sábado, 9 de abril de 2016

Golgo 13: The Professional, 1983 - Osamu Dezaki



No começo ia revisar sobre o arcade de tiro do Golgo 13 feito pela Namco em 99. Como o título passaria despercebido pela galera pouco conhecedora do personagem, resolvi indicar não somente o filme, mas também seu legado pouco transmitido no ocidente. A Nação Cucamonga não somente mostra jogos eletrônicos, mas outros formatos de mídia tão importantes quanto. 

Eu farei uma prévia do personagem, antes de descrever o filme, por existir pouquíssimas páginas retratando uma figura tão importante no Japão. Ele, Ashita no Joe, Hokuto e Jojo, ícones no país ou pelo menos respeitados por lá devido ao seu impacto no cenário, chegaram muito discretamente no ocidente, somente agora melhor apresentados para o povão. Takao Saito no final dos anos 60 fazia adaptações em quadrinhos do 007. Quando perdeu os direitos, remodelou o formato da história passando a ideia de um espião para a  de um assassino profissional, disso nasce uma das séries mais fodas dos mangás, precursora da linha de HQs adultas no país (gekigá). 


A JBC lançou 3 volumes com duas histórias em cada, selecionando tramas diversas sem fator cronológico, mas a divulgação foi extremamente simples. Então por mim, recomendo que leiam esses mangás da JBC, busquem os poucos scans em inglês, assistam o OVA Queen Bee de 99 (mediana) e a ótima série animada contendo  50 episódios de 2008. Podem acreditar! O nível da animação lembra a de seriado americano, possuem tramas bem fundadas e grande detalhe na descrição de armas, principalmente explicações referentes a sua M-16 modificada para os trabalhos como sniper

Os dados sobre o personagem principal na trama são desconhecidos, a única coisa que se tem conhecimento é o seu nome usual Duke Togo além do codinome Golgo 13. Deriva de gólgota, o calvário, região onde morreu Jesus Cristo, 13 um complemento de infortúnio. Faço questão de explicar por haver um esqueleto com uma coroa de espinhos representando uma espécie de logotipo. As tramas são bem episódicas, as vezes lançam o personagem em eventos reais da história: A morte da princesa Diana, a tentativa de assassinato do papa etc.. Nem sempre Duke protagoniza as tramas e torna-se um fator determinante das escolhas feitas por seus clientes envoltos em podridões políticas ou desejos mesquinhos.  

Esse é o grande diferencial da série. Golgo 13 carece de escrúpulos, não manifesta emoções, e sempre cumpre seu trabalho, graças a sua vastidão de talentos, habilidades de combate, mas principalmente por nunca errar os seus alvos, uma assombrosa visão de mira. Tal excelência torna-o um ser mitológico, um gênio da lâmpada atendendo desejos de toda natureza. Há aqueles mais justificáveis e tem uns extremamente caprichosos, todos eles implicam em reações diversas, as vezes pondo em risco o próprio assassino. O lado bom é que não nos identificamos com Golgo, ele nos impõe o seu controverso jeito de agir e pronto, aceite ou não! Autores mais recentes tem a mania de criarem justificativas dramáticas para algo escuso ao invés de mostrarem o tema por ele mesmo. 


Dito tudo isso, vamos falar do filme. Tirando os live actions com o badass Sonny Chiba, esta é a primeira adaptação pras telonas em desenho do Golgo 13. Ela é de 83, muito bem desenhada para as limitações da época, se dão ao trabalho até de experimentar cenas em computação gráfica na introdução e numa cena de helicóptero. Infelizmente ficou tosco, lembra o clip "Money for Nothing" do Dire Straits, contudo, é só nesses momentos que observamos tal recurso. O resto é desenhado à mão, um trabalho que parece ter sido feito por 200 crianças filipinas presas num porão. Rola uns efeitos interessantes ressaltando a atmosfera sombria da realidade proposta no filme intercalada com efeitos de luz para focar determinados elementos em cena, concomitantemente ameniza determinados excessos de violência como rolava nas cenas de derramamento de sangue na série televisiva de Hokuto no Ken

