sábado, 26 de março de 2016

Panzer Dragoon - Trilogia


Panzer Dragoon


Pode-se dizer que se fez necessário a postagem dessa análise abordando os três jogos da série Panzer Dragoon no Sega Saturn pelo famigerado Team Andromeda, apesar da suposta condição de "carne de vaca" que é. Um jogo do estilo rail shooter, que saindo do anglicanismo e explicando como gente, é o seu jogo de tirinho em que segue uma rota escriptada enquanto vai sentando o dedo nos inimigos que pipocam na tela, o que na verdade não tem muita diferente de um título de tirinho normal. Como o console, mesmo vendido consideravelmente pelo mundo afora, não vingou em popularidade, a série se tornou irrelevante exceto para os críticos meia pataca de revistas/programas/etc de jogos em qualquer canto do planeta e quem comprou um ou todos os jogos da série e jogou, esse tipo formando um grupo nicho de grande porte similar ao do Shenmue que vivem escondidos no esgoto igual Morlocks ou os primos mutantes do Judge Dredd no meio do deserto nuclear. Shenmue ainda teve sorte que Yu Suzuki mutretou com a Sony e conseguiu negociar com a Sega o empréstimo da série e anunciar financiamento do bagulho, só nessas condições para os energúminos iluminados críticos lembrarem do povo sobre tal série, com os exilados se aproveitando disso como uma corda de salvação para se promoverem como embaixadores e nova nobreza da sabedoria no esoterismo triad e importância do trabalho do OGMO aos gameras modernos (e hipsters).


Cessado o blábláblá, vamos ao que interessa. O jogo, lançado em 1995, se passa em um futuro distópico onde os seres humanos novamente na ficção causam uma hecatombe ao mexer com tecnologia cibernética-biológica anti-ética e regridem tudo à Idade da Pedra cheia de monstros e ruinas tecnológicas psicodélicas (como poder ver na capitcha do jogo feita pelo Jean Giraud, ou Moebius, um cartunista europeu lelé que também fazia distopias na versão francesa precursora da revista Heavy Metal). Um tipo de caçador beduíno/tuareg chamado Keil cai em umas ruínas e é quase papado pelos monstros mutantes quando é salvo por um dragão, depois é incumbido de montá-lo e impedir que um dragão negro chegue a uma torre tecnológica e ganhe poder suficiente para escagaçar o mundo enquanto precisa despistar o estereotipado império do mal que também quer a cabeça do dragão malvado.


São seis fases lineares e um confronto final onde a jogabilidade é similar ao Star Fox do SNES, onde há uma mira para mover, mas também move-se a nave para desviar dos inimigos e projéteis, com um radar mostrando a posição das criaturas. Há o tiro normal da arma do boneco e, segurando o botão para carregar e mirando nos bichos, tiros teleguiados vindos do dragão. A dificuldade é mediana e segue bem a risca os modos easy/normal/hard. Não há power-ups, nem nada, créditos extras só no final da fase contabilizando os pontos. Os controles em si são bem responsivos e não oferecem problema nenhum. Os gráficos seriam bem bonitos se não fossem serrilhadões devido a capacidade Frankenstein de processamento do Saturno, mas as animações entre fases são bem legais e as de CGs, se pá, são até melhores que de muitos jogos no PS1. A música é pique um shooter calmo, porém paradoxicamente animado e em um estilo meio folclórico que é bem interessante. A dublagem não é nem por inglês ou por japonês, e sim por uma língua bizarra dessa realidade que dizem misturar latim com grego e russo ou seja lá o que deschavaram nessa ideia Tolkiana/Startrekiana-warsiana.



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Panzer Dragoon 2 Zwei


Lançado no ano seguinte, a sequência Zwei (que cronológicamente é uma prequela, vai entender...) é uma versão mais bombada do seu antecessor. O estrela da vez é um gambé chamado Jean-Claude Van Damme Jean-Luc Lundi que cuida em segredo de um bebê lagarto de asas que, sem levar muito tempo, cresce e se torna um protótipo de dragão similar ao do jogo anterior. Uma nave boladona destrói a vila do cara enquanto esse treinava seu pet longe dalí e então parte em uma busca por vingança.


