terça-feira, 16 de maio de 2017

Castlevania: Circle of the Moon



Que "sorte" a minha ter terminado essa obra do capeta faz umas semanas atrás. Pro GBA concluí apenas o Aria of Sorrow, os outros nunca me chamaram atenção, mas escutando conselhos e porque queria fechar a trinca de jogos saídos pro GBA, resolvi me martirizar desbravando isso daí. Circle of the Moon saiu em 2001, sendo desenvolvido pela divisão de Kobe da Konami, onde o time de programadores não fizera grandes passagens na história da indústria de jogos, provavelmente se mataram após essa criação desgramada. Ele foi pensado para ser um dos jogos inaugurais do portátil. Inicialmente ele teria campanhas de dois personagens, omitindo  depois o modo com o rival do herói central. O jogo não apenas seguiria o estilo de exploração existente em SotN mas acrescentaria a ele um sistema de cartas capazes de gerar uma variedade de poderes. 

Vai saber porque, os babacões paus no cu curtiram tanto o jogo que Circle of the Moon vendeu 1 milhão de cópias, ganhou boa recepção de público e crítica. Talvez por ser o sucessor imediato do formato adquirido pelo medalhão Symphony of the Night. Mas você, famigerado leitor, saberá neste review, porque o jogo não é o que aparenta, consequentemente porque a humanidade deveria ser vítima de uma chuva de meteoros. Esteticamente seus gráficos possuem grande aproximação com o clássico do PSX\Saturn pecando no exagero de escuridão responsável por atrapalhar a visão, ainda mais se levarmos em conta que isso era jogado no primeiro modelo sem tela de iluminação, devia incomodar bastante a pirralhada da época. As músicas fazem milagre com as limitações sonoras do GBA e mostram o quão era possível desenvolver faixas fugindo daquela sonoridade remelenta do GBC. Entre as faixas temos remix de temas encontrados no Dracula's Curse e Bloodlines.


A historinha é baratesca: Em 1830, décadas depois do Symphony of the Night, uma vampira austríaca tiete do Drácula chamada Carmila (uma das chefes do Dracula X e personagem  clássico dos estúdios Hammer) resolve reviver o cramulhão aqui interpretado pelo Ted Nugent. Eis que entra em cena um clã barnabé de caçadores de vampiros formado por Morris Baldwin, seu filho Hugh e mais um bucha chamado Nathan Graves (Lê-se Natão Creisson) usando um chicotinho merdolento. O power trio resolve impedir a re-re-re-re-re-ressurreição do monstro, selando ele outra vez numa geladeira, contudo, entretanto, todavia, Morris é capturado, Hugh e Nathan caem num buraco e sabe lá como cargas d'água sobrevivem a queda equivalente a 30 andares. Ambos possuem alguma rivalidade (O filho da puta do Hugh te enfrenta na área final por mimimi).

Crëissön vem nativamente com o pulo, chicotada e uma giradinha do chicote deixando pressionado o ataque. O sujeito vai ganhando poderes extras feito rasteira, força ampliada para empurrar caixotes e saltos infinitos vitais para alcançar novas localidades do castelo. Só que tem umas melecadas nisso: o personagem é extremamente lento, qualquer reação dele é mais lenta que a dos bichos, pode ser um velho de andador levando séculos pra atacar e mesmo assim o Natão vai tomar coça. Uns combos mórbidos! Até o golpe de rodar bolsinha do chicote é tardio pra repelir os projéteis tangíveis. Você precisa calcular de antemão cada ação pro monstro não ser rápido e te encher de porrada, um evento habitual.


Já metem uns bichos pulhas pra matar logo de cara, mas ainda sim dá pra enfrentá-los. A merda começa a complicar do quarto chefe em diante, um bode verde sadomasoquista que cospe catarro de uva, tudo porque a partir dele em diante é exigido o tão irritante farm. Tem gente que ovaciona matar os inimigos com dois petelecos, mas ficar farmando é sinal de covardia fora a cachola estar faltando uns parafusos, aquela galera com toc. Praticamiiieeenteee terás que treinar pra caraco se não quiseres morrer inúmeras vezes. O jogo é extremamente canalha, ele reduziu as poções de hp que curam merreca, a comida é reduzida, os saves points regeneradores de vida vão escasseando a nível absurdo perto do final, os up grades são ridículos e sequer existe lojinha, você vai acumulando tralha e nem poderá vendê-la. 