Seguinte: Num de seus "trabalhos", Duke Togo mata o filho de um grande magnata, o herdeiro das empresas Dawson. O coroa puto com a perda de seu filho manda caçar o sujeito sem se importar com o mandante. Dawnson controla a polícia, agências do governo americano, paga assassinos e sai em seu encalço enquanto o homem vai fazendo outros serviços e passando a vara em tudo quanto é mulher. O cara sofre umas poucas e boas desvencilhando-se dos matadores e tem seus contatos além de clientes mortos! Golgo 13 parte para descobrir quem estaria lhe atazanando tanto!

O filme intercala satisfatoriamente momentos calmos como os assassinatos entre cenas de combate corporal. Há momentos reservados a descrição da trama, como os personagens analisando o êxito do matador de aluguel. Pra concluir o elemento que talvez irrite alguns mais afetados: as cenas de sexo! Tem a galore, o cara come uma pá de mina sem expressar uma unica feição no rosto. A sacanagem envolve outros personagens também. É um filme bem exploitation. Na minha opinião o equilíbrio desses elementos ficaram excelentes, ele é para um publico que tem o que quer - violência, ação e putaria com uma sinopse enxuta que não fará o espectador de idiota. 


Indico sem nenhum medo esta animação fiel ao quadrinho! Contém cenas bem fluidas de ação, violência, sexo em boa quantidade com um protagonista resoluto no que faz sem qualquer redenção a seu respeito. Um produto que raramente teremos chance de assistir no futuro. Vá assistir ou eu contratarei a máfia congolesa! Esse filme tu cata fácil no Anitube entre outros streams.





12 comentários:

  1. Séries antigas sempre são mal recebidas no ocidente, mas um caso a parte é jojo bizarre adventure. Ai eu me pergunto, por que cobra, golgo e Ashita no joe, não são mais populares ???

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    1. Pode ser pela carga pesada para a maioria, traços fugindo da estética Gaynax, trabalhos mais influenciados na estética americana e protagonistas fodões que agem quase sempre sozinhos.

      Jojo ainda escapou do esquecimento porque o autor conseguiu vender seu produto sob novo aspecto, mais pelo carisma de poses e visual J-pop do que o padrão terror e porrada.

      Por fim, você mencionou Space Cobra, ainda falarei dele e do joguinho pro Mega CD no seu devido tempo.

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  2. KKKK putz, realmente espero que nenhuma produção japonesa tenha usado mão de obra infantil. Eu fiquei curioso sobre o Golgo e inclusive estive jogando recentemente a versão de Golgo para NES, sem saber de nada disso, apenas peguei e joguei, e ali eu já senti uma ambientação bem mais estilo filme que jogo, fiquei pensando em jogá-lo a fundo. pelo menos, a pixel art do NES é bonita neste Golgo.
    Fiquei curioso e vou assistir, e fiquei mais tentado em conhecer o game do NES também.

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    1. Sim, esse Golgo 13 do NES é um dos mais expressivos e talvez tenha ajudado a divulgar melhor a marca. Tinha um pra SG-1000 só que achei muito simplista.