Nas primeiras fases, o calangão ainda não pode voar e só consegue correr por terra, só para depois começar mesmo as fases aladas quando o bicho, pela história, finalmente é recompensado por sua perseverança. A jogabilidade é a mesma do anterior, o que muda mesmo é uma barra extra que é enchida ao destruir os bichos, completando permite que o dragão fique invencível temporariamente e faça chover os raios lasers em tudo quanto é inimigo na tela. As telas agora tem rotas alternativas para tornar a possibilidade de revisita mais interessante. Ao final das fases, talvez dependendo da técnica do jogador, pontuação e do caminho, o dragão vai evoluindo para diferentes formas mais fortes. Os controles continuam bons e responsivos, os gráficos estão melhorados, apesar de ainda serrilhados e a música já está um pouco mais pesada para o folclorismo do anterior.


Não só o sistema de créditos foi deixado para trás em favor de uma bateria de save, mas também, ao acabar o jogo, é possível liberar um menu de cheats chamado Pandora's Box que permite mexer com a dificuldade das telas, com a evolução do dragão, ver conteúdo extra, entre outras paradas. As animações em CG continuam decentes e ainda utilizando a dublagem com a língua maluca.



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Azel: Panzer Dragoon RPG a.k.a Panzer Dragoon Saga


Arrisco dizer que esse é até muito mais famoso que os outros dois jogos, tanto lá na Gringolândia quanto aqui em nossa Terra Brasilis, onde a Cega dominou em vez da Ñintendo. Talvez seja por todo o misticismo que há sobre esse título ter sido feito em tiragens limitadas, estando no patamar dos jogos mais raros (e caros) de se conseguir no mundo, além do foco que os desenvolvedores quiseram desenvolver sobre as características e história da série.


Em vez de ser jogo de tiro, decidiram seguir a febre dos RPGs noventistas e adaptar o universo fumado ao gênero, o que sinceramente realmente chegou a combinar bem com os padrões chá de fita dos JRPGs. Esse é realmente sequência dos outros dois jogos, em que um moleque adolescente chamado Edge está trabalhando como peão e guarda de algumas ruínas para o já conhecido império opressor do jogo, até que precisou defender o local de um dos monstros antigos dentro do complexo e então acha um tipo de pilar com uma mina de aparência alienígena grudada nele (a mencionada Azel). Já não faltava o fato que o bichão escrotizou os peões, uma frota rebelde do império mata quase todo mundo (menos o protagonista, óbvio) e leva a rapariga em hibernação. Preso nas ruínas, ele acha salvação no dragão que aparece em última hora e então parte em uma aventura atrás dos meliantes.


Essa jogatina é totalmente diferente dos anteriores, mas também não é nada igual aos RPGs convencionais. De começo, o mapa se resume a duas partes, o mapa mundi onde se escolhe para onde vai apontando a flecha sobre o local destravado e o mapa de exploração, no qual voa com o dragão em um padrão bem similar a Skies of Arcadia (sendo que era tudo Sega e havia remanejamento de grupos de desenvolvimento, a jogabilidade do Saga já deve ter servido para o mapa mundi dos navios voadores, bem como as ruínas tecnológicas são para a tal "civilização prateada" do Skies). Na exploração, apertando o "A" se forma um alvo que se coloca sobre objetos, caixas, locais e save points, isso se não forem automaticamente, lançando um raio que depois volta com o item em questão ou leva o dragão para a próxima área. Quando está só o moleque, o mesmo alvo aparece, permitindo observar, procurar itens ou falar com as pessoas (sem o raio, é claro).


