quinta-feira, 21 de abril de 2016

Burning Rangers



Mais um jogo teoricamente inortodoxo para os padrões Cucamonga, mas vale falar pela fator moribundo do Saturno que tem todos os seus jogos, até mesmo os popularescos, enterrados em um cemitério indígena.


Burning Rangers é mais um dos jogos não Sonic-centristas feito pela Sonic Team, dessa vez estrelando um grupinho de bombeiros futuristas que lembram aqueles cartuns de produção niho-muricanos (se não for uma versão muricana chupinhada) de equipes alfa e suas bugigangas especiais, prontos para salvar o dia de vilões bonachões ou tragédias que promovam suas traquitanas para vendas nas lojas de brinquedo e ainda ter uma lição moral/educativa no final do episódio, até música tema chiclete tem.


Apesar dessa turminha toda, você tem como escolha apenas o gambé recruta nipônio Shou Amabane (não confunda com Shoko Asahara) e a minazinha clichê Tillis. São quatro fases no total, tirando o treinamento básico de início, com só as duas últimas missões relacionadas em história, mas no geral é como se fosse um jogo episódico. As quatro fases são compostas de salas e corredores interligados em que se deve explorar em busca de vítimas e cristais, esses últimos essenciais para coleta por energizar o teletransportador que manda o pessoal encontrado para a nave. Claro, como são bombeiros, tem que apagar o fogo que aparece e até desviar de explosões.


O jogo é bem curto, com fases que podem durar por volta de 10 à 30 minutos, mas para quem quer resgatar todos as vítimas espalhados pelo complexo e coletar os cristais, pode demorar mais um pouco, mas nada que faça uma pessoa dedicar dias jogando. Os controles sobre o movimento dos bonecos são decentes, porém a câmera é de certa forma fixa. Precisa-se dos gatilhos para olhar para o lado esquerdo ou direito e manter a visão reta quando precisar virar em algum corredor ou pular plataformas. O pulo a jato é bem longo, permitindo um pulo duplo para alcançar lugares mais distantes. Dois botões do controle servem apenas para chamar a navegadora loira que em boa parte dos casos vai te dar a direção certa (em algumas faz cagada). Um botão só para virar a câmera livremente enquanto parado e, lógico, há o botão de tiro que apaga o fogo ou acerta os chefes das fases. Pode carregar o tiro para apagar de uma vez incêndios grandes, mas não ganhará cristais como quando apaga com vários tiros. No geral, não é difícil se acostumar com a jogabilidade mesmo pela câmera, já que as salas não são gigantescas a ponto de precisar girar a visão toda hora.


Vale apontar que mesmo fechando o jogo, pode-se jogá-lo novamente com a possibilidade de visitar salas que não estavam abertas durante a primeira bateria e encontrar vítimas/cristais em locais diferentes, pois o jogo tem um gerador randômico para garantir explorações diferentes. Não é muito uma surpresa, considerando que o Sonic Team já mexe com o fator de revisita desde os jogos do ouriço punk naturalista.


Burning Rangers foi lançado no final da vida do Saturno, sendo um dos jogos que puxou o máximo possível da capacidade gráfica do console, mas mesmo assim pode-se ver tudo serrilhado. Como enfatizado religiosamente por aqui, o Saturno é como um golem que nem mesmo os criadores sabem como conseguiram juntar todas peças para fazer funcionar, e ainda assim fraco em comparação com o PSX e até mesmo o N64, se for ver esse último, jogos como Megaman Legends, Hybrid Heaven, etc conseguem rodar sem a sujeira serrilhada que o Saturno tem.


Não tem música durante a grande maioria fases, apenas os sons ambientes pelo movimento dos personagens, tiros, explosões, incêndios, etc. Só começa a tocar algo durante as cenas de tensão quando já se está próximo do final, além das músicas dos chefes, no geral decentes em sua composição. Mas o que se destaca mesmo são as poucas músicas temas cantadas que misturam rock, soul e até rap, produções muito bem feitas e naquela temática do cartum heróico para promover a trupe de heróis do fogaréu naquele pique Silverhawks, Thundercats, ou até mesmo o Galaxy Rangers que faziam até banda com uma música inteira dedicada a eles.


Apesar de seus defeitos gráficos, curta durabilidade e falta de mais trilhas para animar as fases, Burning Rangers tem um jogabilidade decente e até que uma ideia legal de exploração e resgate aliado a plataforma, levando o sub-gênero de resgate à civis ao 3D, temática que já tinha em jogos dos consoles mais antigões. Mas não se iludam, é um projeto que se poderia explorar até mais do que já tem e que deveria ter sido melhor desenvolvido em um console mais potente como o Dreamcast, dando tempo para polir mais os elementos, mas fazer o quê? Se fizesse isso, a Quenga não seria Cega...


3 comentários:

  1. Mais um título de importância, Senhor M! A cada dia o underground do Saturn é melhor revelado, mesmo esse daí conhecido pacas entre a cambada jogadora desse sistema.

    Só completando o texto, a Quenga reaproveitou os cyber bombeiros pro Phantasy Star Online de Dreamcast transformando-os numa classe selecionável, os Rangers... Não mudaram quase nada.

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  2. Ah o Saturn e seu serrilhado inconfundível!
    Levando em consideração o lance plataform/resgate eu diria que BR pode ser entendido como uma releitura do HERO do Atari, mas claro, forçando a barra um pouco kkkkkkk!

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    1. Bem citado! Uma tradução mais pega pra capar abusando da estética futurista, tema sempre usado pela empresa talvez por transmitir a ideia de avanço tecnológico.

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