quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Sweet Sweetback's Baadasssss Song, 1971, Melvin Van Peebles



Aaaaaaeeeeeewwww!!! Post n° 300 nesta bagaça! Vamo 'comemorá', cidra e pão doce do despacho da rua pra todo mundo que é de graça! Sob qualquer pretexto mando essa dica de filme pra quem quer explorar as margens do cinema, por não ser material que todo mundo bica devido a uma série de frescurebas impostas pela galera na atualidade, sendo assim lá vai as questões do filme!

Este aqui é o filme base do cinema blaxploitation, pros desavisados seriam filmes supervalorizando a cultura afro americana com personagens extremamente estilosos ou revoltados com a discriminação ou ação do homem branco, na maior parte do tempo demonizados ou então inúteis para prestar-lhes ganho de causa em qualquer questão do sistema, tendo eles o papel nas mãos para resolver as pendências na maior parte do tempo enchendo de bala ou caindo na porrada. Geralmente as protagonistas são gostosonas, independentes além de vingativas, já os homens sex machines e dão um jeito de mostrar quem é que manda no gueto quebrando o primeiro infeliz que cruzar seu caminho. 

Porém, não veremos esse lado mais insuflado das produções posteriores. Sweet é uma produção independente barata com edição modesta mas forte o suficiente para influenciar cineastas posteriores. Pros dias de hoje duvido muito que saísse da cena indie devido a ótica "tudo errado" instalada no cérebro patrulhador atual. O diretor Melvin Van Peebles comeu um dobrado na época também. Pediu uma grana pro Bill Cosby, custou em achar os poucos cinemas que desencadeariam o sucesso da película com direito a ter ajuda do grupo Earth Wind & Fire para criar uma trilha sonora competente visando difundir mais a obra que depois seria cult na roda militante negra.


A sensação de assistí-lo passa o ar de comédia forçada pela involuntária visão honesta da vida do protagonista, sátira e bastante criticismo seja pelas pessoas ali viventes criando o ar degradante ou as forças repressoras do sistema. O começo do filme mostra o jovem Sweetback interpretado pelo filho do diretor comendo uma prostituta que o acolheria e daria o tal apelido Sweet Sweetback pelas proezas na cama. Depois vemos um Sweet mais velho (o próprio diretor) fazendo o que melhor sabe fazer como atração para voyeurs é então que toda a merda acontece para o protagonista.

A polícia para aplacar o descontentamento de uma comunidade, resolve culpar Sweet pelo assassinato e poucos dias soltá-lo da cadeia afirmando carência de provas, Sweet sem muita escolha concorda. Pro azar de Chris  Sweet, um militante é preso e posto no mesmo carro, este não mede coragem para insultar os oficiais que o removem do carro e lhe espancam, Sweet mesmo algemado revida contra a policia e começa a fugir daí o filme segue nessa diretriz.

Pela pouca grana é notada certa enrolação com o fugitivo disperso que nem vento, sendo pego para interrogatório e fugindo mais uma vez "aumentando as estrelas da polícia" atrás do pobre coitado mais expresso pelas autoridades como um sanguinário. A correria é cortada para gente conhecedora do Sweet Sweetback no papel de qualquer improvisação ou carregando os estereótipos negros, há também sempre uma brecha pra sacanagem.

Nos momentos finais depois de até um de seus amigos sofrer nas mãos dos 'gambé', Sweet agoniza  pela perseguição penosa e gradativos ferimentos ao driblar a polícia, ele atravessa uma charneca ansiando o México como refúgio mas nunca chega até lá. A mensagem final é um verdadeiro escárnio sobre o incidente e o fujão.


O filme pelo amadorismo e baixo custo pode afugentar uma galera grande ainda mais por ser uma trama sem linearidade calcada em improviso e personagens estranhos para quem desconhece a cultura americana, ainda mais compreender o jeito de falar dos negros estadunidenses, sem acrescentar aí o elemento chanchada. Sua relevância está mais pelo seu pioneirismo. 

O neto de Peebles (Mario Van Peebles, tha lirá SwiiiIIIty!) em 2003 lança um documentário falando sobre o processo do filme e como era o cenário antes da produção, os entraves das duras críticas sobre o impacto gerado e eteceteretal, vale assisti-lo também assim como ouvir a ótima trilha sonora, com o tempo elemento indispensável para este tipo de produção feito os cds com musicas de novela.

Carolas chatões de galocha feito o diretor Spike Lee podem amolar o bastante em como o blaxploitation "sujou" a moral dos brothas, mas convenhamos que foi o período que melhor catalisou o protagonismo negro saindo do cenário alternativo para ser assistido e influenciador de outros públicos ao redor do mundo. 


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