segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Jigoku, 1960 - Nobuo Nakagawa



Um daqueles filmes nipônicos que martela naquele tema noir derrotista que tanto adoram enquanto apresenta o inferno deles, com direito ao Enma julgando todos os condenados pelos pecados que cometeram (será?).


A história é sobre um aluno de teologia chamado Shiro que vai se casar com a filha do professor, até chegou a dar uns pegas e engravidar a garota. Enquanto era levado para casa por seu amigo psicótico Tamura, pediu para que pegasse um atalho, com o maluco atropelando sem querer um yakuza bebum que praticamente se meteu no meio da rua. O doidão decide não parar alegando calmamente não ser da conta dele e ainda culpa o amigo cagão de assassinato, enquanto a mãe e a namoradinha do yakuza decidem procurar e se vingar de quem atropelou o bandidão.


E aí começa uma série de mortes que, por motivo nenhum, o filme joga todas na lomba do bundão, começando pela noiva quando decidem pegar um taxi e o motorista acaba batendo na árvore, o estudante vai visitar a mãe que está para morrer no interior e o psico segue ele para depois acusar a galera lá dos crimes que cometeram, o pai acaba matando a amante sem vergonha quando essa tenta dar uns pegas em seu filho, a namorada do criminoso que dava em cima do cagão cai de uma ponte, e por aí vai até que todo mundo na pousada dos pais dele morrem.


Dessa parte em diante, o filme realmente faz jus ao seu nome, mostrando todos os personagens que morreram sofrendo no inferno pelos seus pecados, principalmente Shiro que recebe a culpa de todas as mortes ocorridas pelo julgamento de Enma, enquanto fica em um pau de arara com a garganta atravessada. Enquanto a galera toda vai sofrendo com punições do tipo espancamentos, dentes arrebentados, corpo serrado ao meio, derreter em sangue fervente, caminhar em um chão de lâminas, entre outras bizonhices cabreiras, Shiro vai fugindo e sofrendo pela sua condição enquanto o piradão do Tamura tira sarro alegremente da galera condenada, só para ser punido depois pelo Enma por aceitar ser maldoso, já Shiro tenta subir em uma roda para salvar sua filha morta no acidente de taxi, mas fica girando sem poder salvá-la. O final simplesmente apresenta todos os mortos da festa, enquanto as almas da noiva e da irmã de Shiro (essa que o filme coloca como similar a noiva) praticamente vão para o além sorrindo satisfeitas pela determinação do Zé Ruela.


Esse filme, por ser de 1960, deve ser um dos pioneiros do gênero simbolista e derrotista da sociedade que os japoneses tanto adoram. Já começa fazendo do protagonista um mártir por coisas que nem fez, daí enfatizam a passagem do trem toda vez que uma morte vai acontecer, além do pintor depressivo na pousada que pintava um quadro do inferno. Mas fora isso, a segunda metade do filme que enfatiza o inferno é bem satisfatória apenas pelos efeitos utilizados e a maneira que descreve o abismo japonês, o que deveria ter sido enfatizado desde o início da película sem precisar abusar do dramalhão e das mensagens quase subliminares, colocando mais importância na representação da casa dos amaldiçoados.



Resumindo, esse filme tem mais pontos ruins do que bons, se quer vê-lo apenas para babar pelos efeitos especiais de terror utilizados para a casa do cramulhão, vá em frente, pois pelo menos nisso fizeram muito bem feito.

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