sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Castle Excellent



Aí está um dos videogames de plataforma mais bem bolados, não se enganem pelo visual tosquento ou aparência infantilóide, é o avô do gênero exploração, com direito a mapinha, chaves e tudo mais, e você imaginando que o Metroid do NES implementou isto...

A ASCII tinha lançado um pouco antes o seu antecessor The Castle, saído pro MSX e posteriormente portado pela Sega no seu SG-1, um dos antecessores do Master System. Porém, na visão mal amada dos programadores nipônicos, o desafio de The Castle estava baixo e trabalharam numa versão 2.0 por assim dizer, esta que terá o nosso enfoque, afinal essa sim arregaçará com a tua alma, não por ser mal programado, mas porque é cruel e acima de tudo demorado. 


Se a pirralhada atual considera Super Mario Bros. injusto, verá a colher de chá que ele representa, mesmo o Bros. 2 japa (a.k.a. The Lost Levels) é peixe pequeno no quesito angústia. Seu boneco que na capa é um príncipe, mas que no jogo parece o Dartanhã que morre ao encostar nos inimigos, morre trombando nas plataformas voadoras,  morre na água (sem o equipamento), morre inclusive quando blocos caem nele, sentiram o drama? Sequer o nosso herói porta arma, o máximo que pode fazer é induzir seus inimigos a segui-lo para ciladas ou esmagá-los usando os blocos. Felizmente não perde vida caindo de grandes alturas. Fizeram a balbúrdia de relançá-lo anos depois pro NES chamado de "Castlequest" no ocidente, incluindo até uma espadinha, mas aí é forçar a amizade, violando os conceitos diabólicos do jogo. Beleza que até agora só fiquei falando dos absurdos, mas só disse isso para que você o escolha tendo intuito de fechar um desafio dos bons, se for pra chiar porque é dificil e mimimi, então sai já daqui!


O carinha tem que ir atravessando salas, coletar tesouros de pontuação, frascos de vidas e chaves coloridas espalhadas de maneira estratégica, o bom é que antes de começar a sala seguinte, a tela congela, esse pequeno detalhe permite ao jogador sacar as táticas mais pertinentes para driblar os percalços. O primeiro "objetivo" é conseguir o mapinha já enunciado na primeira tela, porém ele só será apanhado fazendo um percurso tortuoso para só assim cair lá, agora com o mapa em mãos é que virão os problemas reais, porque não é só coletar as chaves nessa de ir e vir, dependendo da melecada que fizer condenará de vez a partida, seja destruindo permanentemente blocos errados necessários ou não destruindo-os e pegando o caminho errado não terá mais como avançar, sim, cruel, muito cruel, ainda mais com a única musiquinha maníaca curta e num loop eterno, somatizando em avarias psicológicas. 


Outra parada bem pensada foi o save da partida, alivia parte da tensão, contudo cada save custará 1 vida, assim não tem mamata de save state e do jeito que disse acima, não valerá muito se fizer burradas. Os inimigos são parecidos, mudando pouca coisa, uns somente andam de um trecho a outro, alguns tentam segui-lo, tem umas plantas carnívoras que vão crescendo e sumindo da mesma forma que brotaram do chão, o monstro mais safado é o foguinho filho duma puta, nem sempre é possível formar estratégias para driblá-lo, vai mais da sorte. De armadilhas temos elevadores com capacidade para esmagá-lo, espinhos, vigas voadoras usadas de travessia mas esbarrando nelas é morte, esteiras, balanças que exigem pesos ou a sua remoção, raios que servem de passagem por um tempo mas depois enfraquecem e assim você passa por debaixo deles e os blocos despencando do alto.   


A jornada evita a maneira linear,  é praticamente um puzzle usando viés plataforma. A primeira quarta parte serve mais de apresentação, assim o jogador se acostuma e para de dar chilique, o desafio vai aparecendo mesmo da segunda parte em diante, levando você a frustração máxima por ter feito cagada numa parte avançada e tendo que jogar desde o inicio para chegar até lá, porque não sei se te falei, mas perdendo todas as vidas é game over, nada de continues, meu velho, aqui não tem canja, só sopão daqueles ruins servidos nas ruas à noite. 

Acho que dispensa muito esse parecer, afinal é o precurssor do Metroid, Castlevania Symphony of the Night, entre outros agora postos num pedestal. E não é um jogo clone do Mario, exige sagacidade e poderes advinhatórios.

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