sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Road Avenger a.k.a. Road Blaster FX



 Uma coisa é certa, os full motion videos precederam a questão atual de fazer tudo soar como um filminho. E como existiam produções desse naipe antigamente! Uma avalanche! Era possível dividir o gênero em dois subgrupos principais: Os que apresentavam atores reais e os compostos totalmente em animação, como é o caso de hoje. Este tipo de jogo quando era dominado se tornava dispensável devido a linearidade e limitações em sua conjuntura. Era como pegar uma produção qualquer e cobrar reflexos do usuário para dar continuidade, dava pra ser feito com Casablanca, Star Wars e Free Willy sem soar absurdo perante o catálogo. 


O Sega CD pra piorar, não renderizava decentemente os FMVs pelas óbvias limitações gráficas, a não ser que fosse um trabalho totalmente feito para ele tipo as cut scenes do Sonic CD. O Road Avenger foi portado dos fliperamas pela Wolf Team, com isso já devem saber o resultado... Devido a esse tipo de mídia, ficamos sem condições de conferí-lo num MAME da vida. Depois do Sonic CD e do Terminator, Road Avenger era uma das poucas coisas acessíveis pro sistema. Por mais que nego fale de outras joias como Snatcher e do pelo menos bem acabado Lunar, além de caros,  não se encontravam com facilidade por aí...

A aventura da vez é 100% animação muito  bem feita no mínimo, comparável ou mais alucinada que Dragon's Lair ou Space Ace. A historinha recai no arquétipo do clássico "Max, O Bolado". O herói entrando em lua de mel com a sua esposa sofre um acidente de carro devido a um ataque feito por punks liderados por uma criminosa que lembra a postura das sukebans, garotas delinquentes briguentas.  O cara inconformado, tira da garagem seu carro vermelho sangue e segue eliminando todos os marginais usando a alta velocidade. 


A animação toma conta e você precisa estar vidrado para não marcar bobeira. Seu controle precedeu o famoso sistema quick time event reiniciado por Shenmue. Deve apertar alucinadamente os botões de esquerda, direita, de turbo ou de freio, no geral eles se misturam facilmente e será necessário tanto memorização quanto reflexos apurados ou dançou... Tudo vai ficando mais viajado conforme prossegue. Acrobacias insanas que parecem misturar Speed Racer com Velozes e Furiosos tomam conta. Atravessa cidades, floresta, praia, deserto e um estúdio de cinema enquanto presta movimentos que fariam o Evel Knievel cuspir seu café com analgésicos. 

Não sei se o jogo te deixaria com vontade de descer a rua em direção da importadora chinesa, ainda mais por ser uma animação sem bifurcações no roteiro. Nesse caso deixo aqui o vídeo pois no mínimo vale assistir a animação bem trabalhada e talvez uma das mais bem feitas principalmente pela decadência vigorando no mercado japonês de animes hoje em dia. 


5 comentários:

  1. ''principalmente pela decadência vigorando no mercado japonês de animes hoje em dia''

    Acho que isso começou nos anos 90, com várias ''animações'' que tinham quadros estáticos e recortes dignos do paint ( e aquelas corpos sem rosto).

    Já a ideia do mad max algo é um pouco mais antiga ( porém o jogo não deixa de referenciar a obra) isso apareceu a uns 2 anos, antes do lançamento do filme original, o nome da pérola é violence jack, de longe o pior mangá do go nagai,,, mas criou a base de toda essa merda pós apocalíptica.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Isso já era perceptível desde Evangelion mas apesar de tudo a animação porca não era tão escancarada como ocorre nos momentos de hoje. Tá que existia a pilantragem de animar bem somente determinadas cenas mas não chegava a um descalabro feito essa continuação de Dragon Ball, ainda mais por ser revivida tanto tempo depois e pela fama conquistada, independente de prestar ou não em história etc..

      Podis crer, Violance Jack... O mangá é insano e as OVAs seguiram a cartilha sanguinolenta, eu não sei se merece review, principalmente o Evil Town porque ganhou status gore recentemente, vejo ele citado em algumas páginas. Carnificina, estupro, canibalismo e magia negra (em outra produções) eram até elementos recorrentes em boa parte das animações home video. Go Nagai deve ter sido trancafiado e assistido em loop infinito os filmes de terror dos cineastas italianos.

      Excluir
  2. Que legal essa intro do vídeo com o Mega CD, eu to acostumado com a bios do Sega CD!
    Essa relação dos quick time events com os jogos full motion é bem interessante, nunca tinha pensado nisso.
    Cara, Snatcher eu só fui conhecer com os emuladores muito, muito tempo depois, aliás o rpórpio Sega Cd foi um console obscuro aqui em Curitiba, tinha...mas pouco.
    Road Avenger parece ser legal, imagino que não traga bizarrices no nível de Night Trap. :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Night Trap renderia um bom tema de propaganda no teu blog, pois entornou o lance de censura nos jogos, embora o jogo nada tenha de gore ou imoral.

      Excluir
    2. Esse lance de censura é constante, sempre tem um jogo para ser a bola da vez. Ainda bem que geralmente os games superam os processos e as acusações.

      Excluir