sexta-feira, 22 de maio de 2015

Seaman


E depois de muito tempo sem apresentar aberrações que justifiquem a existência da Cucamonga Games, trago uma das maiores excentricidades oriunda de 1999. Vinda dessa esfera gameira pertencente ao Dreamcast, lar de muitas ideias experimentais sem perder a essência fliperama.

Seaman era um tamagochi bastante cabeça, um kiko marinho de face humana, contra indicado para qualquer adepto de um gelo seco ou sal grosso. Você catolicamente cuida do dia-a-dia do aquário contendo os seamans, uma forma de vida em crescente escala evolutiva; Do contrário, morrem.  O mais intrigante é fazer uso efetivo de um microfone encaixável no segundo slot do memory card encontrado no próprio controle do console quando a criatura estiver comunicável; lembrando sobre o grande espaço ocupado no cartão de memória. O pior é que foi um dos poucos no Dreamcast a fazer uso do acessório que vinha junto do CD numa caixa.

Foi o terceiro jogo mais vendido do console no Japão, ganhando uma atualização em 2001, a reta final do aparelho. Mas a de maior destaque seria a edição especial natalina que nem Nights do Saturn, acompanhado de um Dreamcast vermelho com o logo do jogo, somente saindo algumas centenas desse kit. Teve um alcance melhor sucedido quando foi portado no PS2, ganhando alta pontuação na Famitsu. O de PC teria interação com os aplicativos do Windows dado depois como cancelado.


Seaman sofre altos e baixos quanto ao seu relançamento. O produtor da série Hotline Miami pretendia comprá-lo definindo o jogo para PCs e smartphones, chegou a ter seus tweets correspondidos pelo criador Yoot Saito, interessado na proposta, e só… Morreu o assunto. A Nintendo idos 2012 previa comprá-lo e relançá-lo no seu portátil 3DS, cuja ideia de novo foi pra gaveta. Agora use o seu melhor aditivo se fizer uso do mesmo e sigamos a sua descrição:

Na história encontrada no manual, por volta dos anos 30, o francês Jean Paul Gassé, doutor em biologia, enviado numa expedição ao Egito encontra runas descrevendo uma criatura enviada pelos deuses para levar conhecimento de forte influência para o auge da terceira dinastia faraônica. Em 32 acha um residente de Alexandria que havia capturado o primeiro exemplar enquanto pescava, assim Gassé retorna à França com alguns dos ovos contendo seamans. Ele ficou espantado com a rapidez que os animais cresciam. Infelizmente, morre metade da leva.


O doutor é desacreditado pela comunidade científica cética de ser mero caso sensacionalista para Gassé autopromover-se, pois não tinha uma amostra viva. Desde então, leva o projeto debaixo dos holofotes até que um dia acreditem nele. Ele também teorizou sobre o conhecimento passado para a terceira dinastia egípcia que havia sido também levado para outras civilizações do planeta por mar, dando até o nome de “antro-biotecnologia” para a teoria.

Depois de escrita a tese, o pesquisador se retira, eventualmente encontrado um de seus diários descrevendo o ciclo evolutivo dos seamans. Os seus detalhes poderiam ser vistos no antigo site promocional "www.meetseaman.com", hoje extinto. O começo do jogo era narrado por ninguém menos que o Leonard Nimoy, sempre tentando fugir da sina de ter sido o capitão Spock de Jornada nas Estrelas feito Harrison Ford e sua chateação por ter atuado em Guerra nas Estrelas. O sujeito explica singelamente o que diabos está acontecendo diante de uma placa, havendo a silhueta final do animal, enquanto uma plaqueta logo abaixo indica o histórico apresentado no VMU.


Seguido disso, você se depara com um aquário, nele regula a oxigenação e temperatura para despejar os ovinhos; Paralelo a isso, pelos botões do joystick, você controla a mão virtual interativa capaz de bater no vidro, tocar no animal, tirá-lo da água etc.. Por fim, pode dar zooms e controlar a comida, essa última tem outro ponto inusitado, já que você cria mariposas para que rendam larvas ótimas para recompensar o animal. Inicialmente quando nasce, parece um náutilo peidorrento que se refugia numa concha, depois vira um girino dono de rosto humano cedido pelo seu produtor Yoot Saito, ainda por cima é incomunicável por apresentar falas tiradas das de um bebê - somente o inicio da insanidade.

Na fase mais memorável do bicho (a penúltima) é que inicia o potencial do jogo, ou seja, conversar com um peixe de rosto humano plástico de comportamento temperamental indo pro niilismo. Questiona o que quer, pede o que der na telha, reclama das condições do viveiro, corta o papo quando se enche do usuário... Escapes bem pensados dada as limitações do sistema, delimitando bastante os assuntos e palavras chaves, isso quando consegue reconhecer a voz, até pra um americano nativo soa dificultoso processar suas palavras via microfone que são respondidas por frases genéricas. Talvez uma segunda artimanha querendo evitar a esculhambação do usuário cagar pela boca? Vai saber…


Os papos dele são sobre banalidades: seu aniversário, o que faz da vida, o que faz na internet, se prefere Mac ou PC, notebook ou desktop. Claro, tudo respondido da maneira mais cinza possível, isso quando ele não interrompe o papo pra copular com seu par usando aquele apêndice da cabeça passando ou recebendo os ovos enquanto descreve a boa sensação disso, algo tão assombroso quanto um locutor de supermercado começar a agir como se estivesse em seu segundo emprego de atendente de um tele-sexo.

Alguns seamans secundários podem morrer enquanto o principal que é dourado chega ao seu limiar anfíbio. Agora o aquário passa a ter uma simples poça para ele se hidratar. No final, ele pula o suficiente para se agarrar na corda que abre o vidro levando-o pra natureza, aquela apresentada na entrada do jogo. É então que despede-se seguindo em frente com o que sobreviveu ao lado dele.


Seaman é um caso de amor e ódio para a superestimada critica de jogos eletrônicas e seus vícios avaliadores. Aquele lado mais hipster nipo-fanático laconicamente o chama de “cult”, enquanto os alinhados com o mercado burro ocidental só primando FPS e jogos desportivos, para ficar gordo no sofá ao invés de ir praticar o esporte (sem falar em entrar naqueles centros de paintball), acham o jogo demente,  porque soa fácil denegrir algo insólito.

O lado americanóide nerd, que só assiste ao Netlflix cuja covardia afastam eles de discutir física quântica, já erra quanto a comprar uma máquina que roda a mesma tralha oferecida num PC. A única solução então seria comprar um videogame saindo dos recursos tradicionais, feito um Nintendo Wii que, com todos os seus defeitos, trouxe algo diferente, mas também, esse mesmo pessoal nintendista que idolatra essa ideia dela lincha as tentativas experimentais do Dreamcast que é basicamente a pedra fundamental do Wii.


Acho muito mais interessante controlar um animal mutante de constante mudança provido de certa inteligência inquisidora do que o Hey, you Pikachu! de N64. A personalidade cáustica do peixe deve irritar mais a galera por mostrar o quão na merda esse pessoal está, consequentemente lembrando seus familiares conturbados; preferem então se alienar assistindo vídeos contendo gatos peraltas.


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