segunda-feira, 18 de julho de 2016

[1997] Spicy City - Ralph Bakshi



Até então Spawn foi a única série animada da HBO que eu conhecia, para a minha surpresa, a companhia chama Ralph Bakshi, a ovelha negra dos desenhos animados para dirigir uma antologia de seis episódios ambientados num futuro decadente contendo tramas de conteúdo adulto. A inciativa ocorreu pela busca da audiência por animações maduras que começaram a pipocar desde o inicio dos anos 90. A série causou um bom impacto,  chegou a ultrapassar a audiência de South Park por um mês, ambas transmitidas em 97. Como manda a regra, a mídia caiu no tapa relinchando sobre o sexismo e humor "adolescente" contido na série. Havia aprovação para uma segunda temporada, só que os produtores queriam demitir os escritores escalados por outros mais qualificados de Los Angeles. Bakshi não quis e o projeto morreu. 


Os seis episódios são bem ousados, variam bastante no humor além do tipo de narrativa, alguns soam mais fracos do que outros, mas nada que te faça se sentir um otário assistindo, todos eles possuem algo em comum, a sedutora morena Raven. Ela é uma espécie de acompanhante sempre assistindo algum outro personagem na boate onde  sempre tece algum comentário conveniente a história que irá se desenrolar. Os três primeiros são os mais atrativos, caindo em força até o episódio final. O primeiro aborda uma espécie de veterano que se tornou um investigador particular do ciberespaço e fica se conectando a uma realidade virtual usando o avatar de um boxeador. Ele se apaixona por uma prostituta que usa um char de gueixa. Ela é atormentada por seu cafetão muito descontente por ela estar tempo demais no simulacro. Sem saber sobre o relacionamento, ele contrata acidentalmente o tal detetive para espioná-la e tomar medidas mais drásticas. 

No segundo temos um percussionista de mãos místicas, sucesso numa danceteria, no entanto ele não entregou a droga prometida para um chefão local e este manda um carcamano que era pianista frustrado fazer a cobrança, vale ressaltar a obsessão pelas mãos do cara, pois era um pianista de quinta. De sacanagem, ele decepa as duas mãos do músico. Só que o absurdo vem agora. As mãos eram encantadas e fogem. O chefe do crime, ainda que tivesse raiva do homem, acabou perdendo um grande talento que rendia dinheiro na sua casa de show, assim ele exige que o carcamano retorne com as mãos fugitivas, daí ele parte pra uma macumbeira mais capacitada para ajudá-lo na missão. É o melhor episódio na minha opinião e o mais destoante desse universo futurista. 


De resto temos o terceiro focado num investigador incumbido de resgatar a filha de um magnata, vítima de um computador que a usa para produzir diversos clones; O quarto é sobre uma policial sacana tendo até um juíz velhote na mão, por fazer joguinhos sadomasoquistas com ele; o penúltimo é sobre uma investigadora envolvida acidentalmente numa disputa criminosa entre fabricantes de garotas de programa virtuais e o último e mais fraco envolve a própria anfitriã da série cobaia de um experimento visando eliminar todos os sequelados imperfeitos.  


A série explora muito bem a narrativa noir, o submundo futurista com altas doses de surrealidade, humor negro e sexualidade aflorada. Um resgate da fase dourada do animador. Tem os seis episódios no Youtube,  dá pra entender muito bem, mesmo estando em inglês, aí tu já vai praticando também, trapizonga! Selo Cucamonga!


3 comentários:

  1. Se tu curte dar uma conferida em animações com teor adulto, recomendo Fudêncio, uma animação brasileira da MTV (da época que era canal semi-aberto) que eu curtia bastante.

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    1. Sim, achava muito boa e os demais trampos da Drogaria MTV, inclusive ia falar deles mais pra frente. Sempre vale citá-los.

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  2. Cara, parece doideira, mas deve ser bem legal.

    Abc

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