terça-feira, 7 de junho de 2016

Wakusei Woodstock: Funky Horror Band (惑星ウッドストック ファンキーホラーバンド)



Mais uma resenha mostrando a serventia original da Nação Cucamonga: exibir o bizarro, o desconhecido, ou desprezado por suas devidas restrições, quer resulte na má acessibilidade ao jogo quer seja a barreira linguística que é o caso do jogo de hoje. Na verdade... Não é somente isso, uma série de fatores condenam o jogo para ganhar a sua devida atenção.


Daria uma colher de chá se não fosse por algumas questões: Primeiro, é um título extremamente pirado, somente pelo tema fora do convencional (e bota fora convencional nisso) ele não é tão pusilânime caso seja comparado a determinados RPGs japoneses de alta simplicidade, sem qualquer razão aparente para fazer novos jogadores buscarem. Fatores como o grind elevado, labirintos nefastos e aparições piscantes de inimigos resumiriam bem os primeiros Final Fantasies e Dragon Quests até hoje relançados como "a perfeição da natureza". Pelo menos o título de hoje não chega a essa sordidez ainda mais pela baixa duração. Chega de chorumelas e vamos entender a porraloquice psicodélica envolta neste role playing eletrônico escarrado por Marduk para fora desta galáxia.



Saiu logo na primeira safra de jogos do Mega CD, perto do natal de 91, coisas não muitos legais estavam disponíveis como Earnest Evans e... E... Não lembro de mais nada, feito o estado mental de quem digitou as ultimas linhas de comando desta joça! Funky Horror Band foi concebido pela Victor Music Industries, uma espécie de gravadora atuante em programas de tv e animes. Ela queria emplacar sua franquia de muppets musicais hippongas. Puta merda! Como era moda personagens na linha do E.T. (uma criatura horrorosa, longe de casa, incompreendida pelos adultos e ajudadas por crianças tristonhas com a despedida)! Ela conta com a Sega para programar e distribuir o produto. Ela  deve ter dado relevância ao projeto pela ideia de um jogo musical poder ressaltar a superioridade sonora do periférico.

As sobras encalhadas no Ni-pão!

Foi mal recebido pelo público a ponto de encalhar ainda nas primeiras semanas de venda, hoje você compra essa merda por uma bagatela. O motivo de uma ideia pirada terminar num fiasco tão grande seriam pelo fato das animações entrecortarem um rpg do mais chinelão possível com gráficos mais concebíveis para um Famicom do que uma máquina de geração 16-bits, ainda mais pelos recursos extras do periférico. Me pareceu algo feito a toque de caixa apenas visando a marca. estavam mais ávidos em transmitir a trilha sonora (vendida a parte também) do que o produto central.



A banda alienígena "Funky Horror Band" do planeta HoraHora pregava letras sobre paz e amor, como todo cantor que faz isso leva nas fuças, os músicos são  exilados de sua terra natal, postos dentro de um foguete que entra em colapso num bucólico&aterrador planeta chamado Woodstock. Um guri da vila de Funky ao invés de meter bala neles feito o acidente aéreo que rolou com o Lynyrd Skynyrd, resolve ajudá-los na reconstrução da nave e a conseguirem novos instrumentos musicais. Os e.t.s representam os típicos componentes de bandas com suas devidas personalidades e estão a escolha do guri principal para um deles acompanhá-lo na jornada.


Há 6 membros no grupo (ou personagens):

Avivi (vocal) Voz: Mika Kanai
Mendes (Teclado) Voz: Toshio Furukawa
Bam (baixo) Voz: Daisuke Gouri
Wally (bateria) Voz: Isamu Tanonaka
Caroon (guitarra) Voz: Ken'yū Horiuchi
Claus (saxofone) Voz: Ryo Horikawa


A partida é dividida em 5 capítulos feito a série Dragon Quest, sendo que a segunda e quarta parte são simples cut scenes com seus 3 minutos reduzindo uma quest inteira. Os capítulos imersos nas lutas e script de eventos não duram mais que 3 horas. No lugar de você farmar horas e dias no acúmulo de experiência matando encostos, o jogo te força a utilizar instrumentos musicais possíveis de executar melodias, algo como magia para os seus mais diversos propósitos tais como um RPG tradicional.


