sábado, 24 de setembro de 2016

Zelda II: The Adventure of Link




 Sumi por um tempo porque finalmente zerei aquele que é considerado "o pior Zelda da franquia", por isso também é um dos últimos da linha cronológica. Repare que isso sempre rola com o patinho feio (diga-se experimental) de alguma série, tipo Street Fighter III ou Devil May Cry 2. Alegam ser o único a mudar radicalmente o estilo, ser difícil pra caceta, quase impossível de zerar... Uns até torcem o nariz pro design. Vou apurar os prós e contras dele e sua influência exercida em outros jogos. 

Poucos meses após o sucesso estrondoso do primeiro Zelda, Shigeru Miyamoto de diretor vira produtor se focando no roteiro. Joga então a pica pro Tadashi Sugiyama (Pilotwings, Super Mario Kart, Doki Doki Panic a.k.a. SMB2 "USA"). Miyamoto desejava que a continuação trouxesse uma experiência totalmente diferente, por isso o jogo muda da água pro vinho apenas pegando algumas referências do anterior. Diferente do primeiro que tinha uma visão do topo quase todo o tempo, este segundo mescla mapas de jrpg (overworld) e movimentação sidescroll, talvez chupando a ideia da série Dragon Slayer. O compositor seria Akito Nakatsuka de Sutte Hakkun, Excitebike e Pilotwings 64.



A historinha é tipo filme de terror da Universal. Pouco tempo depois da morte de Gannon, seus capangas resolvem ressuscitá-lo num ritual mesclando seus restos mortais com o sangue do Link por ser descendente de uma linhagem de corpo fechado. Ao mesmo tempo rola umas intrigas palacianas que roubam a triforce da princesa Zelda jogando-a num sono profundo. Mais uma vez, Impa a mãe de santo do terreiro de Hyrule, oferece a Link 6 joias para que ele no seu respectivo calabouço consiga abrir o Great Palace onde está rolando a conspiração do pouco criativo Dark Link. O embate contra ele e sua reutilização nos jogos posteriores pode até ter ficado bem feito, mas pra quem espera um monstrengo nível Gannon, decepciona bastante, soa algo genérico... 

Você começa no palácio da Zelda que está adormecida. O que o Link estava fazendo ali eu não sei, ou melhor, finjo que não sei. O jogo tem muitas coisas que rendem malícia. Tipo o sprite do herói quando sofre dano parecer que tá segurando o pau. Outra coisa de duplo sentido é dele entrando na casa das mulheres que recuperam sua vida e fecham a porta ou quando tu  zera o jogo, tá lá a Zelda e abaixam as cortinas. Enfim, essas ideias ficam no ar.


Um jogo cheio de duplo sentido...


O sistema e objetivos do jogo é bem simples, mas requerem destreza pra não se frustrar de cara. O ponto inicial é esse templo da Zelda e você retornará a ele toda vez que suas vidas acabarem e dando o game over com a silhueta do Gannon fornecendo a opção de continuar ou salvar a data. Saído do templo, você se depara com um mapa overworld típico do Dragon Quest. Nele você perambula por diversos tipos de ambientes (campina, floresta, praias, desertos, água...) até encontrar cidades, cavernas, cenários-chave (itens, fadas, somente inimigos...) ou calabouços. Enquanto caminha pelo mapa, silhuetas de monstros correm até a sua direção, elas são de dois tipos, cada uma delas com uma formação própria de arena e inimigos, são duas pra cada tipo de ambiente que estiver. Fora essas duas formações por ambiente, existem as fadas que podem curá-lo o HP. 

