segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A Fortaleza Infernal (The Keep), 1983 - Michael Mann




Que decepção, nem o poveco cult curtiu, sequer o diretor devido a safadeza dos produtores, mas culpá-los não é desculpa, podia ser remediado num desfecho melhor. O filme tinha potencial, com um comboio militar logo no começo dos créditos iniciais rumando pra um vilarejo romeno no cu do mundo contrastando com uma pirâmide pré-histórica, e só depois percebemos que são nazistas. Os soldados começam a demonstrar a típica rispidez com os locais e um padre bem do inútil alerta o sargento a pegar o seu grupo e bater em retirada por ser um lugar maldito, daí o sargento começa a indagar o motivo, pior, o padre só fica calado, daí os nazistas rumam pra dentro da pirâmide ver o que tem lá, usar de base ou qualquer coisa, os próprios alemães desgostam da ideia de pararem ali.


Então dentro dessa pirâmide há várias cruzes de prata pura encrustadas em blocos. Os cadetes tomam esporro por quererem pilhar o lugar de cara, mesmo assim começam a arrancar as cruzes, puxar os blocos encaixados que prendiam um cramulhão aprisionado, a entrada do bloco leva para um fosso quase sem fim e nessa a névoa destroça o nazista que vai lá explorar de rapel e mata o outro infeliz  junto. A mortes incomodam um oficial exigindo execuções até os aldeões revelarem quem matou os dois cadetes. O sargento acha absurdo e é o soldado alemão carregando o peso de consciência ante as atrocidades cometidas pelos nazistas uma versão piorada do sargento Steiner do filme Cruz de Ferro e do capitão do submarino alemão em Das Boot.

Os dizeres da pirâmide estão num idioma arcaico e somente um professor judeu preso num dos campos de concentração pode examinar as runas acompanhado de sua filha. O oficial faz uma exceção e o força a fazer todo o trabalho de tradução na edificação, só que o professor já é um velho cadeirante todo acabado e a filha tenta amenizar o tratamento hostil mas até ela sofre na mão dos soldados quando estes tentam estuprá-la mas o nevoeiro elimina os alemães e promete mundos e fundos pro velhote incluindo uma melhora em sua condição física dizendo até findar o terceiro reich bastando libertá-lo das profundezas da pirâmide. Em paralelo há um romeno boladão feiticeiro indo em direção a vila para deter o ser ali preso.


Os elementos que tornam o filme fraco consistem: Na trilha sonora sintetizada toda afetada, o grupo Tangerine Dream tinha feito um serviço melhor no Profissão Ladrão. Enrolações com direito a conflitos internos de cada personagem só que muito demorado e por vezes desnecessários, pra piorar o protetor da pirâmide aparece do nada e sequer é carismático, seria muito mais audacioso por o sargento nazista buscando redenção ao querer enfrentar o diabão fumacento das ruínas, com direito a um padre de responsa sabido dos esquemas de exorcismo e o estudioso judeu. Ao invés disso temos uma estética new age, com efeitos cabulosos remetendo aos neóns tão adorados por aquela década.



Meu conselho é assistir mesmo apresentando tais imperfeições, tem boas ideias e forte clima sobrenatural, com um vilão diferente dos demais apresentados nas telonas. É possível ter virado fonte de referência para outras mídias, então fique de olho.



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