sábado, 11 de junho de 2016

The Dead Boys - Young Loud and Snotty - 1977



30 minutos de punkadaria com um dos melhores grupos deste segmento nos EUA. Os pivetes tiveram uma passagem curta de sucesso como manda a cartilha punk, se é que existe o mito desmentido por John Fat, fica a dúvida. Surgiram nos subúrbios de Cleveland, Ohio através de uma banda inicial chamada Rocket From the Tombs (antiga Frankenstein) iniciada em 75, possuidora de uma sonoridade bem dark além de experimental. A dissolução da Rocket rendeu dois importantes nomes na cena marginal: Pere Ubu e os Dead Boys, nome tirado da letra "Down in Flames". Esse novo grupo parte pra Nova Iorque por indicação de Joey Ramone, que deu uma força para eles conseguirem tocar no bar CBGB e até gravarem algo por lá. Pouco tempo depois lançam o seu primeiro disco Young Loud and Snotty que viria a ser o melhor trabalho dos Dead Boys, afinal, quase sempre o primeiro disco punk é o que vinga. Ele foi produzido pela cantora de hard rock Genya Ravan, sempre disposta a ajudar os novos músicos bancando a produtora.


A formação contava com Stiv Bators no vocal, Cheetah Chrome (Gene O'Connor) na guitarra solo, Jimmy Zero (William Wilden) com a guitarra rítmica, Jeff Magnum (Jeff Halmagy) no baixo e Johnny Blitz (John Madansky) na batera. A sonoridade era bem mais parecida com a dos grupos britânicos do que os Ramones por exemplo. Bators gostava de chamar atenção se cortando com o pedestal do microfone, regurgitava o catarro e o engolia muitas vezes. A cambada estava sempre pronta para uma treta, tinham os requisitos necessários para ganhar trela da audiência novaiorquina e inglesa.  

Diferente do Plebe Ubu, os caras tinham uma postura menos dark e tocavam um rock bem mais agitado. Não há o que ficar enrolando. Disco punk é pouco acorde, uns efeitos mínimos na guitarra, batera nervosa e o baixo marcando. As letras se baseiam na frustração jovem,  vida errante e rebeldia etc.. Aqui temos o maior sucesso deles, "Sonic Reducer", música dos tempos da RFTT, inclusive um dos hinos do punk rock. "All This and More" é na linha mais roqueira. "What Love is" é na onda dos Ramones com um fraseado mínimo. "Not Anymore" seria uma "baladinha", é destoante do resto. "I Need Lunch" já é um pouco arrastada na duração e  criativa dentro da proposta. "High Tension Wire" é uma das mais pesadonas contendo umas mudanças no som bem fodas, grudam na cachola.


O álbum é uma excelente amostra do subgênero, deveria ser lembrado melhor pela galera punkeca das ideias. Depois desse disco as coisas foram de mal a pior. Uma turnê na Inglaterra fudida. Imposição das gravadoras para que fizessem um som mais pop,  ignorância dos produtores sobre a nova onda tomando controle. A própria rotina encrenqueira da turma quase pôs fim a vida do batera durante uma briga em que levou 5 facadas! Esse disco nem tem desculpa, dá pra ouvir em meia hora, larga de marra!

BS:Aproveitem e assistam ao filme CBGB, ele explica de maneira divertida o funcionamento da birosca, aparecendo sempre o famigerado grupo!


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