Os combates acontecem num cenário sidescroll, podendo o jogador matar todos os inimigos ou simplesmente fugir. Matando os inimigos eles te garantem pontos de experiência, jarros de MP e sacolas com pontuações extras de XP. No sistema desse jogo, você possui 3 tipos de atributos: Vida, ataque e mágica. Completando os pontos requeridos é possível gastá-los para subir o nível do atributo ou simplesmente pular pro status seguinte. Com isso, você pode ampliar em primeiro lugar, determinado atributo e depois completar o restante, ainda acho melhor todos na ordem certa, fica mais equilibrado. Apesar de achar arcaico essa coisa de farm, o sistema te permite esquivar dos inimigos diferente dos rpgs por turnos. Mas tome cuidado, se der game over, seus pontos acumulados irão pra zero e certos inimigos ao causarem dano consomem pontos de experiência. A data só grava chefes mortos, níveis alcançados, chaves e eventos cumpridos, se for sair do jogo grave na tela de game over pra não tomar uma decepção nas fuças. A única bondade do jogo é te permitir iniciar no calabouço final e enfrentar apenas o Dark Link, caso tenha matado o penúltimo chefe.


Nas cidades você pode traçar as ciganas e velhas pra recuperar os pontos mágicos e vitais. Nas cidades possuem também algumas quests para poder avançar no jogo. Nelas você aprende magias, geralmente com magos acessíveis cumprindo certos objetivos, ataques novos pra espada ou itens que garantem o progresso do jogo. Atenção! O nível mãe Diná desse jogo é absurdo! Existem npcs invisíveis dentro de casas aparentemente vazias. Pegadinhas tipo um aldeão se chamar Error, falar várias com um npc transformado em monstro pra ele te passar uma dica ou pior... Encontrar jarros mágicos escondidos por toda Hyrule, sem qualquer dica para localizá-los. Assim o mágico ancião da cidade simplesmente não te ensina um poder novo e você não avança. Inclusive sem uma dessas mágicas não dá pra matar o penúltimo chefe do jogo que é indestrutível caso lute sem o poder do raio. 



Tentei ao máximo não me valer de detonados, fui jogando na raça, investigando quadrado por quadrado, interagindo com tudo nas cidades, desenhando mapas de um complexo labiríntico de cavernas, mas por causa de um jarro mágico estúpido eu fiquei travado por dias, finalmente me vali de um faq. Tudo porque a puta da Nintendo queria na época vender  seu detonados com a artwork oficial e propositalmente deixava esses mistérios escrotos. 

Quando você cumpre as quests nas cidades ou visita pontos específicos do mapa, as vezes rendendo coração e mp extra, você terá acesso aos calabouços. Neles, além de enfrentar os chefões, você ganha chaves, itens para avançar pelo mapa que até é um pouco grandinho na minha opinião. Os calabouços são muito labirínticos e só serão destruídos coletando todos os seus itens. Os chefes são muito originais e tirando o Dark Link não lembro de terem reaparecido na série. Tem um cavaleiro usando uma motoca em forma de cavalo, um bruxo, uma serpente-dragão e uns dois guerreiros que me levantam dúvidas: um guerreiro cavalo e outro que é um touro, seria referência aos demônios "cabeça de boi e de cavalo", que eram guardiões dos portões do inferno na mitologia chinesa? O chefe mais foda na minha opinião é o  que antecede o Dark Link, uma ave de fogo bem roubada.


Chefes baseados no folclore chinês?

Enfrentar inimigos e chefes é um desafio a parte. O alcance da espada é muito curto, mesmo o raio disparado com o HP completo não tira dano de inimigos guerreiros como caveiras, homens-lagartos, somente se forem criaturas mais fracas tipos os buldogues lanceiros e uns ratos mutantes que atiram bumerangues. Seu escudo refreia tiros e projéteis de facas ou bumerangues bastando ficar de frente e na altura correta, porém é insatisfatório contra golpes de fogo. Uma coisa irritante são inimigos que usam espadas e escudos, sofrem o mesmo mal das batalhas em Prince of Persia. Tem que pegar o ritmo, atacar duas vezes embaixo e então dar uma estocada pra frente, as vezes necessitando saltar e apertar o ataque na hora certa, já que a sua duração é mínima.  

As magias são uma novidade, muito benéficas nos combates mas terminam muito rápido. Pode aumentar a resistência, o salto, virar fada (que não pode destruir paredes ou atacar), desfere bolas de fogo e recupera pontos de vida. A merda acontece pelo fato da magia durar somente naquele quadro do cenário. Num calabouço se tiver que ir pra sala seguinte, terá que repetir a mágica. No mundo aberto isso torra muito rápido o teu MP, ainda mais uns inimigos que demandam o poder da bola de fogo.  Aí precisa rezar pra aparecer uma fada pra recuperar a life e caso esteja num dungeon, farmar MP matando inimigos infinitos. 