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  3. Hokuto no Ken, pelo menos no ocidente estadunidense, ainda tinha uma preferência maior para com os muricaners, mas realmente é algo que ainda ficou bem marginalizado.
    O pessoal hoje em dia consome tais obras, isso se elas são altamente destacadas como Jojo foi, mais pela marca e influência do que sabendo do conteúdo em si. Como o Doc falou e acrescentando mais umas coisas, o pessoal ainda consomem mais as partes "recentes" do manga (tipo a parte 7) do que as antigas por acatar mais pros padrões pop japoneses e as referências do cinema e literatura "alternativa" atual, como as várias referências dos filmes do Tarantino e do Stephen King. Os japoneses levam Jojo mais religiosamente, os ocidentais já ficam nessa mistura de admiração genuína e chacota pela fabulosidade das poses, personagens, a visão contraditória do "manly men" e a bizarrice dos poderes que ficou muito elitizada, de certa forma, batalha por turnos.
    Estranho que, da mesma forma que tem um pessoal que curte a violência de Jojo, tem aqueles que repudiam ler ou assistir a série porque não estão acostumados com as esquisitices ou pela violência aleatória (violência animal liderando a dessatisfação), sendo que os mesmos aceitam sem problemas variações mais atuais como Hunter x Hunter pelos poderes ou Game of Thrones que chega a ser tornar até ridículo com o número de mortes inesperadas e sem falar como não reclamam da tal violência animal quando enfiaram a cabeça de lobo em um dos personagens morimbundos.
    Enfim, voltando ao Golgo 13, até fico surpreso também como a comunidade otaku prefere, por exemplo, se manter atualizada durante temporadas quando anunciam Lupin III, mas muito pouca atenção é dada para o anterior, sendo que, apesar das diferenças claras, seguem um padrão temático quase igual.

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  4. Só pra finalizar, Golgo 13 é bem legal. É um padrão Bond dos livros com o padrão brucutu e os filmes de trama criminosa, tanto americanos quanto os europeus (como o Milano Calibre 9 ou filmes do tipo). Nem cito os filmes do Bond em si porque muitos são até fantasiosos demais para o padrão da série. Pela temática da série, o formato episódico é até ideal para tanto o mangá, anime ou um filme animado desse calibre, pois a série dificilmente vai envelhecer, mas também é pra quem realmente curte o gênero e explora coisas do tipo.

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    1. O assunto rende pano pra manga e é claramente respondido pela questão estética acima da qualidade ou da ideia concebida. Fica a dúvida se algo será consumido por um indivíduo se este anseia um aparato completo lhe inserindo num nicho ou se ele é despojado de tal mentalidade e irá acompanhar determinado conteúdo por ter esbarrado com o material.

      Bônus: Advinha quem trabalhou com o Takao Saito? Quem? Kazuo Koike, o autor do Lobo Solitário, de trama parecida mas voltado pros tempos do regime Tokugawa e ela ser uma saga fechada.

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  5. Acho que a ideia de criar justificativas para um protagonista que é o vilão, é criar empatia pelo seu personagem. Walter White, por exemplo, virou traficante porque tinha câncer e queria deixar dinheiro para a sua família.

    É o tipo de coisa que vai da consciência de cada pessoa, é aquele tipo de pergunta "isso é o suficiente para justificar tais atos?" e no meio disso, acho interessante uma história que não faça isso. Uma história em que o vilão é o vilão só por ser.

    Lógico que não dar uma justificativa não irá impedir o público de criar empatia, existem outras formas para isso, mas é interessante o fato do autor não forçar que seu protagonista não é de todo o mal.

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    1. Concordo, um Dr. Evil expressando maldade gratuita é ridículo mesmo. Agora um antagonista pode ser bem trabalhado sem precisar legitimar seus atos por dramalhão mexicano. Walter White mesmo, ele sofre um drama pessoal, mas há um momento em que ele tem o controle de tudo, um deleite, um ego naquela operação.

      De repente o Walter White continuando o esquema (não entrarei em detalhes pra evitar spoilers, por ser uma série excelente) virasse um vilão apagando esse rastro mais pessoal. Uma boa trama daria pistas sobre essa vida sofrida sem apostar tanto na transformação para o lado ruim.

      Afinal, dependendo do criminoso, ele já está inconciliável com a sociedade, creio eu que seja mais esse fator do que a vilania em si. Um chefe de guerra ou alguém trazendo algum distúrbio fora da pertinência no lugar, tudo é bem relativo.

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  6. Caramba,

    não conhecia.

    Parece bem legal!

    Obrigado pela indicação.

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    1. É uma franquia japonesa de excelente qualidade, pode conferi-la.

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    2. cara, vi Golgo 13: The Professional (1983) e achei bem legal.
      o cara é muito sinistro e o final, nas ultimas cenas, foi impressionante. por aquela mulher ter descido tanto de nível.

      abç

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