O Status NR aqui seria o tradicional MP. Os atributos dos personagens também são reflexos dos itens conquistados nas lutas, baús, compras ou eventos envolvendo outros personagens. O foco mesmo é sebo nas canelas o tempo inteiro, correr, tomar umas eventuais coças, correr, correr, correr, fazer os eventos lhe garantindo poder extra. No comecinho do capítulo final já será o pica das galáxias! Grind porra nenhuma! Menos mal! Imagino o pânico que seria treinar a vera nessa obra do paleolítico. Se bem que por ser um jogo direcionado ao público infantil, os textos dispensam os famigerados kanjis, menos mal! Consegui traduzir algumas frases e descobrir cada função do menu.


O mais chamativo seriam os personagens e inimigos, porque de resto é muito sem graça. Você luta contra um batera; salva um príncipe contra o encosto que lhe controlava; salva uma deusa antiga transformada em pedra. Enfrenta até um policial maligno no dungeon final contendo bosses anteriores que torna-se uma aranha no meio da luta. E os sacerdotes punks? E as guitarras místicas guardadas pelos reinados na peida? Vila punk, vila heavy metal, Bozzio (Terry Bozzio, um dos bateras do Zappa?). Uns molecotes podiam adaptar essa porra para algum RPG Maker que ficaria foda. Mas preferem cheirar cola e se masturbarem pras versões antropomórficas das evoluções do Eevee.


O jogo é uma tosqueira, se sustenta em questão de temática amalucada. Vasculhando os menus, traduzindo as bagaças por algum site já te permitem desbravar o game. Como positivo, você pode checar o manual de instruções e assistir ao videoclipe esquisitaço.

Uma Flying V mágica, só sendo monarca pra comprar essa porra!

Menu (pros frescurebentos):

Falar       
Hanasu
はなす

Investigar
Shiraberu
しらべる

Horror (FHorrorB? O mesmo que party?)
Senritsu
せんりつ

Inventário
Mochi mono
もちもの

Equipamentos
Sō bi
そうび

Guardar
Sēbu
セ-ブ


6 comentários:

  1. Saindo do seu megadrive direto pros seus pesadelos

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    1. Uma badtrip das piores. Mais feios e letais que o boneco Fofão guardando uma faca no enchimento.

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  2. Vai ser difícil dormir essa noite...

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  3. Eu quero saber como tu joga RPG em japa. aushaushuashuahsu

    Sério, qual a graça de jogar um jogo com foco em história e a mesma está numa língua difícil de entender?

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    1. Um bom comentário, eis as razões:

      1) São jogos mais experimentais e apresentam no mínimo um tema interessante. Fontes primárias dos espertalhões que são proclamados "originais".

      2) A proposta da página é mostrar o underground, a cena toda que rolou e suas crias mais recentes. Passar batido por títulos tão expressivos seria heresia.

      3) Se não fosse a teimosia das comunidades e uns desgarrados promovendo as qualidades de algo, não teríamos traduções ou relançamentos para o inglês.


      4) Diferente de um livro, jogos eletrônicos são como música, você consegue curtir boa parte do produto sem compreender a língua falada. Caso seja de extrema importância tem como arranhar o idioma usando ferramentas, lendo artigos, discussões. Falta um pouco de curiosidade nas pessoas, elas aceitam só o que a indústria estipula. É bom ter espírito de porco e sempre tentar atravessar as cercas.

      5) Faz você compreender melhor o funcionamento das coisas ao redor do mundo. No caso o que bombava no Japão, as mudanças etc.. No Brasil temos uma perspectiva sobre o que rola por lá ou damos valor a coisas que eles não se importam.

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  4. Sem dúvidas o jogo mais estranho que eu vi no Sega CD, kkkkkkkk. O Japão é fonte inesgotável de jogos interessantes e bizarros também!

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