segunda-feira, 4 de abril de 2016

7th Dragon



Uma tralha JRPGista vinda da Sega, mais exatamente uma co-produção entre a dinossáurica ordinária e uma desenvolvedora terceirizada, a Imagepooch. Sendo mais uma empresa "recente" que desenvolvia em maioria juguetes fantasia medieval da Nipônia, produziu umas bagaças pra Sega, coisas próprias e também para outros (participou da produção do que eu ouvi falar ser odiado Yoshi's New Island), não muito recentemente faliu por seu mercado nicherento não garantir bufunfa o suficiente para sustentar o barraco.


Talvez cite esse jogo devido ao grupo reunido para a produção desse título, com a tia centenária Rieko Kodama cuidando da produção, o diretor sendo Kazuya Niinou, um carinha que dirigiu o primeiro Etrian Odyssey (um daqueles rpgs calabouceiros que se punheta o nível dos personagens para sobreviver pro próximo desafio), e finalmente Yuzo Koshiro com suas composições que, dessa vez, não descambam pra baladinha eletrônica esquizofrênica como conhecemos.


É o seguinte, a historieta conta como uma guilda de personagens avatares que você escolhe a classe e nome, como em maioria dos jogos japoneses do gênero, precisa salvar o planeta Eden da invasão de dragões espaciais (quem sabe os famigerados reptilianos malignos do planeta Nibiru...). Esses bichos de procedência lovecraftiana infestam o planeta de flores vermelhas venenosas para dizimar os humanos, até mesmo ilhando os que sobraram para talvez paparem seus ossos. O objetivo é levar a extinção o número cabalístico de 666 dragões da face da terra, nesse meio termo fazendo a limpa nas ervas daninhas satânicas como em um bico de jardineiro.


Aí vem a jogabilidade! Para quem jogou Etrian Odyssey (talvez ninguém, talvez alguém masoquista), é dito que 7th Dragon bebe até demais da água do jogo (e provavelmente Dragon Quest entre na equação), mas também seria mais pelo motivo de ter o diretor e um dos criadores originais da bagaça do que a Sega retornando aos dias de jogos "resposta" (e para quê a Sega faria um jogo resposta de RPG japonês? Todos eles são exatamente iguais hoje em dia). São 28 personagens, quatro para cada classe diferente básica do gênero (guerreiro, cavaleiro, samurai, etc), são quatro para o time titular, mas pode montar mais três grupos de reserva, podendo alternar os personagens na guilda principal do jogo.


O que tem de diferente é que a cada level que pula, vai ganhando um pontinho (dois entre cinco em cinco níveis) para investir nas habilidades principais de cada personagem em uma listinha de destrave. Algumas são magias de aumento de status, outras magias normais, habilidades físicas e até mesmo algumas especiais que são destravadas para usar em luta pela opção Exhaust, uma barrinha recarregável que também pode ser ativada para dar uma anabolizada em sua força ou poder mágico. O jogo também depende bastante da ordem de como você monta a turma e quais habilidades você usa, podendo criar um time que se encaixe a diferentes estratégias de combate e que te dê vantagens sobre o oponente, porém é algo que só se acostuma depois de investir muito tempo no jogo, e aí que vem a parte bem masoquista da coisa.


O jogo em si é como um RPG clássico padrão, que foi até a intenção de toda a turminha de desenvolvimento, porém com as características de calabouço em precisar grindar e farmar até você virar um zumbi para ter uma turma bem treinadas e itens a mão para cumprir as quests, em grande maioria tendo que juntar X quantidade de itens para receber uma recompensa. Além disso, o mapa está infestado das tais flores, sendo que pisando nelas perde energia igual aqueles painéis venenosos padrão, porém elas acabam sumindo com isso (se deixar muito tempo, talvez voltem a crescer aos poucos, mas é bem difícil). Os calabouços não tem nada disso, se sair deles, as flores voltam ao local, só somem se vencer o chefe. Há algumas flores que precisam ser pisadas várias vezes, eliminando elas ganha-se um pouco de experiência, coisa mínima. Eliminar todas as flores é opcional, apesar que se ganha um item especial por isso, além de aliviar o dano do ataque mais forte do último chefe, sendo o poder do golpe calculado pela quantidade de flores ainda presentes no planeta (é um caso quase igual com o Goku com sua Genki Dama).


Os chefes desses calabouços são em todos os casos dragões. Diferente dos inimigos comuns que aparecem randômicamente, os dragões capangas aparecem claramente no calabouço em forma de sombras, até mesmo no mapa da segunda tela do DS se tem a posição deles ao mapear o local. O chefe normalmente aparece como uma sombra gigantesca, a não ser que sejam os dragões fodidões da história que possuem imagem deles próprios. Matando os dragões, o contador vai diminuindo, mas eles podem reviver caso não tenha matado o chefe do calabouço em questão e tenha ficado muito tempo sem visitar o local para terminar o serviço. Nessa questão dos dragões, parece que também deriva de monstros fortes chamados FOE do Etrian Odyssey.


Apesar de seguir o saudosismo do gênero, os gráficos são padrão DS. Os designs dos bonecos são aqueles SD moeshit em fantasia medieval, já os dos monstros, principalmente o dos dragões, são bolados e meio bizarros às vezes, até chegam a lembrar jogos como Lennus que também tinham seus bichos escrotos, apesar que 7th Dragon não alcança tal nível de bizarrice. A música do tio Koshiro é mais padrão orquestrada para fazer rapa-pé a era clássica, porém as trilhas não deixam de ser muito bem feitas e bem temáticas para as cidades, que também são bonitas graficamente.


Apesar de não ser um jogo difícil, ele exige muito tempo com todo o treinamento e preparação de seus personagens, além de acumular grana farmando e vendendo itens, se torna uma atividade masoquista que apenas quem ama sofrer aceita participar, mas não chega a ser tão imperdoável como muita bagaça nipônica do gênero que atinge níveis demoníacos. Fora isso, a "suposta chupinhagem" e o jeitão saudosista do jogo, a qualidade da bagaça é boa, não deixa a desejar diante dos vários outros RPGs do DS, exceto alguns da Square (tipo os FFs remasterizados) e outros poucos títulos que usaram e abusaram da capacidade 3D do sistema. O jogo possui três sequências, duas para o PSP e uma mais recente para o 3DS, essas já descambando de vez para o otaquismo hipstar puro e colocando personagens glamurosos de classes nada a ver lutando contra os dragões espaciais em Tóquio. Se fosse por isso, era melhor ter mantido o jeitão medieval fantasioso e os bonequinhos, menos ofensivo a saúde.


Fica a critério de vocês cucamongos se vão querer sacrificar suas vidas sociais para jogar essa bagaça, apesar de estar repetindo que a qualidade do jogo não é ruim, é algo bem otacão para enfrentar. Deixo por aí a trilha sonora do jogo inteiro em quatro CDs, um trabalho supimpa pelo Cãozinho dos Dubsteps Koshiro, com direito até mesmo as trilhas do jogo repetidas em 8-bits, para quem tem curiosidade de saber como seria tocando essa bagaça nos consoles da antiguidade.

2 comentários:

  1. Jogo é acima de tudo bonito. Em geral os RPG´s são bem feitos talvez por exigirem um bacground muito mais elaborado que um navinha por exemplo.
    Eu sempre achei que o DS combina demais com este gênero.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, quem busca JRPG é a máquina indicada, adicionando sua versatilidade de locomoção.

      Excluir