Detalhe que o jogo tem um card system onde combinando os elementos com as cartas dos deuses vai gerando poderes variados, tanto de boost, quanto poder para o chicote ou até magias devastadoras. Mas nem isso é facilitado, você não saberá o que combinar, quais inimigos largarão as cartas, aliás até podem dizer que isso gera o fator exploração, porém os poderes bons são apenas ofertados por cartas encontradas nos monstros mais poderosos surgidos nas áreas já atravessadas. Eu precisei matar o chefão combinando a carta Uranus com a Thunder Bird, pra fazer uma tempestade elétrica, porque se não fosse isso eu já era. Detalhe, precisa fazer a magia de 180° + ataque ou não funciona.

As áreas são extremamente labirínticas, quase todas, isso pra parte final frita o cérebro. Na área da Carmilla é ausente de corações para não poder dominar a situação com a sub arma da cruz, extremamente efetiva contra qualquer chefe, ali é cheia de botões para fechar passagens somada de bruxas elementais. A minha sorte é ter  no inventário uns itens recuperadores de coração, senão tinha parado de jogar. Ah, falando nas sub armas, elas são dificílimas de achar, ficam em locais certos, geralmente distantes pra caralho uma da outra. A cruz é a tua arma essencial. Outra sacanagem sem precedentes é que matando um chefe não recuperará a tua vida, então se morrer nas outras salas é Game Over. Os chefes tentam impressionar ocupando boa parte da tela, mas espremem muito o personagem principal. Tem uma referência no primeiro, onde tanto a sala de batalha quanto o chefe, remetem a versão de SNES do Dracula X.


Após pagar por todos os seus pecados, sobram alguns extras dispensáveis. Você pode escrever senhas que geram modos opcionais, tipo um te dando todas as cartas magicas e mana alta, um só garantindo atributos físicos, um outro destacando sub armas e outro que reduz teu status a um cocozinho deixando o lucky alto fora o survival mode existente. Tem um easter egg também que tu se morfa num urso verde remontando um joguete de luta infantil pra N64 ao coletar um anel de urso e só...

Numa opinião geral, você terá um ótimo jogo de ação visando realçar o poderio de hardware do Game Boy Advance. Músicas arrancando ótima sonoridade e o tão adulado mapa metroidvania, na época herança direta ao título mais popular da franquia. A contraparte é o desafio absurdo derivado muitas vezes da exigência em subir de nível fazendo paralelo ao controle estragado. Quem quiser jogar isso deve estar preparado para muitas situações irritantes futuras. Encarem por conta própria e risco!

4 comentários:

  1. Eu sou chato com a jogabilidade, se o personagem for lento assim Doc, boa parte da diversão foi pro lixo. Ficar se antecipando a todo momento para não levar uma surra é ruim porque tira o foco para outras coisas no jogo.
    eu ainda não tive coragem de encarar os jogos de GBA do Castlevania e não sei quando terei!

    Kkkkkk esse negócio de farmar é tipo um toc mesmo, é tipo estourar plastico bolha. O meu lado RPG está desativado mesmo, hoje com tantos jogos legais e que exigem tantas outras coisas... ficar farmando me parece algo absurdo!

    Mas Doc, eu tô achando que este jogo já existe na vida real...
    "ele reduziu as poções de hp que curam merreca, a comida é reduzida, os saves points regeneradores de vida vão escasseando a nível absurdo perto do final, os up grades são ridículos e sequer existe lojinha, você vai acumulando tralha e nem poderá vendê-la. "

    Acho que já vi isso na Venezuela!

    Valeu pela dica Doc... mesmo sendo por minha conta e risco!
    Abração!

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    1. Se o jogo não fosse tão travado no controle e não dependesse do farm ele teria um potencial bem maior. Mas compensa jogar só que sabendo dos detalhes e matando o máximo possível de criaturas.

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  2. Gostei da analise, é um dos meus castlevania favoritos. justamente pelo sistema de cartas e eu o jogando não o achei tão dificil, eu só fui perder (por vacilo) no chefe final

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  3. Fala Cucamonga! Acabei caindo de perdido aqui no blog e aproveitando para comentar. Eu joguei esse Castlevania no emulador anos atrás, mas as situações irritantes no jogo me fizeram desistir dele. É o típico game que você deixa de lado por ser irritante contanto que temo outros para jogar tranquilamente, no caso do GBA. Eu acho legal o SOTN pq a dificultade, itens, fases, chefes fluem de acordo com a evolução do jogo, esse do GBA não flue e isso vai ficando cada vez mais irritante. Mas tudo que você disse foi bem detalhado, bom saber que alguém jogou até o final ele, quem sabe no futuro eu dê uma chance.

    Grande Abraço.
    Ivo

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