sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Blue Öyster Cult - Secret Treaties - 1974



Como ninguém fala dessa excelente banda, mesmo os intitulados "críticos rockers", geralmente uns tiozões colecionadores de vinil que preferem groselhas costumeiras, faço o meu papel trazendo o desconhecido. Ainda no começo dos anos 70 quando o heavy metal gradativamente ganhava a sua definição que viria a ser concluída na década seguinte, tivemos um grupo americano de Long Island muito criativo que equilibrava a atmosfera da literatura de terror com a fúria do hard rock, o Blue Öyster Cult (ela até foi a pioneira no uso do trema).

Tinham um público fiel e uma roda crítica entusiasmada com a carreira da banda. Por outro lado, mesmo possuindo alta qualidade nas suas músicas, a popularidade dela era pequena, seus primeiros dois discos foram fracos em termos de vendas, somente neste terceiro é que traria o primeiro grande índice de popularidade, talvez seguido por Agents of Fortune e o seu trabalho mais pop Fire of Unknown Origin (suas músicas tocam na animação de 81 da revista Heavy Metal).

Os dois primeiros álbuns apesar de ótimos ainda estampavam certa indefinição, como se o BÖC tentasse encontrar a sua identidade, e no terceiro trabalho finalmente alcançam a fórmula desejada. Secret of Treaties consegue ser mais pesado e agressivo sem perder a essência sombria cheia de texturas apresentando certa conexão entre as faixas.

Temos Eric Bloon e Buck Dharma com suas guitarras super distorcidas dando peso a música e atacando com solos marcantes. Isso tudo não seria o mesmo sem a condução dos demais componentes que preparam esses momentos mais revoltos pelas diversas manifestações de timbre que o teclado de Allen Lenier garante, ou a habilidade dos irmãos Bouchard apresentando uma bateria sempre em destaque com seus pratos cristalinos e um baixo perceptível em todo o disco. As letras tiveram a contribuição da "poeta punk" Patti Smith (namorada do tecladista na época) e do produtor Sandy Pearlman que chegou a fazer discos pro The Clash e The Dictators (também escrevia poemas).

Career of Evil estreia com um órgão estridente cheio de groove e o peso da guitarra confeccionando uma melodia malvada, onde a letra não esconde as pretensões maléficas do personagem ao mesmo tempo soa algo descontraído, por alguma razão, Buck Dharma não canta neste álbum. Subhuman engata logo em seguida num ar mais tranquilo e sobrenatural ganhando força pra segunda metade. Uma estranha letra de um homem ferido que parece ser um fugitivo do holocausto que perde seus amigos e passa a ter visões estranhas sobre os "meninos ostra", seriam representados na capa do Fire of Unknown Origin? Dominance and Submission é o estranho relato da infância de um cara que foi levado de carro após ir a uma festa e presencia uma possível putaria entre os passageiros, suscetíveis ao impacto da invasão britânica trazida nas estações de rádio, expandindo os limites do rock pela Beatlemania.

ME-262, é o nome do primeiro caça alemão e que aparece na capa do disco, motivo para gerar burburinho na época, permitindo uma exposição a mais no mainstream. É um rock n' roll clássico com um pouco mais de peso e conta de maneira humorada como o "tio Adolfo" faria famoso o aviador que testasse essa arma aérea, temos até samples de bombardeios e sirenes. Havester of Eyes recobra o climão pesado ainda mantendo a formulinha típica do rock n'roll. Descreve o olhar penetrante de alguém que consegue ler as pessoas pelos olhos, talvez leve para uma interpretação mais sobrenatural ou o poder que um indivíduo possa ter quando domina esta arte de controle. Flaming Telepaths, traz ares mais introspectivos, o piano e o sintetizador ganham aparição com a letra, possivelmente fala sobre a heroína. Astronomy encerra o disco de maneira tranquila, deixando o piano guiar a ultima faixa. Parece que algum ritual esotérico tomou grandes proporções e fica a dúvida sobre o que sucedeu.

E este é Secret Treaties, pra muitos o apogeu do BÖC, na minha opinião o grande marco para trilharem os trabalhos posteriores. Faixas pesadas mostrando esmero a mais para apresentar o rock, equilibrando bem as tensões. Usam detalhes complexos mas sem os afetamentos de um grupo progressivo. Letras divertidas de compreender, inclusive agradeço ao serviço secreto cucamongo pela ajuda em alguns detalhes intrínsecos nas letras. Talvez esta seja uma das bandas mais injustiçadas do rock, não tem um disco que tu ache uma bomba, soa apenas inferior a outras coisas da discografia. Ouçam tudo na íntegra:



2 comentários:

  1. Ótima dica Doc. Quando você cita que só no terceiro álbum eles se encontraram, alcançaram a fórmula eu me identifiquei com minhas músicas, em muitos casos eu gosto de álbuns e não de bandas como um todo. As vezes eu adoro álbum X, mas todo o resto da discografia não me agrada. Está cada vez mais difícil eu falar, eu gosto da banda tal, meio que apoiando todo o trabalho dos caras. Hoje em dia meu gosto musical é muito mais pontual, album à album. Ah! e "Tio Adolfo" foi fod@ kkkkkkkk
    Abração Doc!!!

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    1. Tem bandas que são mais dispersas nos hits, outras conseguem transmiti-los em discos com todas as faixas apresentando boa qualidade. O Blue Öyster Cult é uma banda que dificilmente você dirá ter um álbum porcaria, só não será tão interessante quanto os trabalhos mais aclamados. Ela consegue apresentar temas sombrios de maneira mais divertida não deixando de mão o peso do hard rock com arranjos bem explorados.

      Sempre essas figuras históricas chamam atenção. Do Adolfo ao Nobunaga no Japão.

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