quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Manilla Road - Crystal Logic - 1983



O disco de hoje é sobre um trio originário do Kansas, EUA, o Tocantins americano. Eles seriam influenciados pelo que é classificado como a segunda onda britânica do heavy metal abreviada para NWOBHM. Temos o guitarrista e front leader Mark Shelton, o baixista Scott Park e o baterista Rick Fisher, todos antigos colegas de escola que dividiam um apê. O nome surgiu quando todos assistiam bêbados a tevê e tentavam pensar em algo legal, dentre todos, "Manilla Road" acabou grudando na mente. Tanto os integrantes quanto o pessoal em seu entorno deram a maior força para fazerem shows bem recebidos nos bares, rádios e ajudaram na divulgação das demos. O Manilla tinha o seu próprio selo independente, o Roadster Records. Por ele lançaram alguns discos, incluso o disco da resenha, marco da banda para muitos e um material que seria relançado nos anos 2000.

Crystal Logic carregaria os cânones de seus contemporâneos musicais. Enquanto os trabalhos anteriores eram mais artesanais e mostrava a indefinição que muitas bandas do estilo tinham antes de caírem pra sonoridade característica da primeira metade dos anos 80,  o terceiro disco é mais pesado, rápido, enfatiza solos costumeiros em maior ou menor ocorrência numa mesma música, fora a bateria sempre pulsante e o baixo reforçando o peso da música sem muita evidência.

Shelton era fissurado nas obras literárias de Arthur Conan Doyle, HP Lovecraft, Robert E. Howard além de outros. Isso acabou influenciando nas letras responsáveis por catalogá-los como Epic Metal, um possível escapismo de um estado sem tanta agitação em comparação aos outros mais glamorizados. Hoje vários artistas buscam se configurar num tema da história antiga já nos níveis finais da farofização. A farofa do Manilla pelo menos agradaria as entidades de um trabalho de macumba que hoje sofrem com a qualidade industrializada barata. Enfim, voltando ao assunto principal...


As melhores do disco seriam Necropolis conduzida boa parte do tempo por acordes potentes confiando no lirismo da canção terminada por um solo que carimba a composição. Flaming Metal System já metralha um solo frenético ressaltando as habilidades de Shelton na guitarra. Ao longo da canção, a guitarra acaba assaltando diversos pontos da cantoria passando a vez pro instrumento. Esta música se encontra também na coletânea US Metal Volume 3.

Crystal Logic que nomeia o álbum começa com o típico riff de rock n' roll distorcido além de rápido casando com as típicas progressões do metal, daí em diante o som fica mais arrastado até recobrar o fraseado tema. Aqui o vocalista tenta trabalhar mais variantes da sua voz anasalada que pode incomodar alguns, porém evita grandes estripulias galhofentas. The Riddle Master, é mais lenta, bastante poser, criando um ar de intimidação vez ou outra atingida por algum solo na guitarra, bem no final ela começa a atingir velocidade.  The Veils Of Negative Existence parte pra uma estética mais macabra onde o personagem da letra tenta provar para si sua determinação para resistir contra o mal.

Crystal Logic desenvolveu o caminho a ser seguido nos álbuns seguintes (bons também). Após esse disco, o baterista Rick Fisher é substituído por Randy Foxe mais orientado ao estilo trash. Mesmo com a proposta fantasiosa dos livros de capa e espada, o peso, a enfase em incluir um solo acrobático por menor que ele seja, a voz natural e a edição de garagem fazem o Manilla Road, uma ótima opção para quem for buscar um disco trazendo os conceitos comuns desta época. Vou deixar o trabalho completo aí embaixo, quem não quiser escutar que vá ouvir então algum xarope de agora.


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