terça-feira, 29 de março de 2016

The Legend of Zelda



Depois de muito pensar, resolvi pagar o preço e jogar o primeiro Legend of Zelda. Sabia quanto a sua dificuldade, mas não chega a ser tão extrema quanto apregoam por aí, pelo menos pra quem já tá acostumado com o tipo de injustiça existente nas coisas da geração 8 bits (mais por suas limitações técnicas). O que me afastou foi a  hype gigantesca da série, uma divulgação desconcertante guinchada pelos nintendrogados por aí. Enchem o saco por não sair um novo capítulo sendo que quase todos são iguais, mudam apenas o seu controle incrementado por alguma tecnologia contemporânea. Deviam jogar este daqui, que contém quase tudo da franquia ao invés de fingirem terem jogado, pior, zerado!

É, vocês não me enganam caralhada nenhuma! Compram essa tosqueira 8 bits por conta de seus gráficos pré históricos punhetados pela empresa como runa antiga, bajulam sua revolução e quanto a jogá-lo? A menos que tenhas mãos de gueixa ou nem as possua (!!!) as razões de refutá-lo são ridículas. Por outro lado, eu nunca entendi porque a Nintendo nunca fez uns remakes fudidos dos primeiros Legend of Zelda, tirando é claro a versão Satellaview, o modem permitindo serviços via satélite no  Super Fã-do-mico.


Esta peça gloriosa deriva segundo contam, dos passeios bocós do jovem Shigeru Miyamoto desbravando a mata nipônica enquanto pensava num futuro onde suas vítimas pagariam por qualquer transmissão ou menção as suas confecções, bastando dizer o nome, feito o Lúcifer. Na verdade, decalcaram tudo do filme fantasioso A Lenda de Ridley Scott (Alien, Blade Runner) com o Tom Cruise pagando mico em bancar o Peter Pan que salvava uma princesa bem similar a tal Zelda de um diabão. Por sorte temperaram a aventura com uns toques orientais, quem sabe o diferencial por filtrar os excessos diabéticos frescurentos, hoje aderido pela nossa geração crítica sábia o bastante para lutar por nós ignorantes. ALELUIA!


Outra papagaiada é enaltecerem o seu pioneirismo como action rpg, embora existissem outros ( nem mencionarei os side scroll) me refiro a dois títulos mostrando estética parecida após a saída do primeiro Ultima de 81: O arcade da Namco Tower of Druaga e o primeiro Dragon Slayer da Nihon Falcom para o NEC PC-88 ambos de 84. Infelizmente seus controles cimentados e rolagem pouco fluída não levariam o subgênero tão longe quanto The Legend of Zelda, extremamente caprichado para um videogame doméstico. No Japão ele e a sua sequência foram vendidos diretamente para o Famicom Disk System. Esse primeiro Zelda deve ter subido a moral do aparelho recheado de muito cacareco fraco. Pros americanos tiveram o bom senso de porem uma bateria que gravasse o seu progresso. Nos poupou a digitação de extensas senhas, método insistido na indústria até a geração 32 bits.

Tower of Druaga & Dragon Slayer

O inicio é bem Deus dará, reflete claramente a trama na qual a princesa Zelda tentando impedir o espírito de porco Ganon de obter outra das triforces, fragmenta o objeto em 8 partes desovando-as em masmorras por todo o reino de Hyrule. Em seguida, manda seu vassalo achar um bravo guerreiro ou um hippão vendedor de artesanato&jamelão se virar pra cumprir a epopéia de reaver os fragmentos e porque não matar o mal supremo desse mundinho picareta.   Hoje a trama tá mais malucona, com uma timeline toda retorcida de finais alternativas porque os fãs não podem aceitar que os jogos sejam lançados à moda caralha ou não imaginadas como sequencias exatas, somente releituras.

Começa sem qualquer colher de chá, se errar logo na primeira tela onde apresenta a caverna com a espada mágica (sua arma principal) já vai se dar mal. Com a dica dada, é uma boa aprender a física de combate, como repelir projéteis usando o escudo sem contar a movimentação em 4 direções. O alcance do ataque é muito curto, por isso o melhor é manter a barra de vida intacta pra disparar o raio mágico. O cenário não fornece muitas dicas, o jogador precisará aprender a direção certa que evitem monstros poderosos, fora a memorização dos locais existindo calabouços. Depois de concluir algum deles, é sempre recomendado revisitá-los por completo, afinal, guardam itens decisivos  para o progresso da jornada. Um segundo conselho é farmar grana (limite de 255) para comprar melhorias quando não informações, lembrando que existe até uma velha caloteira ainda no princípio do game.

