terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Rainbow - Rising - 1976



Vou começar a falar de musica neste recanto inóspito de conteúdo renegado. E como iniciar esta categoria estreante na página? Falando logo de um disco chutador de sacos, importantíssimo pra história do rock. Rising seria o segundo disco do grupo Rainbow, um projeto dissidente do guitarrista Ritchie Blackmore, brigado com o Deep Purple, após ficar puto da cara por começarem a funkear demais a identidade do grupo, quando os musicos David Coverdale (líder do Whitesnake) e o Glenn Hughes pintaram na parada com a vacância do cantor Ian Gillan. Ritchie teria chamado o cantor Ronnie James Dio e seus demais companheiros do grupo Elf como integrantes extras a pedido deste. O nome é de uma birosca hollywoodiana homônima onde Ritchie e o Elf se apresentavam eventualmente.

Ritchie sempre inconformado e bolado com a baixa vendagem do álbum debute demite geral ficando apenas Dio. Então chama notórios artistas como o recém finado baixista Jimmy Bain (motivo também da resenha para tentar resgatar as feitorias de um sujeito mais desapercebido pela maioria), Cozy Powell na batera e Tony Carey nos teclados, uma formação chamada até como MKII, feito as terminologias das várias rotações musicais no Deep Purple.


Esse segundo disco aumenta mais a identidade do Rainbow, se no primeiro disco evitava ser alvo de comparações da antiga sonoridade do Purple, é nesse que fica constatado grande renovação criativa. Os temas ficaram mais centrados no universo de fantasia medieval e eventuais temas sobre as facetas sórdidas das ruas. As duas temáticas seriam bem inspiradoras pra galera dos primórdios do rpg e consumidora das hqs de faixa etária mais maduras, tipo as Heavy Metal ou o boom dos quadrinhos do Conan. Parte disso advém do gosto pelo fantástico por Dio e a afinidade pela musica folclórica britânica de Blackmore, tanto que hoje em dia fica tocando com a esposa umas musicas medievais.

Isto foi uma faca de dois gumes, pelo fato de ter aberto portas pro power metal popularesco nos anos 80 e de certa forma criou o estereotipo do guitarrista virtuoso ou do subgênero ser predileção dos cabacentos nerds chegados nesse tipo de tema. A leve farofice do grupo ainda fugia disso tipo o Uriah Heep dentre similares, pois ainda era carregada do ocultismo remanescente da onda hippie, indiretamente mais escrachada na macumbaria e uso de drogas.

Fugindo do blábláblá conceitual, vamos a sonoridade. É um rock enérgico com uma participação de um teclado incendiário que rouba atenção nos momentos que lhe é dado destaque sem que sobreponha tanto a música, talvez para evitar comparações com o grupo antigo de Blackmore; linhas de baixo com personalidade e uma bateria sem grande alarde mas eficiente para tornar a estrutura excelente. O destaque mesmo é o RitchieDio, os definidores de fato de tudo. Ritchie toca riffs pesados pulsantes com solos certeiros sem ficar um pedante. Os solos podem tanto inclinar para o blues, música clássica ou escalas mais diferentonas como temas orientais e árabes - recurso posteriormente adulado pela galera do power metal que fica colecionando conhecimento sobre escalas exóticas.

Dio é um cantor possante que não se prende a ideia da musica e consegue ser eficiente seja nos momentos calmos ou nas explosões da canção. O grupo se preocupou em dar um propósito mais eficiente para as letras sem parecer mera burocracia para entregar uma musica com algo cantado. Fazem questão de dar um objetivo narrativo. O hit de Rising é Stargazer, bastante arabesca com um excelente solo e guitarra e a aura bem desértica. Outras com bastante personalidade seriam Light in the Black que puxa o afetamento do Deep Purple clássico. Starstruck com uns toques meio celtas revigorando o hard rock proposto e o riff meio malandrão de Run with the Wolf.

Rising é um disco que trouxe uma gama de combinações ao hard rock sem parecer pomposo. Deu maior relevância as letras e se mostrou como algo superior a mero capricho de algum integrante recém brigado com grupos anteriores. Foi também o princípio da briga de egos entre Dio e Blackmore. Este na minha opinião é o que melhor define a sonoridade do Rainbow. Escutem!


Um comentário:

  1. O álbum é legal mesmo, depois vou pegar para ouvir todo.

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