segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Uma Espécie em Extinção (Where the Buffalo Roam), 1980 - Art Linson



Parte ficção, parte verdade, parte delírio, todas elas mexem-se feito um membro decepado de um monstro de gila. Where is Buffalo Roam estranhamente aportuguesado como 'Uma Espécie em Extinção' costura e escracha de forma mais insana que Medo & Delírio, aludindo trechos das inúmeras publicações do eloquente jornalista Hunter S. Thompson, pai do jornalismo gonzo, e um dos que melhor pode retratar o quadro estadunidense  em seu turbilhão social nas décadas de 60 e 70 num estranho panorama das revoltas populares jovens batendo de frente com  a incompreensão e intolerância praticada pelas autoridades naquele período, tudo diluído é claro numa comédia chapada. 

Bill Murray um monstro no seu auge de carreira encarna o Dr. Thompson, nos apresentando em seu chalé tipografando seu texto em meio a algazarra de bugigangas espalhadas em casa, rodeado por bebidas, frutas, armas, drogas e seu fiel cachorro que morde o saco de um boneco do Nixon quando dizem o tal nome. Hunter precisa entregar uma publicação encomendada por uma editora, é aí que ele expõe trechos de suas memórias insanas. Um dos primeiros trechos nos mostra um encontro dele com o seu leal advogado e colega de sandices o Dr. Laslo ou Dr. Gonzo como ficou conhecido no filme estrelado por Johnny Depp e Benicio Del Toro, mais precisamente o advogado mexicano Oscar Acosta


Laslo é inconformado em querer ser advogado para meramente se envolver nos casos rendosos tipo os de divórcio, em vez disso, tenta salvar a pele dos jovens autuados pela polícia, recebendo duras penas no xadrez por um simples baseado. Em meio a essa visão de ideais e a audiência em defesa dos jovens, permeia as sacadas ácidas de Thompson e sua cumplicidade em perturbar a gente careta do judiciário pondo pilha no advogado embora o ache bastante pancada. É normal Hunter fazer coisas surreais em diversas situações, carregando muambas repletas de parafernálias, drinques e drogas. 

Nessa parte, Laslo entra em frenesi pela pesada pena aplicada a um usuário a passar 5 anos atrás das grades, a ação o faz berrar e gerar um protesto no meio da sala e ainda arremessa um segurança pra cima do púlpito do juiz, vai pra cadeia também e assim corta contato com Thompson e passamos pra outra de suas memórias. 


Bom, seguem outras passagens do escritor depredando hotéis, fazendo coisas randômicas dignas de um desenho animado, marcando presença entre outras figuras mais desmedidas, mas sem lhe surpreender muito, para ele, presenciar um doido armado soa comum. A reta final é  em direção ao encontro de seu pior inimigo público – Richard Nixon. Os desdobramentos acarretam nos exageros sempre escritos por Thompson que por motivos óbvios não os comete, porém se torna uma extensão divertida do que ele queria fazer se  pudesse e aqui no filme isso pode finalmente ser posto em ação sem ele parar numa pior. 


Talvez soe um típico besteirol estrelando uma figura abstrata demais, mesmo para uma comédia, mas é fato que ela existiu, fazendo boa parte desses excessos, quiçá um bomba relógio praqueles que compartilhavam a sua companhia. Embora volte a frisar que esses exageros da cachola do autor foram integralmente passados pro filme. Ele peca por chegar a um ponto que nem se sabe mais o que diabos ele está fazendo e o que irá cobrir ainda mais sendo ele um jornalista. A trilha sonora embarca nos clássicos da década de 60 e ainda a contribuição de Neil Young para o tema principal desdobrando em outras variantes durante a película. Estou... Baixando nesse exato momento a trilha sonora, já tá em 5%, vou deixar o PC ligado de noite. 


Talvez Hunter Thompson seja visto apenas como uma figura porra-loca com uma melancia no pescoço pros leigos  e por esse motivo chacota pros não conhecedores de suas obras, atendo-se somente para o filme Medo & Delírio em Las Vegas por ter Depp estrelando, poucos fazendo  questão de saber sobre a parceria do ator com o jornalista.  Julgam Thompson até infantil a sua ideologia apregoada. Mas ele mostrava como a liberdade americana e o american dream sempre foram violados, além disso, nunca incentivou a imitação do seu estilo de vida degenerado. Gente feito o Dr. Thompson sempre terá espaço na Cucamonga, pois feito ele, não somos obrigados a seguir os arquétipo impostos pelos demais veículos de comunicação. 

PS:Cuidado com vampiros aspirantes à Nixon e grupos guerrilheiros latinos. Câmbio e desligo!


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