sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Mestres do Universo, 1987 - Gary Goddard



Mestres do Universo é o primeiro e único filme com atores para promover a febre que era o He-Man na saudosa gringolândia americana e em qualquer outro lugar do planeta que adorasse o projeto de Conan oxigenado lutando contra um anabolizado com cara de esqueleto e seus mutantes malucos. Mas para a alegria de todos, essa foi uma cria da grandiosa Cannon Films, esse estúdio abençoado que nos deu alguns dos melhores filmes já feitos com orçamentos baixinhos, baixinhos.


Bem, sendo sincero, o filme é mais uma bosta adaptada para atores reais, na mesma veia que as Tartarugas Ninjas e o pior de todos: Super Mario Bros – O Filme. Não sei o que passa na cabeça dos figurões tanto da franquia, quanto do estúdio, quanto do staff do filme para adaptar desenhos e jogos aos atores reais, sendo que sempre termina em uma história totalmente retalhada do original e é necessário limitar demais os personagens e suas habilidades devido ao contraste real e os efeitos que não conseguiriam reproduzir fielmente os mesmos desenhos/jogos. Mesmo hoje quando os recursos são mais diversos na parte técnica da coisa, o diretor sempre precisa reescrever a história a um nível retardado para alcançar todas as classes em vez do nicho em específico, já que o foco hoje em dia é arrancar dinheiro de tudo quanto é gente possível se quer saldar os gastos e lucrar uma boa grana, sem falar no limite de tempo.


Para a história dessa bagaça, temos o Esqueleto e a Maligna que finalmente invadem o Castelo de Gueiquiscul e prendem a Feiticeira, que no filme é uma velha, em um campo de força mágico. Através de um equipamento mágico dimensional construído por Gwildor, um anãozinho mistura de Yoda com Fofão, Esqueleto conseguiu finalmente penetrar entrar no castelo e usar uma porta gigantona chamada Grande Olho da Galáxia para sugar o poder do universo e dominar Eternia. Mas como todos esses planos apocalípticos tem um mecanismo de funcionamento, ele precisa da espada de He-Man no momento que a lua está no alinhamento correto (nunca se cansam de usar esses ganchos mandinguentos).


Enquanto isso He-Man, Teela e Mentor detonam uns capangas do Esqueleto e salvam o anãozinho que revela ter outro mecanismo igual ao que lhe foi roubado, então invadem o castelo, tendo um pequeno arranca-rabo e fugindo pelo portal feito pela maquininha, parando em uma dimensão totalmente diferente. Para quem pensou em Terra, acertou! Enquanto o quarteto saído de uma edição de Weird Tales se encontram temerosos com uma vaca e roubando frangos fritos de drive-thrus, a bugiganga cai em um cemitério aonde um casal de formandos encontra o bagulho no meio de uma cratera e pensam que é um amplificador de som japonês (essa juventude americana de filmes são uns verdadeiros paspalhos, difícil ver um que se salva).


Esqueleto se cagando de medo, manda grampear o aparelho no caso de algum xereta brincar com aquilo, sabendo aonde poderia mandar seus capangas para destruí-lo e detonar o grupinho de He-Man. Daí o grupinho encontra a garota sonsa, o moleque tonto pede ajuda para um detetive casca-grossa que mais atrapalha do que ajuda (sempre tem um personagem assim), rola um tiroteio dentro de uma loja de música e a garota sonsa, achando que sua mãe que morreu em acidente de avião, mas estava ali pedindo a geringonça, era boazinha, entrega de bandeja o aparelho para a Maligna, mesmo com toda aquela bagunça acontecendo na hora. Vão atrás do aparelho, Esqueleto captura He-Man, tentam consertar o aparelho que Esqueleto quebrou, o policial chatão acaba se metendo e parte da vizinhança é transportada para o Castelo para salvar He-Man, aonde Esqueleto se tornou um deus, mas sua cachola continua de um palerma para mandar os capangas inúteis. Os dois lutam perto de um abismo e Esqueleto cai nele, Eternia está salva, o policial decide ficar para catar as ninfetas loiras de Greyskull e o casalzinho volta para o mundo real em um final feliz com He-Man dizendo sua famosa frase.


