terça-feira, 6 de agosto de 2013

Arabian Nights: Spirit of the Desert King



Se todos nós sabemos de uma coisa no mundo dos videogames em que todos concordam, é de que o saudoso Super Nintendo (também conhecido como Super Famicon no Japão) possui uma variedade incrível de jogos que garantiu a sua supremacia sobre o Sega Genesis/Mega Drive durante a quarta geração de videogames nos anos 90.

Tal variedade é formada pelos gêneros de ação, aventura, estratégia, simulação e por último, porém não menos importante, os RPGs e JRPGs. Esse grupo em especial marcou o console com grandes sucessos como Breath of Fire, Chrono Trigger, Dragon Quest, Final Fantasy, Mother 2 (Earthbound), Tales of Phantasia, entre muitos outros.

Mas aí vem uma questão, será que todos os jogos de seus respectivos gêneros, principalmente os RPGs, receberam atenção o suficiente? Mesmo que não se tornassem nomes de sucesso, será que foram dadas oportunidades o suficiente para mostrarem suas ideias e serem conhecidos?

Pois é, sempre houve jogos que não receberam atenção o bastante para chegar ao conhecimento do povo, se tornando completamente desconhecidos, sejam eles localizados para o ocidente ou não. E esse é o caso do jogo que vou a discutir com vocês nessa análise.

Arabian Nights: Spirit of the Desert King(conhecido como Arabian Nights: Sabaku no Seirei-ō no Japão) é um JRPG bem curioso desenvolvido em 1996 pela Pandora Box, uma empresa que já fez jogos desde o Commodore 64 até o Playstation, muitos deles sendo RPGs bem obscuros; dois desses com base nos populares “Guerreiras Mágicas de Rayearth” e “Rurouni Kenshin”. A distribuidora foi a Takara (atual Takara Tomy), famosa companhia de brinquedos japonesa co-criadora da linha Transformers.


A história é bastante simples, iniciando-se no castelo de Ifrit (um ser de fogo citado em textos islãmicos), que é o atual rei dos Djinns, no momento em que o mesmo é visitado por um poderoso feiticeiro chamado Suleiman (nome no qual é a versão árabe para Salomão). O invasor desafia Ifrit para um duelo, desejando torná-lo seu servo, algo que consegue realizar e assim o incumbe de serviços domésticos. Quando Suleiman é atacado por uma entidade desconhecida, ele prende Ifrit a um anel, dizendo que poderá apenas se libertar após realizar mil desejos.


Muito tempo se passa após tal dia fatídico, com Ifrit nesse período alcançando a contagem de 999 desejos. Shukran (palavra árabe que significa “obrigado”) é a protagonista atrapalhada que encontra o anel de Ifrit no meio da rua e ao colocá-lo, liberta o Djinn. A ingênua garota, sendo apresentada a oportunidade de ter seu desejo realizado, pede para que o mundo esteja em paz, no qual Ifrit relutantemente tenta realizar ao acompanhá-la em aventuras pelo mundo afora, eliminando monstros e resolvendo os problemas das pessoas enquanto conhecem novos amigos e um novo companheiro de viagem, o ladrão Harty. Algo interessante na história desse jogo é que ele não tem um final linear, possuíndo três tipos de finais que exigem do jogador uma boa exploração das áreas, escolhas corretas das respostas, procura minusciosa pelos itens importantes e o termino do jogo em determinado tempo.

Para um JRPG lançado em 1996, o tamanho do jogo é bem limitado, mas não deixa de desenvolver uma certa história interessante e oferecer exploração por lugares exóticos. Seu mapa limitado possui um formato que lembra o de Chrono Trigger e suas áreas se espelham em lugares típicos de um conto de fadas das arábias, desde cidades, palácios e templos típicos dessa cultura até vilarejos indianos, selvas, vulcões, Oasis e até mesmo dimensões alternativas. Tudo isso com direito a gráficos coloridos e bonitos.




Finalmente entrando na mecânica do jogo, Arabian Nights não se difere muito dos demais JRPGs, apresentando um sistema bem simples tanto em seu menu quanto no sistema de batalhas. Mas isso não quer dizer que não há uma característica especial que o diferencia dos demais, e ela é o sistema de cartas. Além das habilidades especiais de cada um dos personagens, como Shukran invocando Djinns, Ifrit utilizando seus poderes mágicos e Harty com seus aparatos, há um sistema de cartas que lembra Ogre Battle: The March of the Black Queen (até mesmo o cenário nas lutas lembram OB), no qual cada carta representa um elemento e são numeradas em ordem crescente, com cada efeito delas dependendo dos mesmos elementos e numerações. É possível prejudicar os status dos inimigos, beneficiar o próprio status, ativar um efeito mágico ofensivo ou defensivo.

A trilha sonora, apesar de simples, é muito bonita e variada, com músicas de acordo com o tema das Mil e Uma Noites, com direito até a música tema de cada personagem no mapa, dependendo de quem você colocar na liderança do grupo. E o incrível é que são bem extensas e não são de rápida repetição ou looping.

Arabian Nights: Spirit of the Desert King é uma pérola maravilhosa de grande potencial que não conseguiu se destacar ao lado dos grandes nomes, obviamente por não ter sido trabalhado o suficiente para render em um jogo maior, utilizando todo esse potencial ao máximo, apesar de ter trabalhado de uma maneira criativa o tema das Noites Árabes, possuir bons gráficos e um sistema que não pode ser totalmente original, mas que dá um valor a mais nas batalhas.
Se você gosta de explorar a fundo as bibliotecas de jogos antigos e se interessa por algo criativo, Arabian Nights é uma ótima escolha.

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