sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Incidente em Varginha a.k.a. Alien Anarchy: Varginha



Em matéria de FPS  não há tantos importantes para se falar porque os melhores ou revolucionários neste estilo tem zilhões de artigos na internet, seja em inglês ou em português. Quanto as variantes ou clones, não são lá essas coisas. Vai achar de toda temática possível como aliens egípcios, satanismo, caipiras malucos e segunda guerra. Todos, praticamente todos chupam Wolfenstein, Doom e Quake

Caem na mesma premissa de coletar duzentas chaves, acionar elevadores e atravessar labirintos com bichos estrategicamente posicionados, repetecos que de certa forma mostraram cansaço nas expansões ou continuações batidas dos difusores. Imagina isso com as plagiadoras da ID? Simplesmente saturou até o ciclo recomeçar com Counter Strike, ou com os duzentos mil jogos de tiro em primeira pessoa na segunda grande guerra incitado pelo Medal of Honor na onda do Resgate do Soldado Ryan


Embora tenha sido revisado na Cucamonga, arcades em primeira pessoa, ficou faltando um genuíno jogo de tiro pra PC. Sem embargo, apresento-lhes o mais insólito, pelo menos pros huezileiros, o Incidente em Varginha (exportado como Alien Anarchy) da discreta empresa Perceptum lançado em 98. O jogo pega a onda do Incidente de Varginha acontecido em 96, na tal cidadezinha esquecida por todos onde vendem cachaça e pão com linguiça na estrada e possui pousadas de ufólogos mafiosos. O pobre povo local foi atormentado não por meros alienígenas, mas demônios alienígenas fugitivos de alguma dimensão, pelo menos é isso que um mendigo de lá irá te dizer por umas pedras de crack. 

A melhor qualidade de Incidente em Varginha é tentar retratar localidades nacionais, não somente Minas, mas alguns momentos levarão o jogador para São Paulo e uns navios abandonados na baía de Guanabara no Rio de Janeiro. Controla um matuto varginhense presenciando extraterrestres que escapa de uma perseguição feita por militares, estes tomam uma das naves. Daí o camarada com um "singelo" rifle de assalto e granadas de mão deve achar o e.t. preso numa área militar fazendo o velho esquema de sempre: coletar chaves, medicamento, proteção extra, buscar passagens secretas e se desvencilhar dos milicos ora alocados feito ninjas, ora fechando o cerco. Exigirá certo reflexo em alvejá-los. 


A Perceptum agiu de modo competente ambientando os cenários para que se parecessem bem com a tal cidade. Isto é visto nas texturas e construções, o que peca mesmo são nos outros pontos da partida. Os inimigos são os mesmos soldados esverdeados grunhindo estranhamente ao morrerem e bem mais adiante existem uns agentes federais americanos, ambos inimigos monocromáticos, com pouca animação e IA precária. Até o Wolfenstein 3D, o primeirão, tinha um punhado extra de inimigos bem coloridos e movimentados, quebrando o marasmo. Outra bizarrice ficou nos acabamentos, como usar uma chave na roleta da Estação da Sé em SP, porra, sério? Fora a troca de tiro com os tais agentes. Foram pouco engenhosos com as armas. Se nos clássicos de tiro, elas davam uma vontade extra de jogar para testar as monstruosidades, nesse aqui você só terá o fuzil e as tais granadas, não dá pra perdoar as limitações, ainda mais numa trama envolvendo forças armadas e tecnologia alienígena.

A obscuridade do jogo se deveu pelo mau planejamento logístico e datação com a chegada de Half-Life no mercado. Pra variar, se no Brasil, meia dúzia de gatos pingados conheciam o FPS, os europeus deram bastante atenção e permite a Perceptum fazer uns joguinhos posteriores. Talvez a escassez de conhecimento  sobre o caso tenha despertado interesse nos gringos jogarem a bagaça mesmo não sendo lá grande coisa. 


A iniciativa foi boa e agiram certo na questão de pegar um assunto polêmico, bem vivo na época para criarem um jogo. A merda mesmo foi não terem criado alienígenas demoníacos ou agentes especiais com equipamento de ficção científica. Darei uma colher de chá pela resistência de projetar qualquer tipo de jogo eletrônico no país, contudo não vou ficar enaltecendo uma coisa por ser feita aqui. É só pegar aquela cópia do Wonder Boy em que existe um cara cantando estilo menestrel, contando como inovação somente a cantoria e adesão de skins do guerreiro na aparência de youtubbers, enquanto a criadora da franquia irá repaginar com rigor a série original. 

Se curtem bizonhices pra DOS ou querem se divertir com um FPS ambientado na terra dos pãezinhos de queijo e garapa, aproveitem esse!


7 comentários:

  1. Rapaz eu nunca tinha pensado dessa forma, CS não deixa de ser um revival dos já extenuantes jogos mega clássicos como DOOM e Cia. É como se fosse um ciclo. O caso Varginha foi doido mesmo. Eu nunca ficaria com expectativa alta de um jogo feito por aqui, mesmo assim vale pelo registro do incidente na cidade mineira. Ufólogos piram! Kkkkkkkkkk

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    1. O CS embora não fosse o primeiro pvp de tiro, foi o jogo que mais trouxe popularidade para a modalidade, com isso bombeou novamente o interesse por tiro em primeira pessoa. E esse caso de Varginha pra não dizer localidades mais interioranas, são prato cheio pras prefeituras locais e gurus charlatões fazerem a festa.

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  2. ''cópia do Wonder Boy'' EU entendi a referência !

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    1. É que me esqueci o nome, por ser genérico demais. Enquanto a Lenda do Herói replica a mesma budega do Monster Land só passando ele para 16 bits (não devem manjar da versão fliper) fora a pobreza de bichos e falta de balanceamento dos tipo...(somente cobras), desenvolvedores trarão um remake mais elaborado.

      https://www.youtube.com/watch?v=Mjg1s6A6VJ8

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  3. Eu lembro desse! huahuahua
    Não cheguei a jogar, mas assisti jogatina. Eu sempre tive problemas com FPS (exceto justamente Doom e Wolf3D).
    Adoro a expressão "a intenção foi boa, só faltou acertar". Este jogo se encaixa perfeitamente nela. Os caras tiveram a ideia bacana de transformar o incidente em um jogo, aproveitando um gênero bastante popular e ideias já conhecidas. Tinha tudo pra dar certo. Mas com IA zoada fica complicado, né? rs
    Muito bom relembrar isso!

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    1. Saudações, Caduco! É bom lembrar desse episódio isolado de jogo nacional antes dessa nova fase indie.

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