terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Bad Mojo



Bad Mojo de 96, o "joguinho da barata", é um  exemplar de PC bem hermético. Enquanto tínhamos nos anos 90, dúzias de FPS na cola da série Doom, clones do Prince of Persia ou full motion videos, este conseguiu pelo menos a boa qualidade indo na contra mão da tendência. A partida mescla um simulador de barata com quebra cabeças típicos dos adventures da Lucas Arts dispersos nos locais. Segundo os desenvolvedores a ideia tomou forma após uma brincadeira contínua na equipe por um de seus membros contar sobre uma barata ter pulado na sua orelha, daí começaram a esboçar o conceito com direito a consultarem 3 especialistas em insetos. 


A ambientação envolve nojeira, drama e certo humor negro seja na sua atmosfera ou na interpretação caricatural dos personagens. A historinha maluca é sobre Roger, um entomologista obcecado por baratas estar decidido a abandonar o quarto nos fundos de um bar. Ele pretende ir  de vez para o México com a grana roubada de um centro de pesquisas por frustrá-lo profissionalmente. 


Tudo muda quando o senhorio Eddie vai cobrar o aluguel. Para se livrar do velhote, o cara dá logo as verdinhas. Prestes a sair no sapatinho, ele se recorda de pegar um colar com a foto da mãe estampando uma barata entalhada. A partir disso a trama fumada se desenrola. Já começa referenciado A Metamorfose de Franz Kafka, que o malandro vira um inseto monstruoso e precisa lidar com o seu novo estado. Em Bad Mojo, Roger é uma mera barata. O gato do muquifo é chamado de Franz e só reforça a inspiração.  

Transformado, você perambula por cenários sujos contendo coisas velhas, enferrujadas, mecanismos ultrapassados, sujeiras, restos e poças viscosas. A barata anda por quase todo tipo de mobília, cômodo fora os encanamentos interagindo com outras formas de vida. O jogador não só é embarreirado por certas substâncias no chão, há lugares estreitos, íngremes requerendo atenção. Aos poucos você desvendará visões geradas pela oráculo do medalhão que revela aos poucos o propósito da sua transformação enquanto o passado de Roger e Eddie são "desbaratados" (tu-dum-tsss)


A interação com os demais animais é bastante variada. As baratas você não tem conexão, contudo enquanto você explora as ambientações, verá outros insetos, inclusive ratos. A primeira ameaça é uma aranha, esta pode matá-lo e será necessário usar uma quimba de cigarro para queimá-la. Ao se aproximar dos outros animais, um close chapado na parte frontal dos bichos é destacada e palavras da oráculo são ditas. Geralmente alertam quanto a tomar determinados rumos, tipo libertar uma rata de uma armadilha, pois seus filhotes a esperam num livro esburaco ou resgatar uma baratinha presa num labirinto pegajoso na geladeira... Pra você ver o nível da coisa... 

Mas a pessoa que tu precisa ajudar é o Eddie. Um velho barman no alcoolismo, deprimido com a morte da mulher ocorrida a bastante tempo. Você chega ao cúmulo de empurrar um comprimido dentro da lata de cerveja ou até impedir que ele morra numa explosão ocasionada por escapamento de gás. Eu não vou spoilear mais, porque gostaria que todos os cucamongueses conferissem Bad Mojo, (o nome é até explicado mais pro final). Há mais de um final e será preciso tomar certas decisões na etapa decisiva. 


A música é outro fator que só torna melhor a experiência. Elas foram da autoria de Xorcist,  um compositor de musica eletrônica ambiente com toques sinistros bem similar àquelas  trilhas sonoras dos filmes de John Carpenter. Vou até deixar no post uma. 


Recomendo Bad Mojo pela criatividade, lugares escatológicos bem engenhosos, cenários muito bem detalhados e trilha sonora contribuinte para a experiência ser mais satisfatória. Se não tiver saco de tentar instalá-lo no DOSBOX, tente o Redux saído em 2004. Suspeito dele estar disponível no catálogo da Steam. Isso aqui tinham que pegar de exemplo e bolarem coisas mais únicas. Pra que duzentos mil God of Wars, Call of Duties e GTAs? Criem coisas novas feito esse título aqui! Selo Cucamonga!

6 comentários:

  1. Deram de graça unas 300X !! e falando em jogo veio, eu recomendo o Nosferatu: The Wrath of Malachi é um jogo de horror excelente.

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  2. Parece muito maneiro! Vou jogá-lo futuramente, valeu mesmo pela dica!

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  3. Pela publicação do review nota-se que o jogo tem um plot muito bom. Inicialmente, quando discutimos sobre pelo skype imaginava algo mais arcade. Inclusive pelas fotos a ambientação gráfica se parece muito com o sistema de foto realismo usados também no oddworld.

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  4. Botei até na minha lista de desejos na Steam.

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  5. Parece bacana o jogo, mas duvido que alguma mulher queira jogá-lo (sequer olhar pra ele)... kkkkkkk
    Lance de queimar aranha com cigarro, cara, parece genial o jogo. Bem fora dos padrões mesmo.

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  6. Gostei, mas... depois do almoço nem pensar kkkkkkk
    É muito bom ver games que fogem ao padrão da sua época e arriscam coisas diferentes.

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