O combate é meio estranho, são três barras que são carregadas, cada uma delas valendo por equivalente um turno. Há o radar no meio da tela que mostra as quatro áreas que se pode ir em sentido horário ou anti-horário, como também qual delas é seguro se posicionar ou arriscado por causa dos ataques (nessa de mudar de áreas, são mostrados os pontos fracos dos bichos dependendo de onde você estiver). São três opções de ataque, os tiros da pistola, os tiros teleguiados ou a "lista de magias" Berserk. Com o progresso do jogo, o dragão vai evoluindo e assim é possível manipular tanto fora quanto dentro de combate os status do bicho, fazendo com que ele mude de forma e de características necessárias para derrotar inimigos em específico.


Os controles ao comandar o dragão em exploração ou até mesmo em combate são responsíveis, agora para controlar o moleque por aí, ainda mais o alvo, é meio cimentado. Os gráficos aqui dão uma caída comparado com o predecessor, talvez por essa mudança RPG, ficando mais quadrado e serrilhadão, mas os locais ainda mostram certa criatividade no desenvolvimento. As dungeons são bem monótonas e repetitivas, só túneis claustrofóbicos sem variação, apesar que os mapas exploratórios antes de entrar nessas fases tentam se aproveitar do máximo da força do Saturno e da temática, porém às vezes podem ser vazios e chatos. A música totalmente cai de cabeça no folclorismo, até misturando algo parecendo música celta com vários outros estilos pique World Music em uma ambientação mais relaxada ou sinistra, na ação sendo mais animadinha. A duração do jogo é bem curta, apesar dos quatro CDs, então pode decepcionar quem for tentar jogar a bagaça de uma vez só, apesar de ter umas side-quests bem ínfimas. Como RPG, é bem fraquinho e acabou limitado pelo sistema, pode-se jogar esperando algo bem diferente e até digo novo, porém não espere algo bem executado ou satisfatório


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Enfim, aí está a trilogia de Panzer Dragoon para o Saturno. Isso não quer dizer que a série acabou, há uma sequência do Saga para o XBox chamada Panzer Dragoon Orta que retorna ao gênero shooter, além do jogo spinoff de Game Gear Panzer Dragoon Mini que foi "carinhosamente" analisado pela Cucamonga no passado (vão procurar, preguiçosos). Para quem curte um universo psicodélico vindo de uma revista alternativa unida com o gênero de tiro (se estiver enjoado do Star Fox ou por não querer se meter com os títulos mais hardcore de tiroteio voador), taí essa coleção que vale a pena explorar no Saturno.

4 comentários:

  1. Jogos se mira livre sempre me afasraram por isso nunca tentei este trilogia, além do fato de ser cult e jogar tudo isso aliado a este meu "problema" de ser muito ruim com este tipo de jogabilidade realmente me afasta do game.

    Jean-Luc Lundi é parecido ao Jean-luc que é o prpotagonista do winback do 64. Acho que os japoneses possuem uma lista co nomes de personagens e coisas para acrescentar em suas histórias kkkkkk tipo um banco de dados mesmo, só pode kkkkkkk
    :)

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    1. Ou é por causa do Jean Luc Ponty, um violinista famoso nos anos 70 que até fazia uns trabalhos com o Frank Zappa. Mas pode confiar nessa franquia, é muito boa, vale quebrar a cachola pra funcionar os jogos no SSF.

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  2. Lembro desse jogo na época em que lançaram.

    Saturno era tudo de bom.

    Sabe que lançaram até um anime desse jogo?
    http://jaburtufo.blogspot.com.br/search/label/Panzer%20Dragoon%20OVA

    Abç!

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    1. Boa! Tinha ouvido falar desse anime, mas nunca cheguei a ir atrás. Só ouvi falar que destoa da história original, mas não é como se não fosse o caso de muitos desenhos japoneses na década de 80 e 90 que tentavam adaptar uma história diferente para seguir as preferências do pessoal que assistia na tevê ou compravam os cassetes, sem deixar de seguir o objetivo de promover o jogo. Acredito que seriam até mais fidedignos ao jogo hoje em dia se lançassem um novo anime promocional devido a um retorno da série, apesar que ainda teria que enxertar algumas coisas, devido ao enredo minimalista de Panzer Dragoon.

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