Para o orçamento baixo que tinham, as fantasias e os efeitos especiais ficaram bem feitos, o que realmente estraga o filme é o enredo e principalmente o enredo ser o típico lenga lenga dos seres mágicos/tecnológicos pararem no mundo real e interagirem com o pessoal daqui, no geral são mocorongos que quase botam tudo a perder. Os únicos nomes fortes do elenco são o de Dolph Lundgren de He-Man (talvez com inveja do Schwazenegger ter feito Conan e posto aquela sunginha de Manowar) e o Frank Langella, vulgo Don Diego de la Veja, fazendo o papel do Esqueleto. Tem a Courteney Cox fazendo o papel da moleca, mas naquele ano de 1987 ela ainda era um peixe pequeno que ninguém sabia quem era, só tendo a luz dos holofotes sobre ela quando Friends nasceu nos anos 90.

É um filme de padrão bem tosco, pelo menos tentaram caprichar o máximo possível com o que tinham. Mas continua sendo produto para enganar conquistar os pivetinhos com mais merchandising descarado.

12 comentários:

  1. Lembro que quando saiu gostei bastante. Não conseguia perceber o quanto era zuado e a estória sem cabeça.
    Eu era apaixonado pela teela.

    Abc

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    1. Até pela popularidade do desenho na época. Mas é possível assistir sem ter um colapso nervoso.

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    2. Lembro que assisti a primeira vez na Globo num Domingo kkkkkkkk faz muito tempo.

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  2. KKKKKK ri muito com seu texto Doc! Eu fico pensando como seria a reccepçãoi do público se seu texto fosse publicado no "jornal de domingo" para divulgar o filme ashuahsuhas
    Só falou verdades, essas adaptações são cretinas mesmo, quase sempre dá merda. Filme é filme e jogo é jogo, é muito difícil misturar os dois universos. Eu fico imaginando a Monica (Friends) revendo esses trabalhos iniciais de carreira kkkkkkkkkkkkkkkk.
    Abração Doc!

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    1. Se o filme cumprisse a proposta de ficar no universo pós-psicodélico pelo menos teria a desculpa esfarrapada de seguir a limitação do desenho. Aí temos isso de quererem misturar realidades pra criar identificação com o público.

      Sai um desastre tanto por essa ideia quanto o baixo orçamento Cannon.

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  3. E o mais engraçado que várias animações recentes (vulgo Dragon Ball Super) estão saindo bem capengas tanto em animação quanto em roteiro, imagina um filme trazendo todo esse universo fantasioso atualmente.
    Um belo exemplo de toda essa representação porca da ficção é aquele ultimo filme do Resident Evil que saiu mês passado. Mas pelo menos ainda existem algumas adaptações que deram super certo no cinema como os filmes de Silent Hill e até aquele port da trilogia das areias do tempo do Principe da Pérsia.

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    1. É questão de um bom diretor que faça a ponte. Mas tem jogo que já transporta conceitos de filmes, aí tende ao abuso de clichês ou a ação mais desenfreada comum num jogo.

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  4. Já cheguei a ver esse filme passando pela televisão uma vez, mas nunca fui muito fã de He-man.

    Sobre adaptações, existe uma série do Death Note com atores reais que achei muito boa. Eles realmente mudaram MUITAS coisas, mas conseguiram criar uma história tão boa quanto a do anime, na minha opinião. Se curte Death Note, recomendo.

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    1. Favor, não confundir a série com os filmes, os filmes não ficaram tão legais, somente o spin-off que nada tem a ver com o anime.

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    2. Death Note tem uma linha legal para filmes e seriados pois pega bem a aura de umas séries tipo Além da Imaginação. Daí tem a visão do diretor e produtor no balaio que podem ou não salvar o produto final.

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  5. "Gwildor, um anãozinho mistura de Yoda com Fofão"
    HAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHA
    Muito bom!!!

    Rapaz, sabe que eu não lembro direito desse filme? Precisava ver de novo, mas ainda tenho aquele bloqueio que não me permite rever coisas que não gostei na infância com receio de ficar ainda mais puto da vida! kkkkkkkkk
    Na época eu já tive aquela sensação de "nada a ver com He-Man", justamente por causa da putaria de mistura com mundo real.
    Fico com pena é do Dolph Lundgren tendo que usar essas roupas aí pra gravar, ninguém merece... pqp... huahuahuahuahua
    Muito bom o post!

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    1. Hoje é uma produção bem tosca, mas o cara nem devia ter se ligado nisso naqueles tempos, levando em consideração que o fisioculturismo era moda na época junto de filmes imitando a produção do Conan (quando não misturava sci-fi e pós apocalipse).

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