Voltando ao tópico de desenvolvimento, ele inicialmente saiu no Famicom Disk System que nem Metroid, Kid Ikarus e o primeiro Zelda. Por causa disso, esta versão possui diferenças notáveis com a versão saída em cartucho, isso não quer dizer que ela é melhor. Pela superioridade do hardware do Famicom, temos sons mais suaves e barulhos extras, tipo os chefes berrando feito elefante. Os dungeons na versão posterior de cartucho pra NES tiveram parte do design mudado, cores além do cinza e azul e possuem mais texturas. Alguns chefes foram modificados, tipo o segundo na versão do FDS ser o minotauro ou o dragão da versão em disquete ser mais veloz e perigoso nas cusparadas flamejantes. Na tela de game over no lugar da silhueta do Gannon, no FDS só temos uma tela preta. Os inimigos do mapa são fantasminhas de cores diferente, na versão muricaner são ícones de slimes e um monstro humanoide. No FDS o loading era constante, principalmente quando fosse entrar nas cidades. Por fim, a música de batalha foi modificada. Por falar em música, a trilha sonora é bem marcante, soa bastante sombria com toques de aventura.


Com toda a safadeza imprevisível (pra comprar detonados), dificuldade absurda, fazendo você retornar sempre pro inicio do jogo a crítica deu uma pontuação alta pra Zelda II, mesmo hoje evitam pegar no pé, algo que me impressiona, uma vez que sempre tem um pulha tentando desmerecer clássicos. Foi considerado o quinto jogo de NES mais vendido chegando ao registro de 4.38 milhões de copias, talvez pela hype do primeiro... Mas vamos dar o braço a torcer que a equipe de desenvolvimento foi mais corajosa em trazer inovações, de criar chefes e inimigos muito maneiros fora implementações reaproveitadas nos jogos futuros, uma vez que a Nintendo sempre foi preguiçosa pra criar coisas novas e adora punhetar seu acervo clássico, embora nunca tenha feito um remake desse.  Talvez pela limitação da época, Zelda II não tenha sido satisfatório. Mas hoje a desenvolvedora conseguiria transplantar numa boa pra algo parecido com a experiencia tridimensional. O jogo rendeu inspirações com o Rambo do NES, o arcade Cadash, o spinoff do Golden Axe pra Game Gear revisado a um tempão e tem muitos conceitos reaproveitados no badalado Shovel Knight.  


Desafio esse pessoal mão de bosta a jogar esse daqui, pra ser reconhecido como gamera. Se aquele quilingue mascarado do Youtube jogava no very easy, arregou pro remake do Ocarina, chupinhava vídeos e escreveu livro bancando ser jogador, qualquer um que zerar isso daqui vai ser considerado um deus asteca. No final das contas, o desafio valeu a pena. Desgasta muito, mas dá uma sensação de dever cumprido. Agora falta eu jogar os outros episódios da série esquecidos pelos pão com "mortãdela"

10 comentários:

  1. Eu nunca joguei Zelda mas essas coisas de duplo sentido sempre acontecem nos jogos kkkkkkk, entrar em uma casa e ser recebido por uma mulher e de repente recuperar as energias apos passar um período por lá é bem recorrente he he he, pelo menos em sunset riders do arcade sabemos que as minas são prostitutas mesmo, aquelas do velho oeste do cinema
    Essas especificidades e coisinhas chatas de action rpg´s ou rpg´s eu não tenho mais paciência hoje em dia, como o exemplo do poder do raio e tal, tenho certeza que quando for jogar Zelda, o primeiro, vou fazer um pequeno "cursinho" antes, pelo menos o básico para não ficar apanhando de graça.

