quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Metal Gear 2: Solid Snake



A baixa vendagem do “Metal Gear” original fez Hideo Kojima programar “Snatcher” pro computador PC-98, e paralelamente a conversão do NES vendeu que nem água, daí veio “Snake’s Revenge” primando o mercado estadunidense, mas infelizmente saiu medíocre. Por incrível que pareça, Kojima despreza somente a versão NES do primeiro jogo. Numa viagem de trem, um dos integrantes da equipe de “Snake’s Revenge” incentiva Kojima a criar sua própria continuação, acreditando num resultado melhor. Não faltam melhorias na continuação, Snake rasteja por dutos de ar, rombos nas cercas, mesas, tanques, tocas de rato; A atenção dos guardas aumentou, chegam a perceber pequenezas tipo passadas em grades, socos na parede ou quando o herói espirra, sim, resfriado num jogo 8-bits, putaqueopariu! Só foderam com a velocidade do boneco que é lenta pra caralho, mas depois tu se acostuma com ela. 

O radar ganhou sofisticação, mostra os milicos patrulhando o perímetro e o tempo que a vigilância irá usar para tentar achá-lo durante as perseguições. As comunicações por rádio ganharam maior relevância, boa parte da trama transcorre entre os diálogos nas variadas frequências. As fotos nessa interface do codec surrupiam descaradamente o rosto de famosos, citando Mel Gibson, Sean Connery, Einstein, o coronel Trautman do Rambo, o sargento Barnes do “Platoon”, a Holly Genaro de “Duro de Matar”, e assim segue a malandragem. Na versão vinda no bônus de “MGS3” refazem os rostos todos pra traço anime. De plot inicial antes dele delirar, mostra-se sucinto: cientista cria combustível genérico do petróleo usando recursos baratos e é sequestrado pelos mercenários de Zanzibar Land. Lá pro meio do jogo se força dramas sobre os malefícios da guerra, traições, reviravoltas, mas felizmente não é 1/3 da abobrinha das versões modernas da franquia.

A extensão do jogo foi mais longe que o primeiro título, e talvez “MGS1” ou “MGS2”, afinal consiste em 3 edifícios: pântano, deserto e subterrâneo. O design da fortaleza é crível, tem instalações completas para os soldados, dormitório, toalete, refeitório, vestuário, sauna, laboratórios, sistema de lixo, chega a ser incrível os detalhes. Na época, os programadores nem sacavam a trama direito, só tratavam de programar as ideias e davam corda pro Kojima pirar e tornar o título quase interminável. Dessas genialidades temos: perseguição na mata a um boina verde, escapatória para fugir de helicóptero, correria na escada, câmaras de gás acionadas quando o alarme for disparado, o lance da espiã no banheiro, o card termal, decifrar código Morse dos socos feitos na parede pra ajustar a frequência certa no rádio, atrair pombos correio usando a ração certa e segue a lista.

Os chefes ficaram mais sofisticados, incluíram atiradores no elevador, Metal Gear finalmente em ação, troca de catiripapo depois do Metal Gear com o Gray Fox, sem falar nos outros tão criativos quanto os citados como um ninja lançando shurykens, um matador invisível, combatente no matagal, maratonista morto à base de minas terrestres.  A luta final resiste no macgyverismo puro, chocolate na poça de ácido, improvisar lança-chamas de zippo com aerossol. Matando os mercenários, seu status aumenta, não precisa mais catar prisioneiros pra isso. 

Os gráficos foram bem explorados, quase beiram os games 16 bits, não há do que reclamar, aumentaram cores, no primeiro tudo parecia monocromático, as musicas lembram a trilha sonora dos filmes “Rambo”, criam toda a carga certa de imersão e vontade de querer prosseguir mais e mais. A dificuldade é maior por conta da quantidade de recursos ampliados e menos facilidades, no primeiro era possível sair e voltar de uma sala para ter o máximo de rações e munição, nesse as rações contém 3 tipos e estão espalhadas por aí, é preciso voltar no andar várias vezes. Até uma cobra pode se alimentar delas e te tirar a bóia revigorante, a inteligência e técnica para vencer os chefes também exige maior dedicação, não é de outro mundo zerá-lo, diria que emparelha com o “Zelda” do SNES, se nem esse você vence, então esquece. 

Ouso dizer que este é o melhor jogo 8-bits já feito, além de ser obrigatório nas listas sobre os melhores jogos de todos os tempos, reintero em nível de ordem que deixe a covardia de lado, arrume uma cópia dele e jogue esta merda, seu escroto procrastinador!!! Se não encontrou razões de zerá-lo eu já não sei o motivo de ler o blog Cucamonga Games.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário