segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Wachenröder



Taí um joguinho avant-garde, aquela escrotidão do século XX que andava de mãos dadas com o modernismo e pode ser considerada causadora dos atuais artistas plásticos, hipsters artísticos, exposições de sucata contorcida sem nenhum sentido, quadrados aleatórios, esculturas de queijo suiço, pinturas feitas com sangue de menstruação, entre outras bizonhices da atualidade. Porém não digo esse tal Wachenröder aí represente essas bagaceiras em específico, mas só a parte do velho invencionismo doido gringolês ainda vai.


É praticamente um jogo da Sega se aproveitando da popularidade dos RPGs de estratégia isométricos, cortesia do Ogre Battle, Final Fantasy Tactics e outros que pipocaram devido a ambos. Feito em 1998, reuniu os artistas nipônios fissurados no cyber/steampunk, gente da mesma laia do Masamune Shirow. Dando nome a alguns bois, o grupo tinha o desenhista pervertido de menininhas Range Murata, Satoshi Miyashita que participou da trilha paulerice do Lords of Thunder e o Ian McDonald que foi um dos membros originais do King Crimson, fora os caras envolvidos com aquele animu do Serial Experiments Lain. De certa forma, pode-se dizer que a Sega deve ter cagado rios de diarreia verde e dourada para produzir esse juguete.



A historieta se passa em uma ilhazinha distópica onde tudo é movido a vapor, praticamente uma versão européia futuróide do que será a China depois de alguns anos, tão cheia de fumaça que não dá para ver um palmo a frente do nariz. Os ricaços da elite dominante tem suas usinas de tratamento, jogando tudo nos favelões criando uma Springfield da plebe. O protagonista Lucien Taylor, um cara com aparência quase similar ao Cloud do FFVII, só que jeitão de Kurt Cobain cheirador de cola de sapateiro, quer se vingar dos poderosos porque não conseguiu salvar sua irmã da contaminação, acabando posteriormente se metendo contra um primeiro ministro típico sinistrão que deu um golpe de estado na ilha e quer dominar a tecnologia antiga.



O sistema é o típico xadrez isométrico já citado, só que em 3D e podendo girar o terreno ou dar zoom. Os personagens gastam pontos de movimento sempre calculados em 99 em todos os turnos, só terminando quando se gastam todos ou quando o jogador não decide mais movimentá-los. Os tais pontos também são gastos com ataques comuns e especiais, o primeiro composto de um medidor contabilizando de 1-5 que significa o nível do ataque, enquanto o segundo abre uma animação com o boneco em questão mandando um pancada poderosa no peão inimigo. Também vale mencionar que há uma barra de aquecimento de acordo com os ataques comuns e especiais, já que representa a característica a vapor dos equipamentos, deixando que sobrecarregue faz com que o boneco não se mova até que termine o turno. Fora isso, não há magias e o resto da jogabilidade é o seu JRPG padrão com um nível de facilidade que não chega a assustar.



Os gráficos pecam bastante devido a pixelagem extrema do Saturno, deixando muito a desejar e fazendo com que a qualidade seja baixíssima, principalmente se vai jogar algo assim nos dias de hoje. Já a trilha é muito boa, uns acordes ácidos de rock, às vezes misturado com um pouco de jazz, eletrônico e qualquer outra parcela de estilo musical que cria o ambiente merdalhoso da história, apesar que algumas faixas em lutas chegam a ter um loop bem curto, chegando a enjoar um pouco. O filme de introdução é até interessante por praticamente ser feito com modelos em escala filmados e anabolizados com CG, dando um efeito sujão e até amador que, de alguma forma, acaba colando com quem assiste, parece até uma produção oitentista que acabou ficando legal. Já na parte "cultural" da coisa, há várias referências fumadas a autores e livros alemães avant-garde, além dos títulos alemães, o emblema da comunidade de artistas Wiener Werkstätte e músicos/bandas nomeando personagens, exemplos gritantes são o Franky Zappa, Fatboy Slim, Blue Oyster, entre outras bagaceiras.

Pelas características técnicas em si como jogabilidade e gráficos serrilhadões, pode não ser um jogo tão incrível de se explorar (ainda mais nos dias de hoje), mas pela história fumada e o universo bostalhão psicotrópico futurista aliado a uma trilha maneiraça, se tem algo bem legal para se explorar no Saturno, dêem uma olhada nessa bagaça. Mas já aviso, esse jogo está todo na língua dos hieróglifos asiáticos, que procurem um FAQ ou vídeo no Youtoba traduzido  (mas se não ligarem para lenga lenga de história, é possível jogá-lo sem saber a língua, os comandos são bem simples e não há requisitos para entrar em combate). Fora isso, você pode seguir pelo caminho da imoralidade e jogar através de um emulador de Saturno (se você for um sortudo em fazer aquela bagaça funfar) ou ser como a Elite Símia da facção do Espaço Sideral e comprar duas cópias do jogo, uma para se divertir e outra para pendurar no banheiro e cagar filosofando enquanto olha.



4 comentários:

  1. Caramba, rapaz eu nunca tinha visto esse jogo, boa dica Doc!E pra variar, tudo em japonês né?Eu me nego jogar um RPG sem saber bem a história, fiquei com vontade de jogar ele mas mesmo com traduções paralelas ao pé do TXT eu vou esperar, pois prevejo que se o gameplay será simples como vc mesmo diz, por outro lado eu quero ler bem o contexto doido( ou fumado!? ^_^) do jogo.
    Bom, eu me dou muito bem com o Yabause, mas rodo ele através do Retroarch, que faz umas transformações loucas e deixa os emuladores bem fluidos e bem compatíveis.Não precisa nem emular a iso através de um drive fantasma, é só por pra rodar e pronto.Mas claro, emulação sempre nos prega surpresas de vez em quando.
    Ótimo post Doc!

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  2. Steampunk é algo que me fascina, talvez eu dê uma chance para o jogo no futuro.

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  3. é uma boa dar uma testada, mas não sobra tempo. adorei a materia sobre o jogo.

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  4. é uma boa dar uma testada, mas não sobra tempo. adorei a materia sobre o jogo.

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