Relaxa... É uma suástica asiática/budista, pega esse tempo livre e aprenda sobre outras culturas.

Ainda que haja pouca informações, tudo é bem intuitivo, somente alguns momentos me travaram ou se mostraram imprevisíveis. Você tem NPCs passando dicas mais irrelevantes do que outras necessárias. Ri de uma velha dando a dica para subir duas vezes as escadarias da montanha e chegar ao calabouço, quando na verdade era preciso repetir o roteiro 4 vezes. Só passei de pirraça! Mais pro final travei e me vali de faq, tipo um dungeon dentro da lagoa. Quem sabe isso não seja artimanha para obrigar o cabeça de bagre a comprar revistas  e almanaques de luxo especializados  em passar as minúcias?


Logo nesse primeiro Zelda é apresentado boa parte dos cânones: Explodir paredes, empurrar blocos, achar o ponto fraco dos chefes, up grades nos equipamentos, as armas (bumerangue, bomba, flecha, flauta, mapa, bússola, poções, luva de força), por fim o bestiário (polvo-aranha, buldogues humanoides, tritões, cactos voadores, monstros da terra, centopeias,  estátuas vivas, esqueletos). Somente os chefes é que achei meio sem graça, parecem aqueles monstros rivais do Godzilla. Tá quase tudo aqui logo de cara, só mostra a fanfarronice da sua desenvolvedora se tratando de inovação nos posteriores.


É enfático que jogue o primeiro Legend of Zelda, carrega no ombro quase toda a mitologia da série, e mesmo com suas limitações ele é bem moderno, tem até save. Seu progresso tirando algumas omissões nas dicas é bem intuitivo. Dá pra fechar em duas semanas ou quem sabe dias se for um amoral tomando modafinil contrabalanceando com uísque barato black street numa maratona quase ininterrupta. São poucas, coisas assim bem inspiradas e que definem um padrão por eras. É fácil obtê-lo quer comprando oficialmente nos serviços Nintendo quer emulando na privada de interface eletrônica.

4 comentários:

  1. Isso é verdade Doc, até que ponto um game é desenvolvido já pensando em fazer coisas muitas difíceis de serem descobertas a não ser se "alguém" passar as informações para uma editora e vender muitas revistas com isso?
    Taí uma coisa a se pensar. Um possível mercado "negro" de informações entre developers e editoras. E lembrando que nos tempos do Nintendinho o número de revistas e publicações aumentaram exponencialmente em todo o mundo.

    A suástica é bem isso, tem até registros dela no Egito antigo, é basicamente uma forma geométrica qualquer, mas volta e meia aparece um desavisado tentando apagar suásticas que são muito, absolutamente muita mais antigas que o próprio tio Adolf.

    Já joguei bastante Zelda mas nunca tive paciência em terminá-lo. É uma jogatina que hoje em dia eu pretendo encarar mas vai demorar, porque o custo de tempo é alto, e tem muita coisa legal e mais interessante no meu ponto de vista para jogar. Lá nos anos 90 era compreensível a gente ficar grudado em poucos jogos, pois a oferta era pequena, mas hoje, com todo o universo da emulação, jogar Zelda só se estiver disposto a conhecer o clássico mesmo.

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    1. É uma coisa que me intriga. Tinha a Nintendo Power, programas de televisão dedicados e a própria power line. É pra suspeitar...

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  2. ''Logo nesse primeiro Zelda é apresentado boa parte dos cânones: Explodir paredes, empurrar blocos, achar o ponto fraco dos chefes, up grades nos equipamentos, as armas (bumerangue, bomba, flecha, flauta, mapa, bússola, poções, luva de força), por fim o bestiário (polvo-aranha, buldogues humanoides, tritões, cactos voadores, monstros da terra, centopeias, estátuas vivas, esqueletos). Somente os chefes é que achei meio sem graça, parecem aqueles monstros rivais do Godzilla. Tá quase tudo aqui logo de cara, só mostra a fanfarronice da sua desenvolvedora se tratando de inovação nos posteriores.''

    Os fãs da franquia vão a loucura

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    1. É um episódio muito criativo, pipocaram ideias. O 2 ainda vou checar se é tão ruim como advertem, joguei muito pouco.

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