    Essa coisa de fazer dos cheats, passwords e detonados um mercado paralelo aos jogos era tenso, sem falar nas revistas e claro a própria revista da nintendo kkkkkkkk que fase maravilhosa de imprimir dinheiro que a Nintendo viveu.
    Os detonados de Mortal Kombat pagou o aluguel de muito redator nos anos 90 ahsuahasuahsuahsuhuasaa mas foi uma época legal.
    Essa sensação de missão cumprida eu sei bem como é, e por isso mesmo ainda vou jogar este Zelda II também, tem alguns clássicos que eu nunca pus a mão neles.
    No geral eu senti que o jogo é recompensador, mesmo com as armadilhas de truques escondidos e coisas do tipo. E devemos sim apelar para FAQ´s para sair de algum problema caso a gente trave em alguma fase, oras, nos anos 90 a gente corria para as revistas de banca... hoje podemos resolver da mesma forma correndo ao Cadê ou o Bing kkkkkk mas falando sério, o uso de dicas de forma moderada não desmerece em nada o processo do descobrir e do jogar. O feio é assistir integralmente os detonados ou usar os faq´s como se fosse parte do game... como se fosse seu manual de apoio para todo desafio.

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    1. Zelda é um jogo bem complicado pra quem não jogou nada dele, vai ficar boiando por um bom tempo até entender certas artimanhas canonizadas na série, mas com o tempo você tira de letra.

      Eu evito usar detonados ou ficar dependente deles na hora de fazer qualquer ação. Mas tem jogo que é proposital como esse daqui. Não creio que fosse limitação, pois bastaria que elaborassem dicas melhores. Era pra vender revista mesmo. O jogo em si é muito tosco, mas guarda ideias interessantes.

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  2. apesar das críticas parece que foi um bom jogo.

    abç!

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  3. Único que joguei com gosto foi o de SNES. Mas isso de precisar de detonado porque o jogo é sacana é sacanagem da Nintendo. uahsaushuasuahs

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    1. O jogo não tem qualquer facilitador. Ou você vasculha tudo, decora cada roteiro do jogo ou precisa de um detonado. Caso contrário vai ficar travado.

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  4. "Pouco tempo depois da morte de Gannon, seus capangas resolvem ressuscitá-lo num ritual mesclando seus restos mortais com o sangue do Link por ser descendente de uma linhagem de corpo fechado."

    Caramba, cadê os caras que falam que a Nintendo só faz jogo infantil? hahahaha!

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    1. Me lembra um pouco o plot do Castlevania 2.

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  5. Rapaz, faz um tempo que não passo aqui. Eu reparei que não tava atualizando os meus Feeds, mas só agora me liguei que o endereço mudou e que eu não atualizei no agregador, que burrice da minha parte. Coloquei o novo aqui, agora acho que vou acompanhar com mais frequência! kkkkkk
    Enfim, eu ainda preciso jogar a série Zelda inteira pra fazer qualquer tipo de comentário mais profundo, mas é muito verdade o que vc disse sobre os "patinhos feios" de cada franquia.
    Esse Zelda II nunca me pareceu um jogo ruim, pessoal só mete bronca nele por ser diferente. E pelo visto por ser difícil, pelo que entendi do seu texto. O legal é que vc curtiu isso. Pessoal que reclama de dificuldade em jogo dá até tristeza, é um chororô danado da galera que não consegue terminar jogos e fica levantando bandeira de jogos mais acessíveis. Muita tristeza.
    Tristeza também são essas coisas de duplo sentido que vc falou. Pô, Nintendo, e aquele papo de jogos para a família? kkkkkkkk
    O aldeão que se chama Error é o mais clássico possível! huahuahuahuahua
    Muito bom o texto, talvez um dia eu arrisque jogar este jogo. Bateu uma curiosidade maior que 90% do resto da série. Ou eu sou um hater maldito mesmo! huahuahuahuahuahua
    Valeu Doc!

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    1. Esses feeds são problemáticos. Quanto ao Zelda II acho que vale o desafio. Pode ser mais difícil e tosco pra quem joga os episódios com o design canônico, só que em comparação a outros action rpgs ele é bem competente. Recomendo jogar pelo menos um título da franquia e depois conferir o "choque" de tentar zerar este.

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