quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Pulseman



Dentre os genéricos de Mega Drive que visavam suprir a carência de certos jogos exclusivos do Super Nintendo (pra mim nunca fizeram falta) destaca-se a raridade “Pulseman”, muito comparado a “Mega Man”, ao contrário do especulado, o jogo carrega identidade própria. Quem diria, o estúdio desenvolvedor e seus responsáveis são os mesmos da série Pokémon, os putos quando queriam criar outras merdas lançavam coisas divertidas a exemplo de “Drill Dozzer”. Mesmo hoje, a Game Freaks põe easter eggs do título nos seus trabalhos. “Googueie” a respeito.

É 1999, formas de vida eletrônicas existem graças ao famigerado Dr. Yoshiama. Na fossa, digitaliza-se e come uma vagaba cibertrônica, do “tchaca tchaca na butchaca” nasce o híbrido humano-artificial Pussyman, errr... Pielsen man, argh! PULSEMAN! Pronto! Um herói capacitado a viajar entre as duas realidades.

No hiato 99-2015, um velho fica tempo demais digitalizado e converte-se no -tã tã- “Dr. Waruyama”, chefão da quadrilha internacional ciber-terrorista “Galaxy Gang”. Pulseman precisa dar um jeito no velho, pondo em pratos limpos a integridade mundial, e sua pensão alimentícia atrasada, enquanto é pentelhado pela namorada. De cara salva a emissora NHK.


Escolha uma entre as três fases iniciais, situadas nas diversas nações do planeta (na verdade países somente banhados pelo pacífico), cada uma é mais difícil que a outra, então jogue na ordem. Depois virão outras quatro, por fim a arrastada fase final. O bônus vem após a fase e imita “Arkanoid”, só vence caso destrua todos os blocos. A dificuldade é mediana pra baixa, a única parte realmente mala é debaixo d’água, porque precisa ser clarividente na hora de cair e esquivar-se dos espetos e peixes-lua revolveres.  


Pulseman acumula energia enquanto pega impulso na correria, assim atira raios e se ricocheteia pelo cenário. Salta, manda rasteira, faz bicicleta (muito eficiente), dá arrancada que desvencilha de quase tudo. Também tem um murro elétrico chamado “Volteccer” (engrish de Volt Tackle, aquele golpe do Pikachu) por fim viaja em alta velocidade nos cabos elétricos. Controlar Pulseman é meio estranho, talvez boa parte do desafio seja esse. Querendo se energizar, colide nas coisas; na tentativa de controlar o pulo, seu impulso reduz bruscamente.


A ambientação intercala momentos no mundo real e outros dentro dos computadores. De temática temos as típicas florestas, montanhas nevadas, templos, desertos, que se mesclam a coisas robóticas nos momentos reais e vítreos de fundos chapados beirando a psicose no outro plano. De original vemos cabos por onde o personagem locomovesse e a água aqui retira seu poder elétrico, que nem aquele desenho “Super Choque”. Deixaram tudo detalhado, tipo a energia mudando a cor na luva do Pulseman.


Quando um filho da puta dos bons quer se esforçar tira do Mega Drive saudosas melodias. Puta trilha sonora! Música eletrônica com trechos difíceis de não lembrarem na hora “Pokémon”. Digitalizaram vozes pra caramba, Pulseman fala, a jornalista fala, o vilão, a guria matraca, a rouquidão nem atrapalha, e tudo em inglês! A desgraça só saiu em cartucho no Japão somente mais tarde à moda caralha no serviço online Sega Channel


Entre os muitos mascotes fracassados que tentaram replicar carisma de uns e velocidade “metanfetamínica” de outros, Pulseman está acima dos padrões, jogo de plataforma comum embalado num traço cartum, historinha pra boi dormir, cores vivas e muito, mas muito psicodelismo. Não economizaram nos detalhes, personagens em primeiro plano, viagens dimensionais chapadas, como não achar no mínimo interessante ver o vilão entrando dentro de um fliperama? Fica devendo na dificuldade, poucas fases e final “obrigado e até mais”.

*resenha ressuscitada do “Time Over 2013”.

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