sábado, 31 de outubro de 2015

Encounters of the Spooky Kind, 1980, Sammo Hung



Mais um filme de terror cômico feito pela cachola doida do Sammo Hung, o coreografo gordinho mortal incompreendido pela sociedade e respeitado pelo o que resta dos cinéfilos de pancadaria oriental clássica. Esse filme é mais velho que o Mr. Vampire, datando de 1980, e arrisco dizer que é o primeiro e o melhor filme do subgênero, só não se tornando mais famoso que o dito cujo.

Dessa vez com o Sammo de protagonista, ele se coloca no papel de um típico camponês chinês chamado Bold Cheung que, apesar de ser um covardão de primeira, é um hábil lutador de kung fu. O filme já começa com ele sonhando em uma estrada escura comendo alguma coisa quando dois vasos contendo cramulhões dentro começam a atacar ele e até mesmo saem do vaso, já arrancando bons nacos de carne da perna do infeliz, só para acordar assustado e ainda discutir com a sua esposa vagabunda sobre o dinheiro que ela arranjou para roupas novas. Até mesmo se mete em uma enrascada sobrenatural quando seu amigo se disfarça de alma penada para assustá-lo só para depois o original puxar o idiota para dentro do espelho e quase levar Cheung junto.

Senhor Tam, o patrão rico de Cheung e “Ricardão” que ajuda a meter galhadas no pobre balofinho, quase é pego pelo mesmo quando estava se divertindo com a piranha. Achando arriscado continuar só como amante da mulher do empregado puxa saco, decide matar Cheung e tomar a garota para si. O seu conselheiro então indica um clérigo taoista esfarrapado e malandrão que é capaz de assassinar Cheung com seus poderes sobrenaturais, só que seu parceiro também feiticeiro discorda da ganância dele e decide seguir seu caminho, encontrando depois Cheung na estrada para um templo que o mesmo passaria a noite devido a uma aposta que fez.


Dessa parte em diante que os rituais taoistas marafentos começam a se destacar, com o clérigo picareta montando altares, cortando pescoços de galinha, brandindo sua espada de madeira e realizando rezas malucas para controlar o jiangshi, o não tão famoso vampiro chinês, à distância usando seu próprio corpo como um vudú vivo sem precisar do papel talismã. Enquanto o outro feiticeiro aconselha Cheung a jogar ovos de galinha dentro do caixão do capiroto e até mesmo sangue de cachorro caso os ovos não adiantassem. Senhor Tam convence a mulher de Cheung a ser sua esposa e finge o assassinato dela para encriminar o trapalhão rotundo. Após dormir controlando cadáveres, recebendo ajuda do outro feiticeiro, se tornando um feiticeiro aprendiz após a luta dos dois macumbeiros orientais, ocorre o titânico combate de feitiços entre os dois taoistas em altares elevados, levando a um desfecho totalmente inesperado.

Comparado com o Mr. Vampire, Spooky Kind dá uma ênfase maior aos rituais chineses de macumba antiga. E foi graças a esse filme que os diretores e produtores chineses começaram a abandonar o “copia e cola” dos vampiros romenos e deram mais atenção aos capetudos da própria mitologia. E pensar que o Sammo foi jogado pelos fariseus pra escanteio e relegado a ser um diretor e coreografo de segunda, além de ator de papéis pequenos em seriados e películas que ninguém nunca viu. Tomem vergonha na cara e vejam seus filmes da década de 70 e 80, vão saber com muito sofrimento o que estão perdendo.


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