quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Metal Gear: Ghost Babel a.k.a. Metal Gear Solid


Aproveitando essa maratona de jogos Metal Gear ainda não explorados pela cambada fã da série, vale a pena comentar tudo o que sei sobre Metal Gear Solid.

Sim, vocês leram direitinho: Metal... Gear... Solid... Mas do Gameboy Color, não o de PSX. O motivo desse jogo de GBC se chamar assim é bem simples, começou quando a Konami da Europa queria um port do famoso MGS no portátil que já era febre no mundo inteiro, tentando unir o útil ao agradável. O nosso ligeiro preocupado Kojima sabia que era impossível socar todo o conteúdo do jogo no GBC, podendo assim mandar um "dane-se" para a Konami da Europa e esquecer a proposta... Mas, não querendo perder a oportunidade de disseminar sua série nos portáteis, pensou e pensou até que uma ideia surgiu em sua cabeça, plim!

Ele chamou então Shinta Nojiri, o seu parça que ajudou a criar Policenauts e que futuramente encabeçaria a criação dos Metal Gear Ac!ds e faria alguns trabalhinhos nos Solids 2, 3 e 4:

"Olha, parça, os europeus estão nos pedindo um Metal Gear Solid no GBC e quero fazer isso para ter os portáteis em nossa lista. Mas adaptar tudo isso seria uma missão impossível, sem falar que também já estou ocupado pensando e trabalhando no Solid 2, então me faz um favor e cria uma história diferente e fala como é, daí eu te 'ajudo' a dirigir para não falarem que não é 'autêntico'."

E assim nasceu Metal Gear: Ghost Babel (o subtítulo fazendo referência ao Game Boy pelas iniciais) em 2000, sendo renomeado para Solid na Europa e EUA, pois esses queriam atrair a fanzaiada com a fama que o original teve no PSX. Foi muito bem recebido tanto na Ásia quanto na Europa e América, com vendas chegando a seis milhões de cópias, mas não se tornou  um nome "memorável" a ponto de ser lembrado de cara sobre a biblioteca dos jogos mais famosos do GBC, seu sucesso limitando-se ao tempo de seu lançamento.

Deixando as firulas de lado e indo direto à análise, é um jogo que mecânicamente segue o Metal Gear 2: Solid Snake e de história tenta seguir Metal Gear Solid, mas só tenta, porque copia apenas a estrutura básica e o resto é menos enrolão que as baboseiras do Kojima, vou explicar o porquê.


A história é o seguinte: após os acontecimentos de Metal Gear 1 e sabendo que Big Boss é seu pai, Solid Snake abandona o exército e vai morar no Alasca, mas o Coronel Roy Campbell vai lá encher o saco dele dizendo para voltar, porque o governo dos EUA criou seu próprio Metal Gear, mas esse e seus cientistas foram raptados por um grupo terrorista chamado Black Chamber à caminho da América do Sul e levados para um país africano chamado Gindra, aonde um ditador chamado General Eguabon pretende utilizá-lo e guardá-lo dentro do forte de Galuade, aonde antigamente era Outer Heaven.


No mesmo esquema de Metal Gear 2, a maior parte da história se passa através do codec, mas também tem as suas "cutscenes" (que no GBC se limita a imagens paradas dos personagens enquanto texto passa). Dá para ver que Kojima teve pouca influência, porque são bem poucos os momentos em que Snake e sua turma de codec (que por sinal foram feitos com traço de anime) ficam falando dos azares e pesares da guerra, sentimentos de culpa, blá, blá, blá, mesmo nas conversas opcionais quando se pode falar com cada um. Porém não deixa de ter alguns papos sobre conspirações mirabolantes e um pouco do "draminha da traição" que o Kojima gosta de socar em suas criações. E, diferente do Solid e seus sucessores, não tende a se focar nas baboseiras genéticas e tecnológicas.


Sobre a mecânica, segue a base do Metal Gear 2, porém com algumas inovações. Em primeiro lugar, os movimentos não são mais lentões, são de uma velocidade razoável e coerente, seguido da possibilidade tanto do Snake quanto dos inimigos de andar em oito direções, ou seja, os pontos cardeais e as diagonais. A tela agora segue o Snake em vez de ser dividida em salas, o que já melhora a navegação pelas fases. Como em Metal Gear Solid de PSX, ele pode se colar nas paredes e se movimentar escorado nela, ver a área ou até mesmo bater na parede para atrair os inimigos. Snake pode se arrastar ou levantar apertando o start e trocar de itens apertando o select, mas sem ir a uma tela de menu e sim mudando tudo na tela principal com o D-pad, e para não esquecer, também pode-se equipar as famosas caixas para se esconder dentro delas e despistar os guardas. Sobre os chefes, eles seguem um padrão igual ao jogo de PSX, com 4 mercenários, confronto contra um helicóptero,  batalha contra o Metal Gear e finalmente a luta final com o vilãozão nos destroços da geringonça com pernas.



O jogo inteiro é composto de 13 fases que medem o desempenho do jogador em relação ao tempo que ele leva para terminar cada uma, quantas rações usa e quantas pessoas matou (ou não), dando resultados como "terrível", "bom", "ótimo", coisas assim. No final do jogo se recebe uma condecoração de nome (Big Boss, Gray Fox, etc) dependendo de seu desempenho nas telas, sendo possível rejogar  tudo novamente e adquirir condecorações diferentes. Além disso, há extras colocados para ajudar a extender a vida útil do jogo como um modo em que se joga novamente por todas as telas e tenta completá-las sobre determinadas condições, um VR Training que lhe oferece 180 missões (algumas baseadas no VR Missions do PSX) e um modo versus para quem tem o cabo. Também foi colocado uma frequência secreta do codec que passa episódios diferentes de uma novelinha cômica de espiões chamada IdeaSpy 2.5. Os gráficos seguem o padrão do Metal Gear 2, tão bons quanto e com bastante cor. A música é bem limitada, o que já era esperado do Gameboy Color, mas não é de todo o mal, tenta seguir aquele tema militar com espionagem.


Metal Gear: Ghost Babel é um jogo bem divertido da franquia, mas "pouco" falado. Ele não é cansativo de se jogar, fazendo fãs experientes da série que já enfrentaram as velharias a se lembrar das raízes básicas da jogabilidade inicial. Apesar de ter sua leva de falcatruas rocambolescas, circulo de traições e parte de sua estrutura básica do enredo chupinhada do MGS, esse jogo tenta seguir um caminho diferente ao misturar um pouco dos conceitos de cada geração. Pode confiar que não terá arrependimento.


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