares. Nunca entendi muito bem o porque disso, ponto interessante.
    Ótimo post!

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