sábado, 23 de abril de 2016

Cheburashka, 1969



Desenho máximo da Soyuzmultfilm, o estúdio de animação soviética, e mascote infantil titular da Rússia moderna, Cheburashka é uma criatura mutante apimentada na radiação de Chernobyl criada por Eduard Uspensky em uma história infantil de 1966, rendendo popularidade dentro das rodas de artistas comunas e condizendo com o período de inserção comunista de cartuns icônicos para acabar merecendo uma adaptação em stop-motion em 1969, no mesmo ano que Nu, Pogodi! estreou.


Com um foco genuinamente conscientizador e "fofucho" para alegrar a vida miserável dos estufadores de mísseis mirins da Cortina de Ferro, se baseia nesse coala atômico e seu amigo crocodilo zanzarilhando por aí, tentando interagir com as pessoas e locais, conscientizando as crianças de boas ações, meio ambiente, entre outras tralhas kawaii desu desu segundo os intelectuais (ou energúmenos) hippongas gaijins otaCUs. São quatro curtas que, juntos, não passam de 1h40 aproximadamente, fora outras animações secundárias que pipocaram devido a popularidade estrondosa da bagaceira.


Indo mais a fundo na traminha episódica e nos personagens, não se sabe de que espécie é o Cheburashka, "nome" dado por um feirante ao encontrá-lo dentro de uma caixa de laranjas que significa "tombar", já que o bicho estava com o corpo todo dormente e não conseguia ficar sentado, caindo toda hora. Como não pôde ser deixado no zoológico por não saberem sua espécie, o manolo decide deixar o bicho com um gerente de loja que o emprega a ficar na vitrine e atrair fregueses enquanto pode morar feito indigente em uma cabine telefônica ao lado da loja. As condições do coala radioativo melhoram quando conhece o crocodilo Gena através de um anúncio publicado pelo mesmo. Cheburashka tem a personalidade de um molecote introvertido de cinco anos, totalmente ingênuo ao que ocorre em sua volta.


Gena é um crocodilo que trabalha no zoológico como atração do local, esperando bater o ponto para se vestir e logo voltar pra casa. Ele em si, como parece ser costume desses desenhos soviéticos, é um cidadão exemplar, tocador de acordeão e cavalheiro que vive bem e que é até um intelectual, mas parece ser também do tipo nerd fracassado, passando o resto do dia enfurnado em casa fumando seu cachimbo de bolhas e jogando xadrez contra ele mesmo. Chega uma hora que bate o desespero e começa a escrever anúncios procurando por um amigo com quem passe o tempo. Nessa ele acaba conhecendo Cheburashka e vira uma mistura de amigo e até tutor do bicho para ensiná-lo as coisas. Porém, ele também é bem introvertido e tem certa dificuldade até em interagir com algumas pessoas.


A terceira personagem principal da série é uma velhota solteirona chamada Shapoklyak, uma pronúncia russianada de chapeau claque que seria um tipo de cartola. Ela, definindo em poucas palavras, é o Joselito do desenho, pois sua única motivação em todas suas aparições é ser totalmente sem noção ao pregar peças, jogar vasos na cabeça dos outros, fazer gente escorregar em frutas, roubar os pertences e veículos das pessoas, entre outras coisas enquanto acompanhada de sua rata de bolsa Lariska. Apesar de sua motivação em escrotizar com todo mundo, a velhota acaba desenvolvendo um tipo de amizade com a duplinha e até toma as dores do Cheburashka quando alguém abusa do mesmo, tipo ao armar armadilhas de urso e um enxame de formigas contra uns caçadores da cidade grande. Fora esses três, há outros secundários pouco mostrados que apareceram nos filminhos ou em qualquer outra animação do desenho, praticamente baseado no livreto infantil.


Como dito, a animação se tornou um sucesso tão grande para os adultos e crianças que mesmo após a União Soviética se tem poucas produções relacionadas a Cheburashka, com direito até mesmo a animes recentes de curtíssima duração lançados na Nipônia, produto de uma popularidade crescente provinda da exposição inicial da série por lá no começo do século XXI, uma popularidade igualmente comparada a do Topo Gigio entre eles. Dentro dos países do Leste Europeu, o desenho é um dos, se não o, mais famoso da região, sendo até ícone de popularidade lá na Rússia. Além da visão positiva do desenho, também há a visão chacota dele, sendo usado tanto em piadas inofensivas quanto nos memes mais cáusticos de lá, se caçar pode até ver exemplos como Cheburashka vatnik (xingamento que caracteriza nacionalistas russos ou ucranianos como indigentes beberrões).

Tá aí outro desenho comunista atemporal da Rússia, outra produção de curta duração que se pode assistir. Não tão movimentado quanto o Nu, Pogodi! revisado aqui, mas serve para matar a curiosidade dessas produções soviéticas.


2 comentários:

  1. O leste europeu desvendado pelo serviço secreto cucamongo. Assisti um vídeo no youtube apresentando a história inicial do filho bastardo do Alex Kidd, o conto dos escoteiros e aquele com a velha roubando os vistos para a dupla ir pra Santos de trem passar o feriado.

    Uma qualidade acima da média, pois existem muitas produções em stop motion pífias, seja na época do Cheburashka ou posteriormente. Ri muito da chacota ao bicho para fazerem piadas regionais.

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  2. caramba,

    a antiga cortina de ferro é praticamente um mundo inexplorado em termos de cultura.

    valeu!

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